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A multinacional Vestas, ligada ao sector eólico, vai criar 350 postos de trabalho com a abertura de um centro de inovação no complexo da Lionesa, indicou o administrador do grupo localizado em Leça do Balio, Matosinhos.


Em declarações à agência Lusa, no âmbito da cerimónia de lançamento do projecto, Pedro Pinto avançou que a Vestas pretende investir entre cinco e dez milhões de euros no Norte do país, tendo um contrato mínimo de dez anos.

O responsável tem expectativa de que a este investimento se juntem outros e falou em mais duas multinacionais com as quais a Lionesa prevê «fechar negócio até ao final do ano».

Pedro Pinto indicou que a estes investimentos se soma a ampliação da Farfetch, uma empresa de comércio electrónico de artigos de luxo, que já se localiza em Leça do Balio.

No total, Pedro Pinto aponta para a criação de 700 novos postos de trabalho, sem deixar de mostrar alguma «mágoa», como descreveu, pela ausência da tutela na cerimónia que decorreu em Lisboa.

«Trazer a Vestas para o Porto com cinco meses de negociações duras, sem a ajuda de ninguém, enche-nos de orgulho mas obriga-nos a um desabafo. Não tivemos nenhuma força política, nenhuma instituição pública a dar-nos apoio e estranhamente hoje não temos aqui nenhum ministro, nem nenhum membro do Governo a testemunhar este anúncio», disse o administrador da Lionesa.

E acrescentou: «fala-se muito da Agência Europeia do Medicamento e do Infarmed mas existem outros projectos e não sei qual deles é mais importante. Acho que o importante é ter capacidade de captar investimento estrangeiro para o nosso país».

O centro empresarial da Lionesa nasceu em 2002 e tem actualmente 127 empresas instaladas.

Em Março, quando se colocava a hipótese de ampliar as instalações actuais ou criar novas em outras localizações, os responsáveis da Lionesa decidiram avançar com um projecto de ampliação dos atuais 44 mil metros quadrados para 105 mil.

O objectivo foi traçado com horizonte até 2025, mas Pedro Pinto acredita que se concretizará antes.

O investimento total da Lionesa é de 100 milhões de euros e inclui uma zona desportiva com oito campos de 'padle', a construção de um hotel, ginásio e de residências universitárias e empresariais.

Pedro Pinto também destacou o envolvimento do arquitecto Siza Viera na idealização de uma obra que conviverá com o Mosteiro de Leça do Balio, bem como o empenho da Câmara de Matosinhos que deverá inaugurar uma ciclovia junto ao rio Leça já na próxima primavera.

«O projecto da câmara vem alterar a relação da Lionesa com todo o rio Leça e a obra do génio [Siza Vieira] cria um confronto muito interessante de arquitectura junto a um mosteiro do século XI. São aspectos que transportam o projecto Lionesa para um outro patamar. Conseguimos alavancar muito investimento para a cidade do Porto e para a região», referiu o administrador.

Sobre a escultura que terá assinatura de Siza Vieira, informação remetida à Lusa pela Lionesa, aponta que será uma «caixa dentro da caixa», uma obra integrada no objectivo de preservação, conservação e divulgação do património ligado à história e aos Caminhos de Peregrinação até Santiago de Compostela.

«Como o rio corre para o mar, do mosteiro criam-se novos pontos de partida dos Caminhos de Santiago, unindo a caixa branca de Siza em Leça do Balio à caixa santa que é a 'catedral dentro da catedral' que o mesmo Siza finaliza hoje nesse destino de tantos chamado Santiago», descreve a informação.


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