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Os ambientalistas da Zero afirmam que todos os consumidores de electricidade pagam os subsídios recebidos pelas unidades de incineração de resíduos de Lisboa e Porto, como se produzissem energia renovável, mas a queima de lixo resulta em emissões.


Segundo as contas da Associação Sistema Terrestre Sustentável, Zero, as unidades de incineração de Lisboa e Porto - a Valorsul e a Lipor - «têm estado a receber 28 milhões de euros por ano a partir dos consumidores de electricidade», um dinheiro extra que recebem para além da energia que produzem, sendo «uma benesse que os governos têm dado a estas unidades para queimarem resíduos».

«Grande parte desse dinheiro vem de consumidores que estão fora dos sistemas de Lisboa e Porto», afirmou à agência Lusa Rui Berkemeier, da Zero, acrescentando que «há um fluxo de 20 milhões de euros que vem dos consumidores de electricidade do interior e de zonas que não são Lisboa e Porto, para que seja mais barato tratar o lixo» nestas duas áreas metropolitanas.

Para a Zero, trata-se de um sistema que «favorece quem vive nas grandes metrópoles e prejudica quem vive no interior do país».

Além do aspecto de «justiça social e de coesão do país», há também a vertente ambiental, no lixo, considerada «muito grave», segundo a Zero, que analisou a atribuição de subsídios dados às operações de incineração de resíduos urbanos nas duas unidades de Lisboa e Porto, baseada na consideração de que a energia obtida é uma energia renovável.

«Consideramos isso errado porque grande parte dos resíduos que são queimados, como plásticos e materiais sintéticos libertam carbono fóssil, portanto, a incineração é globalmente uma operação que promove a libertação de gases com efeito de estufa e não devia ser incentivada como energia renovável», como a solar, o biogás ou a eólica, afirmou Rui Berkemeier.

 

Rui Berkemeier critica o facto de os governos terem estabelecido metas de reciclagem mais baixas para as zonas que têm incineração, nomeadamente Lisboa e Porto.

Na zona do Porto é 35% e de Lisboa é 42%, enquanto nas zonas rurais, onde é mais difícil reciclar, é de 80% o que, acrescenta, «é mais uma injustiça».

«Portugal, como não está a apostar a sério na reciclagem nas grandes metrópoles de Lisboa e Porto, vai falhar as metas de reciclagem», resume o ambientalista.

Para a Zero, «é fundamental que se altere este financiamento aos incineradores e que o Governo estabeleça metas de reciclagem muito mais elevadas para as zonas do litoral e grandes cidades do que para as zonas do interior e aldeias».

A Associação defende a subida da Taxa de Gestão de Resíduos (TGR) para quem envia lixo que pode ser reciclado para aterro ou incineração e a opção de premiar quem aposta na reciclagem.


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