BI344 - O Instalador

www.oinstalador.com 344 FEBEREIRO 2026 Preço €11 | Periodicidade - Mensal (10 edições/ano) A REVISTA DO SETOR DAS INSTALAÇÕES EM PORTUGAL R1234ze GVAF XSE Datacenter Special 450 a 1600kW Eficiência de Topo Comprovada Temperatura Ambiente até 48ºC Temperatura da água até 25ºC Lisboa: 214 146 200 | Porto: 226 069 764 | comercial.pt@trane.com

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6 Edição, Redação e Propriedade INDUGLOBAL, UNIPESSOAL, LDA. Avenida Defensores de Chaves, 15, 3.º F 1000-109 Lisboa (Portugal) Telefone +351 215 935 154 E-mail: geral@interempresas.net NIF PT503623768 Gerente Aleix Torné Detentora do capital da empresa Grupo Interempresas Media, S.L. (100%) Diretora Joana Peres Equipa Editorial Joana Peres, Paqui Sáez redacao_oinstalador@interempresas.net www.oinstalador.com Preço de cada exemplar 11 € (IVA incl.) Assinatura anual 110 € (IVA incl.) Registo da Editora 219962 Registo na ERC 119963 Depósito Legal 10480/96 Distribuição total +8.300 envios. Distribuição digital a +7.200 profissionais. Tiragem +1.100 cópias em papel Edição Número 344 – Fevereiro de 2026 Estatuto Editorial disponível em https://www.oinstalador.com/ EstatutoEditorial.asp Impressão e acabamento Lidergraf Rua do Galhano, n.º 15 4480-089 Vila do Conde, Portugal www.lidergraf.eu Media Partners: Os trabalhos assinados são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. É proibida a reprodução total ou parcial dos conteúdos editoriais desta revista sem a prévia autorização do editor. A redação de O Instalador adotou as regras do Novo Acordo Ortográfico. Smart home and building solutions. Global. Secure. Connected. A EFICIÊNCIA TEM CLASSE SUMÁRIO TENDÊNCIAS 2026 ATUALIDADE 8 EDITORIAL 8 Tempestade 'Kristin': Governo mobiliza 2,5 mil milhões para apoiar famílias, empresas e territórios afetados 14 PÁGINA DA NET 16 Entrevista com António Sampaio, Diretor Técnico do grupo Contimetra Sistimetra 17 ARIES G: chillers arrefecidos a ar de elevada eficiência para refrigeração de processos 22 Elevate: a assinatura Redge em segurança avançada e desempenho industrial 24 Bombas de calor tipo Split R454C 26 Panasonic promove a inovação na tecnologia de aquecimento de inverno 28 Transição para aquecimento seguro e sustentável 32 UE testa bombas de calor por subscrição em edifícios arrendados 34 EHPA pede simplificação das regras europeias para acelerar bombas de calor 36 Eficiência energética e descarbonização das empresas 38 Hydrostation: controlo inteligente da pressão da água 42 Murais HAICE MAX e PRO: Eficiência, conforto e facilidade de instalação 44 Novo kit Panasonic melhora a eficiência em sistemas de ar condicionado 46 Corrosão sob controlo em ambientes exigentes 48 Vulcano realiza curso técnico de modos de preparação de A.Q.S. 49 Instituto de Formação Vulcano realiza curso de Instalação e Manutenção de Esquentadores 50 IEP - Invista no desenvolvimento da sua equipa em fevereiro 51 C M Y CM MY CY CMY K IA: A tecnologia do futuro 52 Um setor sob pressão máxima: o que muda, o que exige, o que falta 58 IETI apresenta em Davos um roteiro para reforçar a competitividade industrial e energética de Portugal e Espanha 66 Eficiência energética: O pilar da competitividade industrial 70 Desafios e prioridades do setor no novo ano 72 Eletrificação e confiança na transição energética – para um futuro mais sustentável 74 Entre o mito e a realidade: porque as renováveis não são o inimigo do território 78 Gestão de Ativos e a "Bomba Relógio" do amianto 82

PORTO: R. Urtigueira 26, 4410-304 Canelas VNG Tel.: +351 229 982 990 loja.norte@haiceland.com LISBOA: EN249, Estrada Casal do Canas, Lote 4, Alfragide Tel.: +351 214 253 846 loja@haiceland.com ALMANCIL: Sítio do Troto, N385, Loja A, S. João da Venda Tel.: +351 289 816 415 loja.faro@haiceland.com PORTIMÃO: R. do Oceano Atlântico 17, Portimão, Algarve Tel.: +351 289 816 415 loja.faro@haiceland.com Para quem não abdica de eficiência nem de qualidade na instalação A combinação que responde às exigências do mercado BOMBA DE CALOR KATLA + VENTILOCONVECTOR

