61 TENDÊNCIAS 2026 Hoje, o desafio no terreno já não é apenas instalar uma bomba de calor ou uma UTA. É: • dimensionar corretamente; • trabalhar com sistemas híbridos; • configurar e afinar controlos; • interpretar dados de funcionamento; • garantir que o sistema funciona como projetado após a entrada em operação. O REPower Regions identifica algumas falhas: • pouca experiência prática com BMS e sensores; • défice de formação em comissionamento e diagnóstico; • fraca literacia regulatória (EPBD, Eco-design, etiquetagem energética); • dificuldades na adaptação à digitalização, sobretudo entre técnicos mais experientes. O Industry Outlook confirma a falta de mão de obra qualificada como uma das principais limitações ao crescimento do setor AVAC nos próximos anos. CUSTOS, TARIFAS E REGULAÇÃO APERTAM MARGENS O setor enfrenta também pressão económica. Os custos iniciais dos sistemas eficientes, a dependência de componentes importados — como compressores, eletrónica e sensores — e o impacto das tarifas comerciais refletem-se diretamente nos preços e nos prazos. As pequenas e médias empresas são, muitas vezes, as mais expostas. Em paralelo, a regulação acelera. A revisão da Diretiva de Desempenho Energético dos Edifícios (EPBD), o pacote Fit for 55 e o REPowerEU estão a empurrar o mercado para soluções de baixo carbono, reduzindo a margem para sistemas ineficientes e encurtando ciclos de vida dos produtos. Como resposta, começam a ganhar peso: • a localização da produção, • soluções modulares, • e uma abordagem mais focada no custo total do ciclo de vida, e não apenas no preço de aquisição. O QUE PODEMOS ESPERAR ESTE ANO Segundo os estudos, o setor AVAC europeu vai continuar a crescer, mas fá-lo-á num ambiente mais competitivo, mais regulado e tecnicamente mais exigente. A capacidade de adaptação das empresas dependerá, cada vez mais, da qualificação das equipas, da integração tecnológica e da capacidade de acompanhar a evolução normativa. É neste contexto que 2026 se afirma como um ano de alta pressão. Um momento em que o crescimento deixa de depender apenas do volume de mercado e passa a exigir competência técnica, planeamento e visão estratégica. Para quem trabalha no terreno, o futuro do AVAC já começou, e será tão sólido quanto a preparação do setor para o enfrentar. Neste contexto, ganha especial relevância ouvir a opinião das associações portuguesas que vivem diariamente esta mudança no terreno e que ajudarão a completar o retrato traçado pelos números do estudo.
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