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“Our landscapes connect us to our history; they are the source of our character as a people, as well as our health, our safety, and our prosperity. Natural resources enrich us economically, yes. But they also enrich us aesthetically and recreationally and culturally and spiritually.” Robert Kennedy Jr


Texto: Alcide Gonçalves [Arquitecta Paisagista] 

Os serviços dos ecossistemas e as reservas de “capital natural” que deles provêm são decisivos, para o funcionamento do sistema de suporte de vida da Terra. Contribuem para o bem-estar humano, directa e indirectamente, e portanto, representam parte do valor económico total do planeta. 

De acordo com o Millennium Assessment (ONU, 2005) no Relatório sobre o Estado do Planeta, ecossistema é entendido como um complexo dinâmico de plantas, animais, microrganismos e o meio em que, interagindo, se inserem como uma unidade funcional, o que neste contexto, podem ser consideradas todas as classes de ecossistemas: florestais, marinhos, costeiros, lagos, rios, montanha, ilhas, desertos, polares, áreas agrícolas e zonas urbanas. 

O mesmo relatório pôde concluir que as actividades humanas estavam a ameaçar a capacidade da Terra para manter as gerações futuras. Já nessa altura, indicava que cerca de dois terços dos serviços ecossistémicos encontram-se em declínio em todo o mundo, tendo ficado demonstrado que os ecossistemas da Europa sofreram uma maior fragmentação induzida pelo Homem do que os ecossistemas de qualquer outro continente. 

É necessário “Travar a perda da biodiversidade até 2010 - e mais além” diz-nos a Comissão Europeia, há pelo menos uma década, tendo estabelecido um Plano de Acção para a biodiversidade, que visava reduzir, abrandar e inverter a destruição dos ecossistemas e espécies, necessários ao bem-estar humano. 

Mas a protecção e salvaguarda do “capital natural” confronta-nos com o valor da biodiversidade? E, ainda, quanto, cada um de nós, está disposto a pagar pelos serviços dos ecossistemas? 

Costanza, R. et al. (1997) no seu estudo “The value of the world’s ecosystem services and natural capital” pretendeu analisar a “predisposição para pagar” por parte do indivíduo em relação aos serviços dos ecossistemas. Tentou prever o valor total dos serviços ecológicos independentemente do seu valor de mercado, estimando o valor por unidade de área de cada serviço de ecossistema, para cada tipo de ecossistema. Para efeitos desta análise, agruparam em 17 grandes categorias os serviços dos ecossistemas, tendo sido apenas incluídos os serviços dos ecossistemas renováveis. 

Ainda, para efeitos de cálculo do valor unitário foram usados três critérios, pela mesma ordem de preferência, que vão ser citados, a saber: 1) soma da renda do consumidor e do produtor; 2) a renda líquida (ou renda de produtor); 3) preço vezes quantidade como aproximação ao valor económico do serviço. 

Ressalva-se para o facto do estudo se ter baseado num cenário estático e num modelo de “parcial equilíbrio” no sentido que o valor de cada serviço modifica e é acrescentado independentemente. Isto não considera a complexa interdependência entre os serviços dos ecossistemas. 

Motivos Económicos, Ambientais, Éticos e Emocionais estão por base da preocupação do Homem com a preservação da biodiversidade do planeta e a defesa destes valores passa pela continuada atenção a três dimensões fundamentais da problemática da biodiversidade nos múltiplos contextos em que ela se manifesta, nomeadamente: (i) clara compreensão dos valores em presença, que frequentemente não estão reflectidos no funcionamento dos mercados; (ii) explicitação das principais determinantes das suas ameaças; (iii) elaboração entre os diferentes agentes capazes de permitir a captura dos valores económicos revelados. 

Parece ser consensual que todos os ecossistemas, enquanto fornecedores de serviços à humanidade, têm valor económico, e.g. fornecimento de água potável, fornecimento de alimento e energia, manutenção do ambiente saudável, conservação dos sistemas ecológicos e sua biodiversidade, conservação de bens e serviços ecológicos associados. Mas a questão ainda se impõe: Qual a grandeza desse valor? 

(Continua) 

Nota: Este artigo de opinião integra o Dossier Ambiente, da edição n.º 253/Maio 2017, da revista O Instalador. 

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