8 Bosch mantém estabilidade num contexto de mercado desafiante Num contexto de mercado difícil, marcado pela quebra da procura na América do Norte e pela persistente incerteza na Europa, o Bosch Home Comfort Group registou avanços estratégicos relevantes em 2025. A empresa reforçou a sua posição de liderança no mercado global de AVAC (aquecimento, ventilação e ar condicionado) e conquistou ganhos significativos de quota de mercado nos segmentos europeus de bombas de calor e ar condicionado. De acordo com dados preliminares, o Bosch Home Comfort Group manteve as vendas estáveis em cerca de 4,4 mil milhões de euros (excluindo as unidades adquiridas), contribuindo de forma significativa para a rentabilidade do Grupo Bosch. Em termos nominais, as vendas cresceram 0,3% face ao ano anterior, e cerca de 3% quando ajustadas aos efeitos cambiais. Segundo Jan Brockmann, CEO do Bosch Home Comfort Group, “2025 foi um ano exigente para a indústria global de AVAC. Conseguimos manter-nos firmes num mercado difícil e aumentar a nossa quota de mercado na Europa, nos segmentos de bombas de calor e ar condicionado”. A integração do negócio de AVAC residencial e comercial ligeiro da Johnson Controls e da Hitachi foi concluída dentro do prazo, em janeiro de 2026, e já está a gerar os primeiros efeitos de sinergia, nomeadamente ao nível do portefólio de produtos e da logística. “Com a conclusão bem-sucedida da integração em janeiro de 2026, demos um passo decisivo e assumimos uma posição de liderança a nível global. Tal deve-se, em grande parte, ao trabalho excecional das nossas equipas”, acrescenta Brockmann. EDITORIAL Há momentos em que a realidade nos obriga a parar. A tempestade ‘Kristin’ foi um deles. Não apenas pelas imagens de destruição que marcaram o centro do país, mas pelo que revelou sobre a nossa vulnerabilidade quando a natureza mostra a sua força. Casas parcialmente destruídas, empresas paralisadas, estradas cortadas, pinhais inteiros arrasados, redes elétricas em colapso, regiões sem luz durante dias. E no fecho desta edição, enquanto ainda se contavam os prejuízos, já se anunciava a aproximação de uma nova tempestade. Para quem trabalha no terreno — instaladores, técnicos, engenheiros, gestores de edifícios — estes dias não foram apenas notícia. Foram chamadas a meio da noite, equipas mobilizadas à pressa, sistemas em falha, e a certeza de que há edifícios que simplesmente não estão preparados. Quando a energia falha, tudo o resto entra em modo de sobrevivência. E é nesse momento que se percebe a importância crítica da redundância energética e da preparação de sistemas alternativos. As alterações climáticas deixaram de ser uma ameaça distante. Estão aqui, agora, a transformar como vivemos e planeamos. Os fenómenos extremos são cada vez mais frequentes. E os edifícios são a primeira linha de resposta. Ou de falha. Esta edição surge num contexto revelador. Falar de bombas de calor, chillers ou eficiência energética deixou de ser planeamento distante. É discutir como os edifícios podem responder a uma realidade climática violenta e imprevisível. A eficiência continua central, mas já não basta. Hoje exige-se fiabilidade, monitorização contínua e capacidade de resposta. Exige-se resiliência. As bombas de calor consolidam-se como pilar da transição energética. Os chillers evoluem para aplicações críticas. A gestão técnica ganha dimensão estratégica: não se trata apenas de otimizar, mas de garantir continuidade quando algo falha. O setor enfrenta também desafios estruturais: falta de mão de obra qualificada, pressão regulatória, complexidade crescente. Tudo num mercado que exige competência técnica e preparação para o inesperado. A tempestade Kristin deixou um rasto que não se apaga facilmente. A equipa da revista ‘O Instalador’ está ao lado de todos os que foram atingidos - famílias, empresas, comunidades inteiras que agora enfrentam a difícil tarefa de reconstruir. E porque sabemos que a próxima tempestade chegará, fazemos desta edição um compromisso: continuar a informar, a apoiar e a contribuir para que, juntos, estejamos mais preparados. Quando a tempestade bate à porta

10 ATUALIDADE MAIS NOTÍCIAS DO SETOR EM: WWW.OINSTALADOR.COM • SUBSCREVA A NOSSA NEWSLETTER APIRAC renova imagem e inaugura novo website A APIRAC - Associação Portuguesa das Empresas dos Setores Térmico, Energético, Eletrónico e do Ambiente, inicia 2026 com uma renovação integral da sua imagem institucional e o lançamento de um novo website, assumindo uma linguagem visual mais contemporânea e digital. O novo logótipo, acompanhado do claim “Movemos Energia para o Futuro”, inspira-se no dente-de-leão para simbolizar leveza, adaptação e resiliência, traduzindo uma identidade orientada para a evolução, a longevidade e os valores que sustentam a visão da associação. Com uma tipografia circular inclusiva, a nova imagem da Associação alia a simplicidade à intemporalidade. O detalhe do corte na letra “i” foi concebido para transmitir a sensação de movimento, como se a letra estivesse em deslocação, numa alusão ao dinamismo da APIRAC e do Setor Térmico que representa. Já a paleta de cores combina diferentes tonalidades de azul, uma cor tradicionalmente associada a conceitos como confiança e estabilidade, com contrastes que acrescentam profundidade visual e a sensação de inovação. O novo website da associação, alojado em https://apirac.pt, concretiza a evolução de imagem da marca e disponibiliza ao público informação relevante sobre o setor. Para os associados mantém-se uma área reservada, agora com mais personalização e novas funcionalidades. Foram ainda criadas salas de trabalho restritas para os Grupos de Trabalho da Associação - como as Comissões de Empresas e Comissões Técnicas do ONS APIRAC -, um diretório de empresas com pesquisa por filtros, uma loja online, entre outras novidades. Na pole position da energia: Schneider Electric acelera com a McLaren Racing A McLaren Racing e a Schneider Electric, líder global em tecnologia energética, anunciaram que a Schneider Electric passará a ser o Parceiro Oficial de Tecnologia de Energia da McLaren Racing, incluindo a McLaren Mastercard Formula 1 Team, a Arrow McLaren IndyCar Team, a McLaren F1 Academy e a McLaren United Autosports WEC Hypercar Team. Em conjunto, a Schneider Electric e a McLaren Racing vão desenvolver e implementar tecnologias de energia que permitem níveis máximos de desempenho nos ambientes mais exigentes, seja no fornecimento de soluções energéticas robustas nos circuitos de corrida em todo o mundo, seja na base da equipa, o McLaren Technology Centre em Woking, no Reino Unido. No cerne desta parceria está uma cultura partilhada assente em inteligência de dados, inovação acelerada e excelência em engenharia. A Schneider Electric e a McLaren Racing vão ainda aprofundar a sua relação de fornecedor que se estende há mais de 20 anos, resolvendo desafios energéticos complexos em contextos onde o desempenho e a fiabilidade operacional não são negociáveis. Isto inclui a otimização de ativos existentes no túnel de vento, nas unidades de fabrico, nos Datacenters de TI e noutras áreas, através de sistemas resilientes que reduzem o consumo de energia, permitem a eletrificação com tecnologias energéticas avançadas e recorrem a tecnologia de gémeo digital para gerar insights de dados que aumentam a eficiência e a sustentabilidade.

