BI336 - O Instalador

OPINIÃO 78 Nuno José Ribeiro, Advogado, Pós-Graduado em Direito da Energia pela FDL Chips de vidro: alternativa aos chips tradicionais A este propósito, recordemos a recente crise na produção de automóveis na altura em que havia escassez de chips convencionais. Contudo, este quadro está a mudar em resultado da actuação de vários agentes de mercado. Na raiz desta mudança está o investimento na ciência pura. Porquanto, o gigante INTEL começou há quase 20 anos a estudar a possibilidade de construir chips em vidro. O vidro traz várias vantagens para as regras de design que a companhia pretende usar, porque este material permite que mais chiplets sejam usados em uma área concentrada, permitindo uma maior interconectividade de componentes, um IO mais rápido e uma maior eficiência energética. Acresce que os substratos em vidro permitem trabalhar com pacotes com tamanhos maiores, além de serem mais planos e termalmente estáveis. A intenção da companhia é usar a tecnologia para colocar uma quantidade 50% maior de chips em um substrato do que seria possível usando as soluções orgânicas adotadas atualmente por ela. Os primeiros produtos funcionais a receber chips em vidro deverão ser processadores voltados para bancos de dados e para a inteligência artificial, que estão a lidar com um crescimento de tamanho considerável em tempos recentes. Os primeiros a recebê-lo devem ser processadores voltados para bancos de dados e para a inteligência artificial, que estão a lidar com um crescimento de tamanho considerável em tempos recentes. A longo prazo, a Intel acredita que a tecnologia poderá ser aplicada a todas as categorias de produtos possíveis. No momento, esta empresa já tem alguns chips em fases de testes, que ainda estão a passar por ajustes nas suas propriedades mecânicas, termais e elétricas. Por outras palavras, a companhia ainda está a ajustar a ‘fórmula correta’ para criar substratos otimizados para os seus propósitos. Uma das principais dificuldades com a produção de chips de vidro para utilização fora do ambiente laboratorial é o tamanho. Porém, a tecnologia deu recentemente uma resposta exequível para esta questão. Na verdade, a miniaturização das tecnologias fotónicas é um dos principais entraves para a substituição da eletricidade pela luz dentro dos chips, devido sobretudo à dificuldade de construir lentes, espelhos e guias de onda nas dimensões ultraminiaturizadas necessárias para isso. Também a Hitachi criou, há 12 anos, um chip que prometia ser capaz de armazenar dados por algumas centenas de milhares de anos. Através da alternância de camadas para o armazenamento de informações, o produto pode guardar 40 MB de dados a cada polegada quadrada. O vidro de quartzo é capaz de resistir a condições extremas e isso explica sua capacidade de guardar dados por tanto tempo. Ele pode, por exemplo, Em vários artigos anteriores, reflectimos sobre os riscos dos chips tradicionais usados relativamente a questões tais como defesa, soberania, geo-estratégica e geo-política. De igual modo, também se referiu a predominância da China nestas matérias porque tem mais de 80% do controlo transversal de toda a cadeia de produção de chips tradicionais, começando na extração das matérias primas que são usadas para esse fim e acabando na produção dos chips e de bens de consumo que os usam, tais como todo o tipo de baterias, telemóveis, LCD, automóveis ou equipamento militar.

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