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A eficiência energética em edifícios é cada vez mais uma prioridade nacional. Neste segundo dossier do ano de 2017 dedicado ao tema, fomos ouvir vários agentes do sector, entre eles a ANFAJE, a ADENE e a Lisboa E-Nova. Saiba mais na edição impressa de Outubro de 2017 da nossa revista.


Texto: Ana Clara 

Portugal quer atingir, até 2050, a neutralidade carbónica. «Garantir a eficiência energética dos edifícios é um dos caminhos estruturantes a seguir por quem quiser cumprir este objectivo», lembra a Lisboa E-Nova - Agência Municipal de Energia e Ambiente (ver texto mais abaixo).

Por tudo isto quando falamos de eficiência energética falamos também de sustentabilidade energética e dos edifícios.

O sector dos edifícios é responsável pelo consumo de 40% da energia final na Europa, e, por isso mesmo, o desafio da União Europeia é ambicioso: reduzir o consumo energético em 50%, o que representa uma redução anual de 400 milhões de toneladas de CO2. Vários factores contribuem para esta realidade negra que é preciso alterar. Falámos com vários agentes do sector e fomos perceber onde estamos e para onde queremos ir. 

Janelas eficientes: uma solução indispensável 

O presidente da ANFAJE - Associação Nacional dos Fabricantes de Janelas Eficientes , João Gomes, refere a’O Instalador que a associação «tem vindo a defender, conjuntamente com outras associações empresariais da fileira da construção, dos materiais de construção e do imobiliário, que a Reabilitação Urbana deve ser encarada como um factor estratégico de crescimento da economia nacional e como uma oportunidade de regenerar as vilas e cidades portuguesas».

Para tal, «é necessário apostar na criação e execução de programas e medidas bem articulados, os quais permitam investir no nosso parque edificado, através da valorização das condições de conforto e de segurança estrutural e através do aumento da qualidade da construção e da eficiência energética dos edifícios».

Na Europa, relembra o responsável, a reabilitação de edifícios representa 36,8% de toda a produção da construção, totalizando 515 mil milhões de euros/ano.

No que diz respeito ao segmento da habitação, «esse peso é de 50%, ou seja, as obras de reabilitação e manutenção de edifícios têm um peso idêntico ao da construção nova. Nos países europeus com maior dimensão, como a Alemanha, Itália, França ou o Reino Unido, a reabilitação ultrapassa a construção nova com programas activos de apoio à melhoria da eficiência energética dos edifícios, nos quais se incluem medidas específicas e de grande sucesso para a substituição de janelas antigas por novas janelas mais eficientes».

Para João Gomes, em Portugal, «apesar de ainda estarmos num patamar inferior, a actividade da reabilitação de edifícios está com uma tendência de franco crescimento».

Tendo em conta a dinâmica do mercado imobiliário, «o surgimento de novos clientes, com características e necessidades diferentes, e uma mudança de paradigma que tem levado os clientes a serem mais exigentes, é incontornável a necessidade de apostar na promoção, projecto e construção de novos edifícios de habitação, de comércio e de serviços, que possam dar uma resposta extremamente qualificada às necessidades de conforto térmico, acústico e de eficiência energética».

Acrescenta que «enormes desafios e oportunidades surgem para melhorar a qualidade da construção através da aposta em projectos que incorporem novos materiais, novas soluções e técnicas construtivas mais eficientes e com um excelente rácio custo/benefício, que se traduzam num efectivo ganho de valor para todos aqueles que investem na melhoria da sua habitação ou do seu edifício».

Neste quadro, afirma o presidente da ANFAJE, as obras de reabilitação, no que respeita à envolvente exterior dos edifícios, «exigem a melhoria das características de conforto térmico e acústico pelo que a aplicação de novas janelas eficientes (com caixilhos e vidros mais isolantes) torna os edifícios antigos mais sustentáveis no consumo e gestão de energia ao longo de todo o ano, pois reduz a necessidade de energia para aquecimento no Inverno e para arrefecimento no Verão, o que melhora o seu desempenho energético e, consequentemente, reduz a factura energética».

