BI296 - O Instalador

ENTREVISTA 74 as partes, como o atesta a longevidade da colaboração com muitas empresas do setor eletrotécnico que desde há muitos anos recorrem ao IEP sempre que têm em mãos novos projetos. Gostava que me falasse também um pouco do Laboratório de Metrologia e Ensaios do IEP, que, segundo sei, é também decisivo. Como anteriormente se referiu, a decisão de criar no IEP laboratórios de ensaio resultou de uma necessidade pre- mente identificada no nosso país. Tal decisão estratégica viria a revelar-se fundamental para o desenvolvimento e para o futuro do Instituto. Sem esses laboratórios, dificilmente o IEP lograria atingir os patamares de reconhecimento e de excelência que viria a ter nas diversas áreas em que atua. Inicialmente vocacionados para certificar os produtos que eram oferecidos pela indústria da época, como ele- trodomésticos ou aparelhagem para instalações de baixa tensão, esses laboratórios desenvolveram-se e amplia- ram imenso as suas áreas de competência. Foi assim que se criou o primeiro laboratório independente em Portugal para a calibração de equipamentos de medi- ção elétricos. Foi assim que surgiu o primeiro laboratório de fibras óticas, que é ainda hoje na Península Ibérica o único laboratório independente nesse âmbito. Assim se avançou para o domínio das radio-interferências, hoje compatibilidade eletromagnética, e para a segurança de equipamentos eletrónicos e de tecnologias de infor- mação. Foi esse o mesmo espírito que levou o IEP a ser pioneiro também na eficiência energética, construindo o primeiro laboratório (e até agora único na Península Ibérica) a ser acreditado para ensaios de equipamentos de refrigeração profissional. Estes laboratórios, pelas suas competências avançadas e que emmuitos casos são únicas em Portugal, constituem assim o 'ex libris' do IEP e representam, muitas vezes, a primeira abordagem dos clientes ao Instituto, abrindo caminho à colaboração em numerosas outras áreas. A nível da Internacionalização, em que se consubs- tancia também esta área para vós? E projetos? Como tem o IEP ajudado as empresas a promoverem-se além-fronteiras? O apoio do IEP à internacionalização das empresas suas clientes acontece a vários níveis. Desde logo, pelo apoio normativo e regulamentar, ajudando essas empresas a cumprir os requisitos que são exigidos pelos diversos mer- cados de exportação e que variam muito de país para país. Isso é complementado pela realização de ensaios, nos quais são tidos em conta os desvios nacionais, isto é, as especificidades técnicas de cada país, e que precisam de ser considerados logo desde a conceção dos produtos. Outro tipo de apoio à internacionalização tem consistido em colocar empresas nacionais em contacto com poten- ciais clientes de outros países. Isso tem sido concretizado por via de missões empresariais e pela participação con- junta nas feiras temáticas mais relevantes para cada tipo de indústria, como sejam os equipamentos para o setor alimentar e da hotelaria, ou os equipamentos para ilu- minação e decoração. Graças a esse apoio, muitas empresas nacionais perderam o receio de se internacionalizar e fizeram os seus primei- ros negócios além-fronteiras na companhia do IEP. Casos há em que esses negócios têm tido tanto sucesso que as empresas em causa tiveram necessidade de expandir as suas unidades industriais para conseguirem dar resposta ao acréscimo de encomendas. Finalmente, que desafios tem hoje o IEP pela frente e onde tenciona estar nos próximos 40 anos? Os desafios que se perspetivam são os que resultam da crescente consciencialização das empresas e dos cidadãos em geral com o ambiente (com realce para o Pacto Ecológico Europeu, ou 'Green Deal'), com a energia e a eficiência energética, com a sustentabi- lidade dos recursos materiais e o 'eco design', com a segurança nas suas várias vertentes (e em particular com a cibersegurança). É obviamente impossível prevermos como vai ser o mundo dentro de 40 anos. Mas quaisquer que sejam as tendên- cias tecnológicas da indústria e dos mercados, vamos continuar a trabalhar todos os dias para que o IEP conti- nue a ser o parceiro preferencial das empresas nacionais, seja na avaliação da conformidade, seja na inovação tec- nológica. n

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