11 ATUALIDADE MAIS NOTÍCIAS DO SETOR EM: WWW.OINSTALADOR.COM • SUBSCREVA A NOSSA NEWSLETTER Prémios Portugal Smart Cities: candidaturas abertas ADENE apresenta nova imagem Depois de celebrar 25 anos de atividade em 2025, a ADENE – Agência para a Energia inicia 2026 com uma nova imagem institucional, anunciou a própria agência em comunicado. A atualização da marca pretende refletir um posicionamento mais inovador, moderno e comprometido, reforçando o papel da ADENE como “ponte entre a energia e os cidadãos, as empresas e as instituições”. Segundo o comunicado, a mudança visual acompanha a evolução da agência e a forma como comunica e atua diariamente junto da sociedade. O novo grafismo apresenta uma paleta de cores renovada e uma identidade mais contemporânea, concebida para aumentar a clareza, a proximidade e a eficácia da comunicação. Apesar da mudança estética, a ADENE assegura que mantém “inalterado o seu compromisso com o cidadão”, continuando a trabalhar para promover a eficiência energética e apoiar a transição energética em Portugal. A agência considera que esta nova identidade marca uma etapa de preparação para os desafios futuros, reafirmando o seu estatuto de referência nacional na área da energia. Governo anuncia apoio à compra de painéis solares para famílias O Governo vai lançar em breve um programa de apoio à aquisição de pequenos painéis solares para autoconsumo, revelou, a 27 de janeiro, a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, na Assembleia da República. O incentivo deverá ser distribuído através de vouchers, à semelhança do programa E-Lar, e tem como objetivo estimular a produção de eletricidade renovável pelas famílias. Ainda não foram divulgados valores nem a data de início das candidaturas. A ministra destacou que a medida se insere na estratégia nacional de energias renováveis e descarbonização, reforçada pelo Plano Nacional de Energia e Clima 2030. Estão abertas até 20 de abril de 2026 as candidaturas aos Prémios Portugal Smart Cities – António Almeida Henriques, que distinguem projetos com impacto real na inovação urbana, sustentabilidade ambiental e melhoria da qualidade de vida nos territórios, abrangendo autarquias, empresas, entidades do ensino superior e empresas municipais. “Os Prémios Portugal Smart Cities – António Almeida Henriques afirmaram-se, ao longo das suas edições, como uma referência nacional na valorização de projetos e iniciativas que contribuem para cidades e territórios mais sustentáveis, inclusivos e inteligentes”, afirma Miguel de Castro Neto, presidente do júri e professor da Nova IMS. Os prémios distinguem iniciativas nas áreas de Neutralidade Carbónica e Transição Energética, Mobilidade Sustentável e Inteligente, Espaço Público, Qualidade Urbana e Bem-estar Territorial, Inclusão Social, Inovação Social e Comunidades Inteligentes, Transformação Digital, Governação e Dados, e Reabilitação Urbana Sustentável e Inteligente. Nesta edição, as candidaturas foram alargadas a novas entidades, integrando agora empresas (públicas e privadas), entidades de ensino superior e empresas municipais, além das autarquias. É uma oportunidade estratégica para ganhar visibilidade nacional no setor das cidades inteligentes e participar no principal evento de inovação e networking que se realiza em Portugal.

12 ATUALIDADE MAIS NOTÍCIAS DO SETOR EM: WWW.OINSTALADOR.COM • SUBSCREVA A NOSSA NEWSLETTER MCE volta a Milão para impulsionar o futuro da energia e do conforto Tektónica 2026 arranca com forte procura por parte das empresas Mais de 250 empresas já garantiram presença na próxima edição da Tektónica – Feira Internacional de Construção, que decorre de 23 a 25 de abril, na FIL, em Lisboa. A próxima edição da Tektónica – Feira Internacional de Construção confirma, desde já, o dinamismo do setor. A pouco mais de um ano do evento, são já mais de 250 as empresas que asseguraram a sua participação, num sinal do reconhecimento que a feira continua a ter junto do mercado. Entre os dias 23 e 25 de abril, a FIL – Feira Internacional de Lisboa volta a receber profissionais de toda a cadeia de valor da construção. Durante três dias, os expositores terão acesso a diferentes formatos de visibilidade, que vão desde apresentações comerciais e seminários a encontros de networking e talks, criando um ambiente propício à partilha de conhecimento e à geração de oportunidades de negócio. A Tektónica afirma-se também como um espaço de valorização da inovação, com a possibilidade de candidatura ao Prémio Tektónica Inovação 2026, distinguindo soluções, produtos e processos que marcam a diferença no setor. A associação das marcas a um evento líder e com forte notoriedade contribui para o seu posicionamento num mercado cada vez mais competitivo. A dimensão internacional é outro dos pilares do certame, com uma presença crescente de expositores e visitantes estrangeiros, reforçando as oportunidades de internacionalização das empresas participantes. A 44.ª edição da Mostra Convegno Expocomfort (MCE) prepara-se para afirmar, uma vez mais, o seu papel como um dos principais pontos de encontro internacionais do setor AVAC, da energia e das tecnologias para edifícios. A par de uma oferta expositiva que reúne 1.800 empresas de todo o mundo, a MCE 2026 apresenta um programa intenso de conferências e seminários, orientado para os grandes desafios energéticos, tecnológicos e sociais da próxima década. Entre os momentos de maior destaque está o 54.° Congresso Internacional da AiCARR, subordinado ao tema “Descarbonizar o nosso futuro: aspetos energéticos, económicos e sociais de edifícios e cidades mais inteligentes e digitalizados”. O congresso reflete uma mudança clara no setor: a descarbonização deixou de ser apenas um objetivo estratégico para se tornar uma exigência concreta de implementação. Os edifícios, responsáveis por uma parte significativa do consumo energético global, assumem um papel central neste processo. Neste contexto, os sistemas AVAC surgem como um elemento crítico, ao terem de assegurar simultaneamente conforto térmico, qualidade do ar interior e redução efetiva das emissões. A crescente adoção de sensores, soluções IoT e sistemas de controlo baseados em inteligência artificial está a permitir uma gestão mais eficiente, dinâmica e em tempo real do aquecimento, arrefecimento e iluminação. Paralelamente, a integração de recursos energéticos distribuídos — como energias renováveis, cogeração e sistemas de armazenamento elétrico e térmico — está a transformar os edifícios em componentes ativos e flexíveis de sistemas energéticos mais amplos, alinhados com estratégias urbanas e territoriais de sustentabilidade.

