218820160    oinstalador@gmail.com

Passam hoje, dia 1 de Novembro, 262 anos sobre o maior terramoto registado em Portugal nas últimas centenas de anos. Na sequência das tragédias dos incêndios, a pergunta que se põe é se Portugal está ou não preparado para um sismo de razoáveis dimensões.


Texto e foto: José Alex Gandum


Antes do terramoto de 1755, tinham sido registados cinco sismos entre 1321 e 1356, todos eles na região de Lisboa. Em 1531, Lisboa foi outra vez assolada por um terramoto que pode ter causado 30 mil mortos. O de 1755 (em Lisboa, Setúbal e Algarve) terá atingido 8,7-9 de magnitude na Escala de Richter, e provocado entre 10 a 90 mil mortos, só na capital.

Daí para cá os sismos mais assinaláveis em Portugal Continental foram os de 1909 (conhecido como o de Benavente), onde morreram 42 pessoas e o de 1969, mais sentido em Lisboa e no Algarve, e que os números oficiais na altura fixaram em 13 vítimas mortais, embora se creia que tenham sido muitas mais.

Nos últimos anos têm-se registado alguns abalos, em especial no centro e sul do país, mas Lisboa tem sido poupada. No entanto, têm sido sismos de reduzidas amplitudes, e não têm provocado vítimas e pouquíssimos danos materiais. Alguns especialistas argumentam que esses pequenos abalos são benéficos pois vão soltando energia e vão evitando o chamado "big one". No entanto, avisam também esses especialistas que os sismos não têm hora marcada e que podem acontecer a qualquer momento, dependendo os estragos da proximidade ou não do epicentro em relação a grande aglomerados urbanos.

Embora um sismo não tenha a ver directamente com o ambiente, pode, no entanto, ter consequências enormes em termos ambientais, e não só. Por outro lado, as construções feitas nos anos 70 e 80 do século XX ainda não foram postas à prova. Assim como as recentes e intensas obras de reabilitação urbana da última meia dúzia de anos.


Por isso é pertinente que, e no dia em que se assinalam 262 anos sobre o maior terramoto registado no continente, se ponha a questão: estará Portugal preparado para um sismo de grandes dimensões? Para responder negativamente, os especialistas referem as tragédias repetidas dos incêndios que ocorreram recentemente. Também frisam que não têm sido feitos quaisquer simulacros nem em escolas, nem em transportes (em especial os subterrâneos e fluviais), nem em edifícios públicos. Por outro lado, os hospitais nas grandes urbes já não chegam para as urgências do dia-a-dia, quanto mais para uma catástrofe, dizem os entendidos.


Em caso de catástrofe provocada por um grande sismo, a televisão também teria (e tem) um papel fundamental. Mas não se sabe se a própria televisão tem pessoas preparadas para isso. Por outro lado, as principais cidades portuguesas têm agora durante todo o ano um número muito elevado de ocupantes, por causa do actual boom do turismo. Os especialistas advertem que era importante alertar pedagogicamente quem nos visita, sem cair na vulgaridade de os alarmar. Também não ficaria mal uma maior fiscalização às muitas obras de reabilitação urbana que estão a acontecer neste momento nas grandes cidades, pois a pressa e o recurso a materiais mais baratos nem sempre são bons conselheiros. Sabe-se que Portugal é um país de risco sísmico, por isso tudo o que se fizer para atenuar os efeitos catastróficos de um sismo de razoáveis dimensões, é bem feito!


Bootstrap Image Preview Bootstrap Image Preview