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A Sociedade de Ética Ambiental (SEA), com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian (FCG), organizou a conferência 'O que devemos ao Futuro - Pistas para uma cidadania planetária', que decorreu no dia 10 de Outubro, na FCG. O Instalador foi media partner do evento.


Texto e foto: José Alex Gandum


Isabel Mota, Presidente do Conselho de Administração da Fundação Calouste Gulbenkian, abriu a sessão, alertando para  «a crise em que entrou o nosso modelo de socieadde» e frisando que «a sustentabilidade do planeta nas dimensões económica, social e ambiental é uma questão intrínseca para uma Fundação como a FCG». Acrescentou que «só com as pessoas podemos traçar vários caminhos», deixando o desafio: «como encontrar o melhor modo de gerir a escassez de recursos com limites éticos para as nossas decisões?», rematando que «o mundo está em crescente imprevisibilidade e cada vez exige-se mais do sector público, do sector privado e da cidadania».


O primeiro painel começou com a intervenção de Tiago Domingos, da Área Científica de Ambiente e Energia do Instituto Superior Técnico (IST), subordinada ao tema 'A Ética da Quarta Revolução Industrial Sustentável', oportunidade para abordar a questão da sustentabilidade na indústria no sentido de conseguir reduzir as emissões  de CO2.


Viriato Soromenho-Marques, professor universitário e especialista em ambiente, trouxe para a conferência 'Um ponto de vista ético sobre as alterações climáticas', referindo que «a ética está inserida na racionalidade prática, no centro da unidade da condição humana», pois a ética «liberta e expõe o poder e a responsabilidade do indivíduo e da deliberação colectiva/ética púbica». Para o especialista «a ética é mais visível nas zonas cinzentas, em períodos de transição, e no silêncio das normas explícitas».
Sublinhou ainda «a crise ambiental como crise ontológica», destacando as dimensões da crise do ambiente: «dimensão planetária, irreversibilidade, aceleração acumulativa no tempo, descontrolo político e institucional crescentes e entropia versus complexificação (uma tragédia quando se apossa do poder político)».


Cristina Branquinho, do Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Climáticas da faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, trouxe as 'Razões éticas para a preservação da biodiversidade', abordando as questões da biodiversidade e dos ecossistemas, deixando uma justificação ecológica para preservar a biodioversidade.


Francisco Ferreira, presidente da Associação Sistema Terrestre Sustentável (ZERO) fez um historial das grandes cimeiras do ambiente e do cima, sublinhando a importância da Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente e desenvolvimento, que decorreu no Rio de Janeiro, Brasil, em 1992. A seguir a Agenda 21 «foi uma marca política mais importante no percurso de um desenvolvimento sustentável e da relevância da educação ambiental», onde «organizações não-governamentais, reunidas num fórum paralelo, acrescentaram um conjunto de estratégias alternativas».


O especialista demorou-se nos fracassos da Cimeira de Copenhaga, em 2009, mas sublinhou a importância no Climate Summit 2014, realizado em Nova Iorque, EUA, que serviu de base ao Acordo Sobre o Clima que seria aprovado em Dezembro de 2015 em Paris, França.
O responsável destacou os aspectos positivos, como «multilateralismo. mobilização proporcionada pelo evento, oportunidade de negociação, documentos para o futuro e sinergias entre governos e ONGs». Dos aspectos negativos, destaque para «os custos, resultados diplomáticos e pouco compreensíveis, falhas de implementação, ausência de monitorização e falta de ambição».


No primeiro painel ainda falou Helena Freitas, professora Catedrática da Universidade de Coimbra, abordou a questão da 'Ética ambiental e políticas públicas'.
Outros painéis fizeram-se pelos 'Caminhos para o Futuro - cruzando saberes à volta do Ambiente' e pelos 'Novos Olhares sobre Ética Ambiental'. Antes da cerimónia de encerramento foi apresentado o livro 'Do Animal à Biosfera - estudos sobre o estatuto moral da natureza', da autoria de Cristina Beckert.


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