13 ATUALIDADE MAIS NOTÍCIAS DO SETOR EM: WWW.OINSTALADOR.COM • SUBSCREVA A NOSSA NEWSLETTER Light + Building 2026: um palco para a iluminação, o design e a tecnologia de edifícios De 8 a 13 de março de 2026, a Light + Building 2026 regressa a Frankfurt como a principal montra internacional para a tecnologia de iluminação e serviços técnicos de edifícios, reunindo inovação, sustentabilidade, conectividade inteligente e soluções práticas para o setor da instalação elétrica e técnica. Design Plaza na Light + Building, Pietro Sutera. A Light + Building 2026 promete afirmar-se como um ponto de encontro estratégico para profissionais da instalação, projetistas, engenheiros e indústria, ao apresentar as mais recentes tendências e soluções nas áreas da iluminação, eletrificação e tecnologia de edifícios. Sob o lema “Be Electrified – Electrifying Places. Illuminating Spaces.”, o certame irá mostrar como o design e a tecnologia convergem para criar espaços mais eficientes, conectados e sustentáveis. Estruturada em torno de três grandes temas — Transformação Sustentável, Conectividade Inteligente e Living Light — a feira abordará os desafios atuais e futuros do setor, com especial enfoque na eficiência energética, digitalização, interoperabilidade de sistemas e conforto dos utilizadores. Para os profissionais da instalação, estes temas refletem diretamente a crescente exigência de soluções técnicas integradas e preparadas para o futuro. Um dos destaques do programa é a exposição especial The Living Light, que explora a luz como parte ativa da experiência quotidiana, aplicada a contextos residenciais, educativos, profissionais e de comunicação. Desenvolvida pelo atelier alemão Lichtvision Design, esta área demonstra como a iluminação influencia o bem-estar, a orientação e a funcionalidade dos espaços. Siemens relança competição académica com foco na energia e na digitalização Com o Accelerate NextGen, a Siemens desafia estudantes de engenharia a explorarem e aplicarem tecnologia de ponta em contextos reais, através de uma competição que une infraestruturas energéticas e ambientes industriais num só programa. A Siemens Portugal relança a sua competição académica sob o nome Accelerate NextGen, unificando o Accelerate Challenge e o Prémio Geração Digital num único programa dedicado às infraestruturas inteligentes e à digitalização da indústria. A edição deste ano, com inscrições abertas desde 21 de janeiro, tem como tema os centros de dados e aposta em soluções para a transição energética e a transformação digital. Dirigida a estudantes do ensino técnico-profissional, licenciatura e mestrado, a iniciativa desafia os participantes a desenvolver projetos nas áreas da eficiência energética, sistemas elétricos, cibersegurança e otimização industrial, com acesso a ferramentas usadas no mercado e acompanhamento de especialistas da empresa. A final decorre a 28 de maio, com prémios que incluem estágios, visitas a projetos de referência desenvolvidos pela organização, equipamentos de

14 ATUALIDADE Tempestade 'Kristin' Governo mobiliza 2,5 mil milhões para apoiar famílias, empresas e territórios afetados O Governo aprovou, no final de janeiro, um pacote de medidas de emergência e de recuperação para responder aos prejuízos provocados pela tempestade 'Kristin', que atingiu Portugal continental na noite de 27 para 28 de janeiro. A decisão foi tomada numa reunião extraordinária do Conselho de Ministros, no final da qual o primeiro-ministro Luís Montenegro anunciou um conjunto de apoios no valor global de 2,5 mil milhões de euros. Joana Peres O objetivo é dar resposta imediata às populações e às empresas mais afetadas e assegurar, em simultâneo, a recuperação de infraestruturas públicas e privadas danificadas por cheias, ventos fortes e derrocadas registadas em várias regiões do país. O Executivo reconhece que estes fenómenos extremos deixaram de ser episódios pontuais, inserindo-se num padrão cada vez mais frequente associado às alterações climáticas, que continuará a colocar desafios acrescidos à proteção civil e à capacidade de resposta do Estado. A situação de calamidade foi prolongada até 8 de fevereiro e alargada a novos concelhos, face à persistência de condições meteorológicas adversas e ao risco elevado de novas cheias. Passam a estar abrangidos, entre outros, os municípios de Águeda, Albergaria-a-Velha, Alcácer do Sal, Aveiro, Estarreja, Ílhavo, Murtosa, Ovar e Sever do Vouga. Primeiro-ministro, Luís Montenegro, e outros membros do Governo antes do início da reunião extraordinária do Conselho de Ministros, Lisboa, 1 fevereiro 2026 (Gonçalo Borges Dias/GPM).

