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Em entrevista ao Diário de Notícias e à rádio TSF, Domingos Xavier Viegas, professor catedrático e um dos maiores especialistas portugueses na questão das florestas, refere o que falhou na catástrofe de 15 de Outubro.


Texto: Revista O Instalador
Foto: Youtube


O Governo escolheu o professor Domingos Xavier Viegas para elaborar o relatório sobre o incêndio de Pedrógão Grande. O relatório foi entregue e divulgado recentemente, por coincidência na semana em que Portugal passou pela maior catástrofe dos últimos séculos, tendo mais uma vez a ver com a designada "guerra" portuguesa contemporânea: os incêndios florestais.


Na entrevista, Xavier Viegas começou por referir que «quase tudo correu mal», tanto nos incêndios de dia 17 de Junho como nos de 15 de Outubro, sendo que estes tiveram a agravante de serem mais dispersos no espaço, já que se estenderam por todo o norte e centro do país.


O especialista aponta responsabilidades a montante e fragilidades a todos os sectores da sociedade, desde as autoridades e às entidades responsáveis até às comunidades e até aos cidadãos. Diz também que há um país que não «é imaginado» em Lisboa. Aponta falhas de governação e deficiência na distribuição de riqueza.


Xavier Viegas também não compreende porque não se levam em consideração os estudos académicos-científicos, já que eles existem e são assertivos. Recordou também outros grandes incêndios, de onde saíram alguns ensinamentos que nunca foram levados em conta para prevenir futuras situações análogas.


Quanto às soluções, o especialista conclui que «quando há uma vontade, quando há uma liderança, uma determinação para resolver um problema, consegue-se fazê-lo. Julgo que é isso que falta em relação aos incêndios no nosso país. Há pessoas que olham para a floresta como cifrões, outros que veem outros aspectos quaisquer de paisagem, de ecologia, de desenvolvimento turístico, mas falta olhar para isto como um todo, para uma realidade que tem um risco sério de incêndio florestal. Parece-me que as pessoas programam as florestas como se não houvesse incêndios, as próprias plantações são feitas dessa maneira».


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