«De facto, o aumento do isolamento térmico tem como consequência imediata o aumento da eficiência energética dos edifícios, contribuindo para a redução até 40% dos consumos energéticos. Ao mesmo tempo que permite um maior isolamento térmico, a substituição de janelas antigas por novas janelas eficientes traz também maior isolamento acústico e maior segurança anti-intrusão, ao mesmo tempo que permitem dar resposta aos requisitos estéticos da arquitectura de cada edifício (tradicional ou contemporâneo)», sustenta.

Neste quadro, a ANFAJE continua a sublinhar que a instalação de novas janelas eficientes é «um contributo indispensável para a melhoria da qualidade, da sustentabilidade e da eficiência energética dos edifícios portugueses e para uma reabilitação urbana inteligente».

Recorde-se que a ANFAJE  foi constituída em Janeiro de 2010 e pretende representar e defender os seus associados, bem como fomentar o desenvolvimento sustentável e a inovação do sector das janelas e fachadas, em Portugal. 

Lisboa E-Nova lembra a «neutralidade carbónica» 

Portugal quer atingir, até 2050, a neutralidade carbónica. «Garantir a eficiência energética dos edifícios é um dos caminhos estruturantes a seguir por quem quiser cumprir este objectivo. E a capital portuguesa também se está a preparar», recorda a Lisboa E-Nova na missiva que enviou à nossa revista sobre o tema.

A Lisboa E-Nova garante que tem investido na eficiência energética dos edifícios públicos e desenvolveu duas ferramentas de controlo: o gestor remoto e a Carta de Potencial Solar do município. «Um par a que se juntam também, para combater o desperdício, os métodos mais tradicionais de poupança de energia e as certificações energéticas», salienta a Agência.

Os métodos para aumentar a eficiência energética de edifícios «deixaram de passar apenas pela aposta em sistemas mais ou menos passivos de poupança de energia». E é neste paradigma que a Lisboa E-Nova investe.

«Através do gestor remoto e da carta de potencial social quer dinamizar a capacidade de produção energética para autoconsumo e com ela reforçar a eficácia de medidas mais tradicionais como o uso de iluminação led ou de isolamento com materiais térmicos», informa.

O gestor remoto, criado em 2011, pela Agência de Energia e Ambiente de Lisboa, «permite controlar quase em tempo real os consumos energéticos dos prédios. Oferecido aos associados e parceiros da Lisboa E-Nova tem sido contratado por outras entidades e está neste momento a ser aplicado em 1400 edifícios e outras infra-estruturas. A ferramenta permite registar, identificar e diagnosticar os consumos de energia de 15 em 15 minutos».

Estes dados permitem ao gestor do edifício fazer um planeamento altivo das necessidades energéticas e dos usos dos equipamentos instalados.

A Lisboa E-Nova refere que «a simplicidade de apresentação de dados do gestor remoto permite o seu uso por não especialistas da área da eficiência energética dos edifícios. Não admira que muitas entidades tenham optado por usar esta ferramenta de modo autónomo. Contudo, há vários casos em que a Lisboa E-Nova continua a apoiar vários prédios integrados no sistema. Neste momento, no âmbito dessas parcerias, é dado apoio completo a 17 instalações da Câmara Municipal de Lisboa e da EGEAC, a empresa que faz a gestão dos espaços culturais da autarquia». 

Carta de Potencial Solar

Desenvolvida para a agência pela Municipia, a primeira Carta de Potencial Solar do país foi lançada em 2012, concluída dois anos depois, e serviu para identificar a radiação incidente em todas as coberturas e telhados da cidade de Lisboa.