15 ATUALIDADE APOIO ÀS FAMÍLIAS E INSTITUIÇÕES SOCIAIS No plano social, foi aprovado um decreto-lei com medidas excecionais e temporárias para apoiar famílias em situação de carência ou perda de rendimento. Estão previstos subsídios eventuais, atribuídos após avaliação da Segurança Social, até um máximo de 1.074,26 euros por elemento do agregado familiar, com possibilidade de pagamento faseado até 12 meses. As instituições particulares de solidariedade social, incluindo lares, estruturas residenciais e respostas de apoio a crianças, idosos, pessoas com deficiência, pessoas em situação de sem-abrigo ou vítimas de violência doméstica, passam igualmente a beneficiar de apoios financeiros ajustados aos danos sofridos. EMPRESAS, EMPREGO E ATIVIDADE ECONÓMICA Para as empresas, foi criado um regime excecional de isenção de contribuições para a Segurança Social, total ou parcial, até seis meses, ou até um ano no caso de isenção de 50%. Foi também aprovado um regime simplificado de redução ou suspensão de atividade, permitindo recorrer a mecanismos de 'lay-off' com menor carga administrativa. No domínio do emprego, o IEFP irá disponibilizar incentivos extraordinários à manutenção de postos de trabalho, apoios a trabalhadores independentes, prioridade nas medidas ativas de emprego e um plano específico de qualificação e formação profissional. HABITAÇÃO, INFRAESTRUTURAS E PATRIMÓNIO Entre as medidas estruturais destaca-se um apoio até 10 mil euros para a reparação, reabilitação ou reconstrução de habitação própria e permanente, incluindo despesas de realojamento temporário. Para custos não cobertos por subvenção pública, o IFRRU disponibilizará linhas de crédito complementares. O pacote inclui ainda 400 milhões de euros para a Infraestruturas de Portugal, destinados à recuperação de estradas e ferrovia, 200 milhões de euros para as autarquias, com prioridade às escolas, e 20 milhões de euros para a recuperação de património cultural, como o Mosteiro da Batalha e o Convento de Cristo, em Tomar. A agricultura e a floresta beneficiam de apoios até 10 mil euros por exploração. MORATÓRIAS E CRÉDITO Foi aprovado um regime de moratórias bancárias para créditos à habitação e às empresas em áreas de calamidade, com suspensão de pagamentos por 90 dias, a contar de 28 de janeiro. O Governo admite um regime seletivo até 12 meses para situações de danos mais graves. Através do Banco Português de Fomento, serão criadas duas linhas de crédito: 500 milhões de euros para tesouraria e 1.000 milhões de euros para investimento em recuperação e reconstrução, permitindo às empresas avançar de imediato com as obras. RECONSTRUÇÃO E PREVENÇÃO Para acelerar a reconstrução, foi aprovado um regime excecional de dispensa de controlos administrativos prévios, substituído por um modelo de fiscalização sucessiva. Foi também criada uma Estrutura de Missão para a Reconstrução da região Centro, com sede em Leiria, em funcionamento desde 2 de fevereiro, sob coordenação do engenheiro Paulo Fernandes. O Governo garante acompanhamento permanente da situação. Durante o fecho desta edição, os serviços de proteção civil acompanhavam já a aproximação de uma nova tempestade, reforçando o alerta para a necessidade de prevenção, adaptação e respostas estruturais a uma realidade climática que veio para ficar. CONCELHOS ABRANGIDOS Abrantes, Alcanena, Alcobaça, Alvaiázere, Ansião, Batalha, Bombarral, Cadaval, Caldas da Rainha, Cantanhede, Castanheira de Pera, Castelo Branco, Coimbra, Condeixa-a-Nova, Constância, Covilhã, Entroncamento, Ferreira do Zêzere, Figueira da Foz, Figueiró dos Vinhos, Fundão, Góis, Golegã, Idanhaa-Nova, Leiria, Lourinhã, Lousã, Mação, Marinha Grande, Mealhada, Mira, Miranda do Corvo, Montemor-oVelho, Nazaré, Óbidos, Oleiros, Ourém, Pampilhosa da Serra, Pedrógão Grande, Penacova, Penamacor, Penela, Peniche, Pombal, Porto de Mós, Proença-a-Nova, Rio Maior, Santarém, Sardoal, Sertã, Soure, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Vagos, Vila de Rei, Vila Nova da Barquinha, Vila Nova de Poiares, Vila Velha de Ródão, Águeda, Albergaria-aVelha, Alcácer do Sal, Aveiro, Estarreja, Ílhavo, Murtosa, Ovar e Sever do Vouga.n • Mais informações em: https://www.portugal.gov.pt/pt/gc25/ comunicacao/noticia?i=tempestade-kristin-conselho-de-ministros-adota-medidas-no-montante-de-25-mil-milhoes-de-euros • Comunicado do Conselho de Minsitros de 29 de janeiro de 2026: https://www.portugal.gov.pt/pt/gc25/governo/ comunicado-do-conselho-de-ministros?i=708 • Comunicado do Conselho de Ministros extraordinário de 1 de fevereiro de 2026: https://www.portugal.gov.pt/pt/gc25/governo/ comunicado-do-conselho-de-ministros?i=709

16 PÁGINA DA NET www.thermosite.com A página da Thermosite tem uma filosofia própria, focada em ser uma ferramenta de trabalho para os profissionais do setor, mas suficientemente simples para que qualquer consumidor final possa encontrar informações sobre os aparelhos que pondera comprar. Aqui encontra toda a informação relevante das conceituadas marcas com que a Thermosite trabalha: GREE, SIME, THERMWAY e HONEYWELL HOME. Desde fichas técnicas e catálogos, a manuais de utilizador e de instalação, certificados, etiquetas energéticas, imagens e a descrição detalhada de cada um dos modelos disponíveis. A página foi desenvolvida para que a pesquisa seja intuitiva e a informação possa ser facilmente descarregada, mesmo em telemóvel. NOVIDADES EM BREVE Uma das novidades, a apresentar durante o mês de março, é um software que permite calcular o sistema fotovoltaico mais adequado em função dos consumos, apresentando gráficos e estimativas dos ganhos do sistema. Este poderá incluir microinversores, inversores 'on-grid', inversores híbridos e baterias. O software estará acessível a todos, desde instaladores de equipamentos a clientes finais. A EMPRESA Thermosite é uma empresa especializada na comercialização de equipamentos de Climatização e Água Quente Sanitária para os profissionais. Tem equipas sempre disponíveis a acompanhar os profissionais desde o projeto, apoio em obra e assistência no pós-venda. MARCAS COM QUE A THERMOSITE TRABALHA • GREE é o maior fabricante mundial de ar condicionado, com equipamentos distribuídos por mais de 160 países. • SIME é um dos principais fabricantes italianos de caldeiras, reconhecida por soluções diferenciadoras no mercado. O seu portefólio inclui caldeiras ventiladas convencionais em conformidade com a ERP, caldeiras murais modulares, caldeiras termostáticas preparadas para integração com sistemas solares, bem como caldeiras a gasóleo Low NOx e de condensação. A marca dispõe ainda de uma gama completa de solar térmico, com soluções de circulação forçada e termossifão, tendo recentemente alargado a sua oferta com uma nova gama de esquentadores e termoelétricos. • RESIDEO, criada em 2018 a partir do spin-off da HONEYWELL, é responsável pelo desenvolvimento e fabrico dos produtos Honeywell Home, bem como de válvulas redutoras, termostáticas, de segurança, de duas e três vias, de enchimento e de equilíbrio de caudal. • THERMWAY é a marca própria desenvolvida pela Thermosite, que integra soluções de ar condicionado, bombas de calor, solar térmico, solar fotovoltaico, pavimento radiante e ventilação. n

ENTREVISTA 17 ANTÓNIO SAMPAIO, DIRETOR TÉCNICO DO GRUPO CONTIMETRA SISTIMETRA “A gestão técnica dos edifícios é um investimento com retorno assegurado em tempo útil” Joana Peres Com os edifícios no centro das metas europeias de eficiência energética e descarbonização, os sistemas de AVAC e a gestão técnica assumem um papel decisivo no cumprimento da Diretiva EPBD. Em entrevista, António Sampaio, Diretor Técnico do grupo Contimetra Sistimetra, explica como a automação, a monitorização contínua, a qualidade do ar interior e a integração de dados estão a redefinir o desempenho energético dos edifícios e a resposta às novas exigências regulamentares.

