DOSSIER RENOVÁVEIS 53 res dos leilões de concessão assinam um Contrato por Diferença (CfD), que fixa um preço garantido para a eletricidade durante um período determinado, geralmente de 15 a 20 anos [2]. Os CfD funcionam da seguinte forma: se o preço de mercado for inferior ao preço fixo do CfD, o Estado assegura o pagamento da diferença ao produtor. Se o preço de mercado for superior ao preço fixo, o produtor devolve o excedente de receita ao Estado. As vantagens estão relacionadas com a estabilidade para os investidores já que reduz riscos financeiros e evita custos excessivos para os consumidores. Venda no mercado livre Os produtores podem optar por vender a eletricidade diretamente na Rede Elétrica de Serviço Público (RESP) e negociar no Mercado Ibérico de Eletricidade (MIBEL). As vendas podem ser feitas através de: • Spot Market (diário e intradiário) – Preços flutuantes conforme oferta e procura. • Contratos bilaterais (PPAs - Power Purchase Agreements) – Acordos entre produtores e consumidores (exemplo: grandes indústrias ou comercializadoras). • Futuros de eletricidade – Contratos para fixar preços a longo prazo. As vantagens desta opção estão relacionadas com a maior flexibilidade e potencial de lucro em mercados com preços altos e permite negociação direta com empresas interessadas em energia verde. No entanto, apresenta a desvantagem de expor os investidores à volatilidade de preços, tornando essencial a adoção de estratégias de gestão financeira. PAPEL DA REDE ELÉTRICA E INFRAESTRUTURA A venda de eletricidade offshore exige uma forte integração com a rede elétrica nacional, garantindo que a energia gerada chegue aos consumidores sem perdas significativas. Neste sentido, o Operador da Rede Nacional de Transporte (RNT) é o órgão responsável pela conexão dos parques offshore à rede nacional. No âmbito do Plano de Desenvolvimento e Investimento da Rede de Transporte, encontra-se prevista a expansão da infraestrutura elétrica, instalando novas ligações marítimas e subestações para facilitar a integração da eólica offshore. Perspetivas futuras O primeiro leilão de eólica offshore previsto para 2025, sendo o modelo de venda esperado o CfD. É também esperada uma aposta crescente no hidrogénio verde, incentivando PPAs entre produtores e indústrias. Por fim, é expectável que exista a ampliação do mercado de certificados de origem de eletricidade renovável. CONCLUSÃO Portugal tem a oportunidade de dar um passo decisivo na transição energética na Europa, explorando seu vasto potencial para a energia eólica offshore. O PAER e o modelo de concessão criam um ambiente favorável para atrair investimentos e garantir a sustentabilidade da indústria energética. Estes projetos impulsionarão investimentos que serão significativos, com estimativas na ordem dos 30 a 40 biliões de euros [3]. O sucesso deste plano depende da expansão da infraestrutura elétrica, apoio governamental e integração com outras atividades económicas, garantindo um crescimento sustentável e inovador para o setor. n REFERÊNCIAS [1] G. d. Portugal, 'Plano de Afetação para Energias Renovavéis Offshore', Resolução de Conselho de Ministros, 2025. [2]4. Offshore, 'Global Market Overview Report', 2024. [3] I. N. d. P. Industrial, 'Vigilância Tecnológica', 2023. Figura 2: Modelo CfD moderno.
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