218820160    oinstalador@gmail.com

A Comissão Europeia promoveu uma conferência, seguida de debate, sobre o Protocolo de Gestão de Resíduos de Construção e Demolição, com a presença de especialistas portugueses e estrangeiros.


Texto e Foto: José Alex Gandum

«As Câmaras municipais têm fiscais aptos a multar um automobilista que ultrapasse em 5 minutos o tempo de estacionamento, mas não têm quem fiscalize o rumo que é dado aos resíduos produzidos pelas construções e pelas demolições». Quem o disse foi Ricardo Pedrosa Gomes, da Associação de Empresas de Construção e Obras Públicas e Serviços (AECOPS).

O especialista começou por elogiar a Directiva Comunitária, «transporta como muito bom senso, o que é raro», frisou, para depois sublinhar que «o facto de termos tido uma crise permitiu consolidar os mecanismos de acesso, o que seria mais difícil em tempos de euforia». O profissional referiu que «voltou a haver forte actividade no sector da construção, em especial através da reabilitação urbana».

Sobre os resíduos, Ricardo Pedrosa Gomes disse que «a generalidade dos gestores públicos não tem sensibilidade para a economia circular», e que mesmo em termos de reabilitação, «está tudo a ser varrido para debaixo da alcatifa, como sempre foi».

Antes da intervenção do representante da AECOPS, Jorge de Brito, professor do Instituto Superior Técnico, e moderador do debate que se seguiu às apresentações, já havia enquadrado o tema dos resíduos na construção, referindo que «o sector da construção em Portugal passou até há pouco tempo, mas noutros locais do mundo, a construção estava no auge», como na China ou na Índia.

O responsável referiu que «os resíduos na União Europeia (UE) têm valores muito heterogéneos porque resultam dos dados e da forma como os dados são medidos». Em Portugal produziram-se em 2012, 14,2 milhões de toneladas resultantes do sector da construção e das demolições. Esse valor representa apenas 0,76% do total da UE.

Jorge de Brito prosseguiu, enumerando os moldes onde podem ser usados os resíduos da construção, sublinhando que, e para além do amianto, os resíduos da construção não são perigosos. São sobretudo utilizados «como materiais de enchimento e como base na construção de estradas, o que, ainda acima, representa um sub-aproveitamentto destes materiais», frisou o especialista.

Vincent Basuyau, do departamento da Construção Sustentável da CE, apresentou o Protocolo, e ainda intervieram Ana Cristina Carrola, da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), e Sandro Conceição, da Associação Técnica da Indústria de Cimento (ATIC), que também participaram no debate com a assistência.

A segunda parte da conferência foi dedicada a Casos de Estudo de 'Resíduos C&D: transformação e valorização na prática', que terminou também com um debate, igualmente moderado por Jorge de Brito, que faria o encerramento da sessão, em conjunto com Vincent Busayau e Inês Diogo, da APA.


Bootstrap Image Preview Bootstrap Image Preview