ENTREVISTA 18 O grupo Contimetra Sistimetra atua há décadas no setor da automação e da gestão técnica de edifícios. Que fatores explicam a sua capacidade de adaptação e relevância num mercado tão técnico e exigente? O seu nascimento há 62 anos, resultou da consciencialização de um grupo técnico, qualificado e heterogéneo, de pessoas que, pensando à frente, empreenderam para responder oportunamente (e com proximidade) às necessidades da indústria (química elétrica e metalomecânica) nas áreas da manutenção, controlo e automação de processos. A resposta focada na comercialização e apoio técnico de qualidade de equipamentos tecnologicamente de ponta, abriu caminho para aceitar o desafio de implementar as primeiras instalações de GTC(SACE), na década de 70, em edifícios de grande porte em Portugal, como são exemplo o Banco Espírito Santo, na Avenida da Liberdade em Lisboa, o Edifício Marconi (atuais instalações do Banco de Portugal), na Avenida Álvaro Pais ou mais recentemente, no setor farmacêutico, o edifício da Edol, em Carnaxide - Lisboa. Ao longo dos anos, os fatores foram-se somando, mas é importante destacar que desde o seu início, o espírito “de avanço” manteve-se no ADN do grupo Contimetra Sistimetra com base em parcerias fortes com marcas de renome internacional, como a Johnson Controls, a Trox e a Belimo, complementadas localmente pelo grupo Contimetra Sistimetra com o melhor apoio técnico, para responder às sempre crescentes expetativas dos nossos clientes. O setor dos edifícios vive hoje uma forte pressão regulatória, tecnológica e ambiental. Como é que a empresa tem acompanhado as novas diretivas europeias, nomeadamente a EPBD, e que impacto isso tem nas soluções que desenvolve? A energia é um dos assuntos que preocupa o planeta, desde as fontes à sua utilização. Por isso sentimos que a regulamentação é absolutamente crucial, num setor responsável por 40% da energia consumida, como é o caso dos edifícios. O Grupo, pela sua posição no mercado, segue naturalmente todas as diretivas que regulamentam a sua área de negócio certificando-se que os equipamentos e componentes que promove cumprem com as diretivas e regulamentos em vigor. Porém, o nosso contributo vai além da vertente comercial, desenvolvendo diversas iniciativas técnicas ao longo do ano com o objetivo de dotar a comunidade de conhecimento normativo, por vezes difícil de interpretar e, até mesmo, de colocar em prática nos diferentes projetos. A diretiva EPBD no setor dos edifícios é o nosso guia de avaliação das aplicações que desenvolvemos e propomos, baseados nos equipamentos que comercializamos que, por sua vez, foram já concebidos no contexto da mesma. A Gestão Técnica Centralizada é hoje um pilar dos edifícios modernos. Que papel desempenham os sistemas SACE na resposta às exigências de eficiência energética, monitorização e controlo? Os edifícios modernos em especial na área dos serviços, na área hospitalar, na área da hotelaria e outros em áreas equivalentes e igualmente preponderantes, são dotados de mais ou menos sistemas eletromecânicos que no seu conjunto, dão suporte às condições de serviço, produtividade e bem-estar, necessárias aos utentes que os utilizam. A diversidade técnica dos sistemas instalados, a energia consumida e a complexidade das suas funções, requer a observância constante das suas condições de funcionamento. A condução, a monitorização, a racionalização das funções de controlo, a sua otimização de modo a aumentar a eficiência energética e a evidenciá-la relativamente às instalações técnicas destes edifícios, têm nos SACE a ferramenta fundamental. Além da energia, temas como a Qualidade do Ar Interior, o conforto e a saúde dos ocupantes ganharam protagonismo. Como é que a automação responde? Cada vez mais existe a consciência de que o bem estar, e, por conseguinte, o desempenho, dos colaboradores deve muito à qualidade do ambiente do seu local de trabalho. Entre outros fatores, o ambiente depende da qualidade do ar que se respira. As unidades de tratamento de ar (UTA) são projetadas, em primeira instância, para as cargas térmicas a combater e por outro lado, em resposta ao número de pessoas que estatisticamente e em simultaneidade poderão vir a ocupar os espaços servidos. Este primeiro passo na otimização energética é central e normativamente seguido pela gestão individual, em cada espaço, ou seja, a gestão do caudal de ar em função da ocupação. Os reguladores terminais de caudal de ar variáveis (VAV) em conjunto com os transmissores de qualidade do ar ambiente (ideal) ou no retorno/extração, são a ponte que liga a função “qualidade do ar” à automação (controlo) e à gestão técnica. A solução da Contimetra Sistimetra inclui toda a cadeia reguladores de caudal de ar e água; sensores de qualidade do ar; controlador DDC dedicado integrável na SACE. A monitorização contínua e a recolha de dados tornaram-se centrais na gestão dos edifícios. Como é que estas ferramentas contribuem para a racionalização dos consumos e para os objetivos de descarbonização? A monitorização contínua e a recolha de dados beneficiam do aumento da capacidade de armazenamento nos

