218820160    oinstalador@gmail.com

A industrialização das energias renováveis, a nível de eólicas offshore e de marés, poderá criar uma mais valia económica de 250 milhões de euros e mil postos de trabalho directos até 2022, diz a ministra do Mar.


Em entrevista à agência Lusa, Ana Paula Vitorino, explicou ter terminado a discussão do roteiro sobre energias renováveis oceânicas, que inclui contributos de cientistas e de empresas a operar na área energética.

«Podemos agora aprovar o roteiro final e começar já a execução», disse a ministra que, apesar de não gostar de «dar estimativas», revelou que os estudos desenvolvidos mostram «ser possível criar valor acrescentado bruto para o país na ordem dos 250 milhões de euros até 2022 (o período estendido dos atuais fundos comunitários)».

A estimativa de criação direta de emprego é «substancial e ultrapassa os mil postos de trabalho», adiantou, referindo ainda o «benefício ambiental óbvio e imensurável».

«A estimativa que os estudos dão são 1.500 postos de trabalho, mas vamos ser conservadores nessas estimativas e dizer que podemos ter várias centenas de novos postos de trabalho», precisou Ana Paula Vitorino.

Este roteiro surge no âmbito, nomeadamente, do compromisso europeu de reduzir em 40% a emissão de gases de efeito estufa até 2030, da obrigação de diminuir o consumo da electricidade em 27% e aumentar na mesma percentagem a utilização de energias renováveis.

«As energias oceânicas têm, a prazo, a possibilidade de suprir cerca de 25% o consumo de electricidade. Por isso, temos que começar já», alertou a ministra, recordando ainda o objectivo traçado pelo seu Governo de até 2050 a economia ter um balanço neutro em termos de carbono.

Para colmatar as dificuldades de existirem apenas «tecnologias ainda pouco maduras para implementação industrial» e os custos de produção elevados, que impedem unidades competitivas, deve haver a «aposta na inovação».

Assim, haverá a aposta na criação de ‘clusters’ (concentração de empresas) para «apoiar e desenvolver a investigação dirigida a tecnologias, nomeadamente de eólicas ‘offshore’ (no mar) flutuantes e da energia das marés», com incentivos públicos.

Ana Paula Vitorino destacou ainda a associação que será feita das energias renováveis à indústria naval e aos portos para «criar sinergias e baixar o custo da inovação e da produção» e «atingir custos competitivos na energia produzida nestes parques com o resto do mercado».

«Temos que agir já», defendeu a ministra, explicando que o «sentido de urgência é porque Portugal precisa de ocupar este espaço» porque «vai ganhar quem liderar estas matérias».

Quanto a fundos comunitários, a ministra indicou a «esperança» de ver ultrapassada a estimativa de execução de 17% do programa Mar2020, com uma dotação global que ronda os 400 milhões de euros.

Por seu lado, o Fundo Azul entrou oficialmente em vigor no início do ano, estando actualmente o ministério a preparar as divulgações para formalização de candidaturas.

Para este ano, o fundo tem garantida uma verba de 13,6 milhões de euros, à qual acresce uma parte das percentagens cobradas para o licenciamento de actividades e de coimas relacionadas com o mar.

Este é um fundo complementar ao Mar2020 e destina-se a financiar «actividades ligadas à economia azul, que pela sua inovação ainda têm níveis de risco muito elevados e a banca comercial tem dificuldade em financiar», concluiu a ministra.


Bootstrap Image Preview Bootstrap Image Preview