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Responsáveis da Comissão Europeia, desafiados em Bruxelas pela eurodeputada Marisa Matias a explicarem como "convenceram" Portugal a dar aval à construção de um armazém de resíduos em Almaraz, sublinharam que foram apenas «mediadores» de «uma solução negociada».


Numa conferência no Parlamento Europeu intitulada "A radioactividade não conhece fronteiras", co-organizada pelo Bloco de Esquerda e pelos espanhóis do Podemos, e no painel dedicado ao caso de Almaraz, o executivo comunitário fez-se representar por Massimo Garribba, da Direcção-Geral de Energia, e Aurel Ciobanu-Dordea, da Direcção-Geral de Ambiente, cuja presença foi saudada e considerada «corajosa» por Marisa Matias.

«Agradeço muito a vossa presença, que é corajosa, pois conhecem a posição (sobre Almaraz) das restantes pessoas aqui presentes. Posso dizer-lhes que nós não vamos desistir e que vamos ganhar. E, já agora, gostava de lhes perguntar: o que disseram ao Governo português para o convencer a desistir da queixa e a autorizar a construção do armazém?», questionou a deputada do Bloco, citada pela Lusa, dirigindo-se aos responsáveis da Comissão e provocando risos na sala.

Ambos os responsáveis sublinharam que a Comissão Europeia, enquanto guardiã dos Tratados e mediadora entre Estados-membros, limitou-se a intermediar um diálogo entre as autoridades de Espanha e Portugal para uma solução negociada, sem recurso ao Tribunal de Justiça da UE, onde poderia terminar, à luz da queixa apresentada em Bruxelas pelas autoridades portuguesas.

Recorde-se que há uma semana, à margem de um Conselho Europeu em Bruxelas, os governos de Portugal e Espanha e a Comissão Europeia saudaram acordo alcançado em torno da construção de um armazém para resíduos na central nuclear de Almaraz, considerando-o benéfico para todas as partes.

Numa declaração conjunta, o primeiro-ministro, António Costa, o presidente do Governo espanhol, Mariano Rajoy, e o presidente da Comissão, Jean-Claude Juncker, afirmaram que, «no espírito de boas relações de vizinhança, todas as partes trabalharam em conjunto de forma construtiva com a vontade de encontrar soluções pragmáticas» e esse «é o espírito europeu de encontrar compromissos para o funcionamento da nossa União comum no seu melhor».


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