ENTREVISTA 19 sistemas de gestão. Deste ponto de vista, a capacidade de armazenar um histórico maior constitui uma fonte de dados com relevância em análises e decisões futuras. O histórico construído ao longo do tempo permite aos gestores dos edifícios analisarem o seu comportamento térmico, energético, fiabilidade dos equipamentos e outras situações que da análise histórica de ocorrências podem ser identificadas. Todos estes resultados analíticos permitem ajustar estratégias de operação, otimizar a utilização dos equipamentos e corrigir anomalias antes de assumirem maior impacto. Esta atuação preditiva e informada traduz-se diretamente numa melhoria da eficiência global do edifício e numa racionalização consistente dos consumos energéticos — um contributo essencial para cumprir as metas de descarbonização. A inteligência artificial (IA) começa a ganhar expressão na gestão de edifícios. Que potencial vê na utilização de IA? A capacidade de armazenamento de dados permite uma melhor análise do comportamento dos sistemas e equipamentos técnicos dos edifícios. Porém, a quantidade e natureza de dados recolhidos são por vezes difíceis de analisar de forma global, quando por exemplo ocorrências individuais, aparentemente independentes, contribuem para anomalias dos equipamentos e dos sistemas. A plataforma OpenBlue, desenvolvida pela nossa parceira de negócios Johnson Controls, é a resposta à gestão dos edifícios como apoio indispensável à monitorização e análise das variáveis associadas ao comportamento energético dos edifícios e funcionamento e desempenho dos equipamentos e sistemas. A IA na Plataforma OpenBlue é o apoio complementar ao gestor com base em algoritmos pré configurados que analisam, comparam e simulam dados de situações múltiplas apoiando a gestão do edifício com a perceção de sinais de funcionamento anómalo numa fase embrionária permitindo desenvolver ações preventivas/corretivas de custos muito inferiores aos que teriam de ser suportados caso os “problemas” aumentassem por falta de ação atempada. Por outro lado, permite apresentar evidências, obrigatórias, sobre a efetiva redução da 'pegada carbónica'. Contribui assim para o bom desempenho global do edifício e da sua missão. Do ponto de vista técnico, o que distingue o desenvolvimento da lógica de controlo nos sistemas do grupo Contimetra Sistimetra? O Grupo rege-se pela lógica do 'loop' de controlo - 1º medir; 2º comparar; 3º atuar. Partindo do princípio básico de que 'Não se pode controlar o que não se mede' damos importância à medida, de acordo com a aplicação, na adequação, qualidade e precisão do 'sensor' e na localização e qualidade da

ENTREVISTA 20 Adicionalmente, contamos com parcerias robustas quer a nível de equipamento, componentes e software, dotando-nos de uma visão e conhecimento amplo e multidisciplinar, do comportamento de cada um dos fatores e do impacto e importância que cada um tem no edifício. A fase de testes e comissionamento é crítica para o sucesso de qualquer sistema. Que metodologias utilizam? O conjunto de elementos que conjugados entre si cumprem um determinado propósito formam um sistema. Estes, de acordo com a sua natureza, terão mais ou menos intervenientes. O seu teste e comissionamento é assim da responsabilidade de todos os intervenientes fornecedores / instaladores. A metodologia que propomos sempre é o planeamento cronográfico desses testes antes da intervenção do controlo / SACE (GTC) fazer o comissionamento final do conjunto em funcionamento. Por norma e de modo a garantir a credibilidade do SACE e poder proporcionar a eficaz condução do edifício, cada variável de campo (motores, sensores, válvulas de controlo, atuadores, etc, ) terá obrigatoriamente de ser confirmada. Trabalho de equipa de todos os intervenientes na obra, sem dúvida. O papel do instalador e do integrador tornou-se cada vez mais técnico. Como é que a Contimetra Sistimetra apoia estes profissionais? A todos os profissionais envolvidos exige-se espírito crítico e qualificação adequada. No Grupo existe o espírito da formação e apoio técnico suportados pela formação dos nossos técnicos. Aos técnicos dos nossos clientes mantemos uma filosofia de formações, algumas ministradas por técnicos nossos e outras por técnicos das próprias representadas que nos apoiam neste processo repartido por várias áreas, aeronáutica, hidráulica e automação. Neste sentido a empresa tem promovido regularmente sessões técnicas nas suas instalações ou mesmo em espaços de maior visibilidade e condições de divulgação em eventos de maior participação com o envolvimento de profissionais das marcas de quem somos parceiros. Que normas, referenciais técnicos ou boas práticas internacionais têm vindo a ser trazidas para Portugal e porquê? Acompanhamos de perto a evolução da nova EN ISO 52120-1, no âmbito da EPBD, com as empresas parceiras que atuam no mercado europeu. Tal como já referido faz parte da nossa estratégia técnica e comercial promover equipamentos e componentes que consideramos uma mais-valia significativa relativamente a soluções tidas como 'intocáveis' no mercado nacional. Neste contexto podemos congratular-nos por termos procurado estar à frente do mercado e da necessidade e que se confirma pela nossa adesão sem reservas montagem. A escolha dos nossos parceiros nesta área de componentes foi sempre criteriosa e que acompanham permanentemente a evolução tecnológica. No segundo grupo, a comparação, temos por base sistemas de controlo centralizado e distribuído da última geração de modo a integrar e coordenar subsistemas das diversas áreas técnicas de cada edifício: AVAC, Iluminação artificial e natural, controlo de acessos entre várias outras. Na atuação damos importância aos componentes de campo, com especial relevo àqueles aplicados em AVAC como são o caso dos atuadores de registo de ar e válvulas de controlo hidráulico. Neste terceiro grupo somente marcas de reconhecida qualidade e honestidade técnica como a Belimo e a Frese são a nossa base de trabalho. Não descuramos também a partilha com os nossos parceiros Instaladores de AVAC da informação e esclarecimento técnico relevante para uma adequada montagem. Este procedimento, independentemente da área a que se aplica, é 'escola' na empresa. A integração de diferentes dispositivos, marcas e protocolos continua a ser um desafio em muitos projetos. Como é que o Grupo aborda esta complexidade? Nos SACE a integração de diferentes dispositivos está na ordem do dia. Na Contimetra Sistimetra ao trabalharmos com as soluções Metasys da Johnson Controls, sendo estas de arquitetura aberta, a nossa abordagem consiste em aconselhar, no apoio habitual aos projetos, o uso de protocolos standard mais usados nesta área tais como o BACnet, o Modbus, o M-Bus, o KNX, o MQTT. Nos edifícios a abordagem da integração passa naturalmente pelo levantamento e avaliação dos dispositivos existentes identificando a melhor das soluções; usar o protocolo, se existente, 'transcrever' o dispositivo, ligações e funções, para dispositivo nativo da solução proposta ou substituir por equivalente com protocolo adequado. Em última análise a escolha será económica, sem ferir a operacionalidade e continuidade de serviço esperado.

