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Um projecto a nível mundial conseguiu reunir 80 cientistas mulheres de todo o mundo, as quais partirão no dia 14 de Fevereiro rumo à Antárctida para observar em primeira mão e em tempo real as consequências do aumento da temperatura.


Texto: José Alex Gandum
Foto: Projecto Homeward Bound

O Projecto Homeward Bound, concebido em 2016 pelas australianas Fabian Dattner e Jess Melbourne Thomas, é um programa de capacitação e liderança para mulheres que selecciona anualmente 100 mulheres cientistas de todo o mundo. O objectivo é criar, ao longo de dez anos, uma rede global de mil líderes femininas contra as alterações climáticas, bem como aumentar a sua influência e impacto em posições estratégicas no campo STEM (siglas em inglês para Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática), aumentando a sua participação na tomada de decisões.


O gelo antárctico registou um mínimo histórico em 2017 com 6,6 milhões de km2 de área anual, de acordo com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA, na sua sigla em inglês). No continente congelado, onde as mulheres não podiam viajar durante décadas, os efeitos das alterações climáticas são cada vez mais evidentes. Um grupo de 80 mulheres, unidas pelo projeto Homeward Bound, chegarão na próxima semana para provar isso.


"A luta contra as alterações climáticas não pode fazer-se sem o talento, a experiência e a criatividade de 50% da população, que somos nós, mulheres", sublinhou Alicia Perez, bióloga marinha e diretora de MECUSA-Women em STEM na empresa ECUSA (cientistas espanhóis nos EUA) e um dos membros da equipa espanhola da iniciativa internacional.


"Existem iniciativas que tentam lutar contra as alterações climáticas ao reduzir as emissões de CO2; outros procuram eliminar os microplásticos nos oceanos. Homeward Bound é um projecto criado por mulheres que enfrentam mudanças, transformando-as em líderes desta luta", declarou Pérez, em comunicado do Projecto Homeward Bound.


Ao longo de 2017, as 80 cientistas selecionadas receberam treino em liderança, estratégia e visibilidade, além de terem trabalhado em projectos de desenvolvimento pessoal. Durante os últimos meses, os grupos de estudo centraram-se em questões como a saúde e o abastecimento de água, as energias renováveis, a poluição e os diferentes aspectos das alterações climáticas, tais como mitigação, impacto, forma de comunicação e os efeitos dependendo dos géneros.


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