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Para além da exploração do Sal, as Salinas do Samouco oferecem uma grande biodiversidade mesmo às portas da capital. O Instalador esteve lá hoje e testemunhou um privilégio que pode ser visitado e usufruído por todos


Foto: José Alex Gandum

Flora

A grande especificidade dos biótopos dominantes no complexo de salinas do Samouco, formações dunares em fixação e zonas salinizadas, conferem uma reduzida diversidade florística ao local, sendo observadas pouco mais de 21 espécies.

 

Tanto o cordão dunar como os taludes das valas e os cômoros das salinas, evidenciam uma maior abundância relativa de Sarcocórnias, Salicórnia, Gramata-branca, Salgadeira e Barrilha, espécies que demonstram estruturas adaptativas à elevada salinidade e humidade edáfica, e Estorno, espécie característica de situações psamófilas, endémica do nosso país.

 

Fauna

As salinas do Samouco constituem, no seu conjunto, uma parte importante dos habitats disponíveis para as populações de avifauna nesta região. A grande maioria da avifauna que ocorre no estuário do Tejo, utiliza as salinas como local de repouso durante a preia-mar, quando escasseiam as zonas não alagadas. É nesta altura que se podem observar grandes bandos mistos de limícolas e gaivotas.

 

Durante o Inverno podem ser observadas com regularidade mais de 15.000 aves. Incluindo as limícolas, aquáticas, rapinas e passeriformes, nas salinas ocorrem mais de 90 espécies de aves. Entre as limícolas mais abundantes figuram o maçarico-de-bico-direito, o pilrito-comum, pernilongo, o alfaiate, a tarambola-cinzenta e o perna-vermelha. No que respeita aos anatídeos, os mais comuns são o pato-real, o trombeteiro e a marrequinha.

 

Destaca-se ainda a presença da garça-real, da garça-branca-pequena, do colhereiro, da águia-sapeira e da águia-pesqueira. Na Primavera e Verão as salinas do Samouco assumem especial importância como local de nidificação para o borrelho-de-coleira-interrompida, o pernilongo e a andorinha-do-mar-anã.

 

As comunidades de mamíferos na área encontram-se fortemente deprautadas, este facto resulta da intensa ocupação humana a que a área foi sujeita e da localização de estruturas viárias e urbanas, o que confere o carácter de “ilha” às zonas de habitat adequado. Assim não é de estranhar a predominância de pequenos mamíferos, como o rato-das-casas, o rato-do-campo, a ratazana-castanha, mas também o coelho e com ocorrência esporádica a lebre, o ouriço-cacheiro, a doninha e mesmo a raposa.

 

O reduzido coberto vegetal e a elevada salinidade do meio, contribuem para a baixa riqueza específica e reduzida densidade da herpetofauna, nas salinas. Contudo a existência de campos agrícolas na periferia do complexo de salinas proporciona a ocorrência de algumas espécies de anfíbios e répteis, como o sapo-vulgar, o sardão, a cobra-rateira, a saramandiga, a lagartixa-do-mato e a rã-verde.


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