21 às novas propostas técnicas inscritas na última versão da EN ISO 52120-1. Aguardamos com entusiasmo a sua transposição para o ordenamento jurídico português que, segundo o calendário pré-estabelecido, deverá ocorrer até 29 de maio do presente ano. Que papel pode e deve o Governo Português desempenhar para acelerar a adoção de sistemas de gestão técnica? A nosso ver e quando no país se apregoa, e bem, a bandeira da descarbonização, a máxima da eficiência energética e a racionalização no consumo de energia, somadas à instalação cada vez maior de fontes de energias renováveis eólica, solar, hídrica fazia todo o sentido o Governo incentivar medidas complementares de apoio na aquisição de soluções de eficiência térmica / energética, instalação de sistemas de gestão técnica e plataformas digitais, nos edifícios; através de impostos (IVA…), programas de financiamento especiais com juros reduzidos ou outros programas equivalentes. Para terminar, que mensagem deixaria a instaladores, projetistas e decisores? Mais do que uma mensagem sobre um tema que queremos acreditar já muito poucos têm dúvidas, gostaríamos de apelar à necessidade dos endereçados se juntarem através das ordens e associações que os representam, para 'pressionar' o Governo no sentido já exposto anteriormente. Se os visados analisarem os custos associados à energia prevista / consumida anualmente nos edifícios poderão ter uma avaliação do que seria reduzir esses custos em 20%. A gestão técnica de forma global é um investimento com retorno assegurado em tempo útil. n "O bem-estar tecnológico de que a sociedade contemporânea usufrui tem um custo crescente para o planeta, sobretudo porque continuamos a consumir energia de forma pouco racional. Estamos a esgotar recursos naturais a um ritmo acelerado e, muitas vezes, ignoramos os sinais evidentes das alterações climáticas, que resultam de múltiplas causas acumuladas ao longo do tempo. Perante este cenário, a gestão técnica dos edifícios — quando regulamentada, bem implementada e orientada para a eficiência — torna-se não apenas uma ferramenta tecnológica, mas um dever coletivo. É uma forma concreta de reduzir consumos, melhorar o desempenho energético e mitigar impacto ambiental. Acima de tudo, é um contributo essencial para garantirmos que as próximas gerações recebem um planeta melhor, mais equilibrado e mais responsável do que aquele que herdámos".

22 CHILLERS ARIES G: chillers arrefecidos a ar de elevada eficiência para refrigeração de processos A crescente exigência de eficiência energética, fiabilidade operacional e redução do impacto ambiental tem vindo a transformar o mercado da refrigeração industrial. Neste contexto, a série ARIES G, desenvolvida pela MTA, afirma-se como uma solução de referência no segmento dos chillers de água arrefecidos a ar para refrigeração de processos, combinando desempenho, flexibilidade e sustentabilidade. MTA

R454B REFRIGERAÇÃO DE ALTA PERFORMANCE PARA UM FUTURO SUSTENTÁVEL! GWP 466 23 CHILLERS A gama foi concebida para responder às necessidades de instalações industriais de média e grande dimensão, oferecendo capacidades frigoríficas entre aproximadamente 228 kW e mais de 1.300 kW. Esta amplitude torna o equipamento particularmente adequado a setores como a indústria dos plásticos, automóvel, farmacêutica, alimentar, química e de máquinas/ ferramentas, onde a continuidade do processo e a estabilidade térmica são fatores críticos. EFICIÊNCIA, SUSTENTABILIDADE E DESEMPENHO TÉCNICO Um dos aspetos mais relevantes desta série é a utilização do refrigerante R454B, caracterizado por um baixo potencial de aquecimento global (GWP). Esta escolha tecnológica permite reduzir significativamente o impacto ambiental do sistema, alinhando-o com as mais recentes exigências da regulamentação europeia em matéria de F-Gases e eficiência energética, sem comprometer o desempenho frigorífico. Os chillers utilizam compressores scroll herméticos, reconhecidos pela sua robustez, eficiência e baixos níveis de vibração. Dependendo do modelo, as unidades podem integrar quatro, seis ou nove compressores, distribuídos por dois ou três circuitos frigoríficos independentes, garantindo maior redundância e continuidade de funcionamento em caso de falha parcial. O evaporador do tipo shell & tube assegura uma troca térmica eficiente e fiável, mesmo em condições de carga variável. VERSATILIDADE, CONTROLO E ADAPTAÇÃO ÀS EXIGÊNCIAS DO PROCESSO A construção robusta e o layout interno foram pensados para facilitar o acesso aos componentes, reduzindo tempos de manutenção e custos de exploração ao longo da vida útil do equipamento. Ao nível do controlo, a série está equipada com um sistema eletrónico avançado, com interface intuitiva e possibilidade de monitorização remota através de servidor web integrado. A comunicação via Modbus RS485 permite uma integração simples em sistemas de gestão técnica centralizada (BMS), cada vez mais comuns em instalações industriais modernas. A eficiência energética é um dos pilares do projeto. As unidades cumprem os requisitos da regulamentação ErP, apresentando elevados valores de eficiência sazonal, tanto para aplicações de média como de alta temperatura. Este desempenho traduz-se numa redução significativa dos consumos energéticos ao longo do ano e, consequentemente, dos custos de exploração. Adicionalmente, a série pode ser equipada com sistemas de recuperação total de calor, permitindo reutilizar a energia térmica gerada no processo de refrigeração para aquecimento de água de processo ou outros usos térmicos. Esta funcionalidade contribui para uma maior eficiência global da instalação e para uma redução adicional da pegada energética. Para aplicações sensíveis ao ruído, a MTA disponibiliza versões acústicas otimizadas, como as configurações SHE (Silent/ Super Silent) e SSN (Super Silent), que reduzem significativamente os níveis sonoros, possibilitando a instalação em ambientes urbanos ou zonas com restrições acústicas. A versatilidade é outra característica distintiva da gama. Estão disponíveis versões para baixas temperaturas de água de saída, aplicações em ambientes com temperaturas exteriores negativas, bem como opções com evaporadores em aço inoxidável, bombas simples ou duplas integradas, depósitos de inércia, kits antivibração e filtros de proteção das baterias condensadoras. Esta diversidade de configurações permite adaptar o chiller às necessidades específicas de cada projeto, garantindo um equilíbrio ideal entre desempenho, eficiência e custos de investimento. Graças à sua robustez, eficiência e conformidade com normas internacionais, a série posiciona-se como uma solução fiável e sustentável para a refrigeração de processos industriais exigentes. Trata-se de um equipamento pensado não apenas para responder às necessidades atuais, mas também para acompanhar a evolução tecnológica e regulamentar do setor, assegurando desempenho e fiabilidade a longo prazo. n Mais informações: www.mta-it.com/eng/products/process-cooling/air-cooled-chillers-1/aries-g.php

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