218820160    oinstalador@gmail.com

O aumento da temperatura e da salinidade da água do rio Guadiana estão a favorecer o estabelecimento de espécies exóticas que antes nunca tinham sido encontradas no rio, como o caranguejo azul ou a corvina americana.


O aparecimento de espécies invasoras no estuário do Guadiana tem vindo a aumentar nos últimos anos, com mais de uma dezena de espécies registadas, incluindo peixes, amêijoas, alforrecas, camarões e este caranguejo, disse à Lusa Alexandra Teodósio, professora na Universidade do Algarve e responsável pela monitorização destas espécies no rio.

Todos os meses, uma equipa de investigação do Centro de Ciências do Mar (CCMAR) da Universidade do Algarve (UAlg) recolhe amostras de água no rio, mede a temperatura e também os níveis de salinidade, um projecto que depende também da colaboração dos pescadores, que são quem «descobre» as novas espécies.

«Tem sido através desta colaboração que temos conseguido encontrar e detectar estas espécies novas de uma forma mais consistente», frisa a bióloga, que ao longo dos últimos 20 anos tem assistido ao aparecimento de novas espécies no Guadiana e ao aumento da densidade de outras que já existiam.

Segundo a investigadora, o objectivo da monitorização é acompanhar as alterações que estão a ocorrer no rio associadas à construção das barragens e às alterações climáticas, para «avaliar o quão saudável o ecossistema estuarino está, mas também podermos retirar, se for o caso disso, espécies com potencial interesse económico».

«Os pescadores, muitos dos quais enfrentam dificuldades, usarem estas espécies novas ou invasoras, que podemos controlar a sua biomassa, com uma exploração sustentável, é o que pretendemos», refere a professora da UAlg, que para o ano quer implementar um projecto para ministrar acções de formação aos pescadores.

Os primeiros estudos arrancaram no final da década de 1990, coincidindo com a construção da barragem do Alqueva, situada no rio Guadiana, no Alentejo, data que serviu de ponto de referência para a monitorização da evolução das condições do rio e das espécies que nele habitam.

Os dados recolhidos mensalmente pelos investigadores do CCMAR são depois publicados 'online' no sítio de Internet do Conselho Internacional para a Exploração do Mar (ICES - International Council for the Exploration of the Sea), que disponibiliza dados de vários pontos do mundo.

Vânia Baptista, estudante de doutoramento na UAlg e que tem nos últimos dois anos integrado o projecto, explicou à Lusa que mensalmente são registados os parâmetros físicos da água, como o PH, a temperatura, a salinidade e o oxigénio, e recolhidas larvas de peixes e crustáceos para depois em laboratório.


Bootstrap Image Preview Bootstrap Image Preview