«Estes dados permitem estimar a produtividade por metro quadrado de sistemas solares fotovoltaicos e térmicos instalados nesses lugares. Obtida por voos e fotogrametria, com recurso a algoritmos específicos, a carta teve como ponto de partida o cadastro da altura dos edifícios da cidade, com excepção dos do Parque das Nações», adinata a Agência, que adianta que «identificaram-se quatro classes (I, II, III e IV) de potencial solar, com a Classe I a agrupar as coberturas de muito fraco potencial e a classe IV as de potencial óptimo».

«Tipicamente, as coberturas de Classe IV são as superfícies inclinadas orientadas a sul; as de Classe III e II reúnem as áreas horizontais e as superfícies inclinadas a nascente ou a poente; e as de Classe I, as áreas inclinadas a norte ou sombreadas por prédios ou outros volumes contíguos», esclarece a mesma nota.

Com recurso à análise sistemática destes dados, a Lisboa E-Nova identificou 477 edifícios que «representam uma área de potencial solar para instalação de sistemas fotovoltaicos superior a 2000 metros quadrados. Fizeram-se ainda diagnósticos de eficiência energética e de dimensionamento de campo solar disponível de produção orientada para autoconsumo em vários edifícios da autarquia. Quase 400 mil metros quadrados disponíveis para instalação de módulos fotovoltaicos capazes de fornecer uma potência estimada de 40 MWp».

«Lisboa é a capital europeia com mais horas de sol por ano (3300 horas), mas o seu aproveitamento como fonte energética está ainda bastante aquém do desejável», lembra a agência.

Actualmente, «a legislação portuguesa vocaciona o fotovoltaico para autoconsumo, localizado (naquele contrato eléctrico) e em simultaneidade (àquela hora), e não para injecção na rede, o que tem implicações de retorno financeiro do investimento. A conciliação dos consumos identificados para cada prédio pelo gestor remoto com a Carta de Potencial Solar da sua cobertura permite uma maior eficiência energética dos edifícios».

A Lisboa E-Nova vinca que «o perfil de gastos de energia do prédio permite identificar as necessidades de produção para autoconsumo. Permite ainda dimensionar o campo solar que garante essa produção de energia e desenhar de modo eficiente um sistema de módulos fotovoltaicos a ser instalado na cobertura».

A Carta de Potencial Solar terá em breve uma segunda versão. «Neste momento tem ainda algumas limitações para aplicação em conjunto com o gestor remoto. Os valores indicados e mapeados representam o potencial solar para o ano inteiro. A carta precisa, assim, de ser desagregada no tempo. Só isto permitirá perceber as horas que cada cobertura pode realmente ser usada para produzir energia, indo de encontro aos perfis de consumo e evitando produção nas horas erradas. A actualização está dependente da conclusão do novo cadastro da autarquia, e deverá ser concluída durante o primeiro semestre de 2018. Técnicos da administração local e outros consumidores de energia contam-se entre os principais destinatários destas ferramentas inovadoras», sublinha a nota.

A Lisboa E-Nova tem estado ainda envolvida em projectos mais tradicionais de eficiência energética de edifícios. Em conjunto com a Gebalis, empresa gestora dos bairros sociais da autarquia lisboeta, por exemplo, interveio em prédios de habitação.

«No Bairro da Boavista, com apoio do QREN, promoveu o isolamento exterior de fachadas de edifícios, com recurso a aglomerado negro de cortiça, e a substituição de janelas por caixilhos de vidro duplo com corte térmico», afirma a agência.

E recorda que muitos apoios do “Portugal 2020” dependem da certificação energética de edifícios, tendo a Câmara Municipal de Lisboa procedido à certificação dos Paços do Concelho; dois edifícios de serviços do município, designados por Campo Grande 25 e Campo Grande 13; o complexo dos Olivais, onde estão reunidas várias valências oficinais da autarquia; o complexo desportivo do Casal Vistoso; o Arquivo Municipal; e os Serviços Sociais da CML, nas Olaias. 

Continua. 

Artigo publicado na edição de Outubro de 2017 da revista O Instalador. 

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