64 TENDÊNCIAS 2026 “O mercado do AVAC&R entra em 2026 com uma combinação de oportunidades e pressão competitiva, impulsionado por três fatores: maior exigência de eficiência energética, subida do custo da energia e necessidade de melhorarias no conforto térmico e na qualidade do ar interior. Com o prazo para a transposição da nova EPBD para a legislação nacional a terminar em meados do ano, avizinham-se tempos decisivos para o setor. A reabilitação do edificado continuará a ser motor de muitos projetos, sendo a substituição de equipamentos antigos por soluções de maior rendimento uma das formas mais rápidas de reduzir consumos e emissões. Contudo, a nova construção e o investimento no setor terciário também dinamizarão o mercado. A qualidade do ar interior ganha destaque na reformulação da EPBD, reforçando a aposta na saúde dos ocupantes. O financiamento é ponto crítico: projetos com bom retorno energético terão vantagem. O papel do projetista ganha importância vital ao justificar investimentos iniciais mais elevados através da análise do ciclo de vida, que também está patente na revisão da EPBD. A eletrificação e a descarbonização mantêm-se como objetivos principais da UE, apesar dos recuos nas políticas. As bombas de calor ar-água e ar-ar continuam protagonistas, com melhorias de eficiência, integração solar e controlo inteligente. Do lado da oferta, 2026 será marcado por maior foco em refrigerantes de baixo GWP e por fabricantes a apostar em gamas “future-proof”. OPINIÃO DE QUEM CONHECE BEM O SETOR ESTUDOS • Europe HVAC Industry Outlook Report 2025–2030: https://www.researchandmarkets.com/reports/5699653 • REPower Regions – Landscape Analysis Report (2025): https://www.repowerregions.eu Porém, a transição regulamentar apresenta desafios para a realidade portuguesa, nomeadamente no cumprimento da legislação, com implicações nas soluções de projeto e formação de técnicos. A revisão da EPBD promove a gestão de edifícios orientada por dados, exigindo monitorização periódica do consumo energético e da performance dos sistemas. A conformidade teórica dará lugar à verificação dinâmica, tornando o desempenho real o novo padrão. O mercado terá de acelerar a digitalização, com sistemas de monitorização, manutenção preditiva e otimização em tempo real. Paralelamente, cresce o interesse por soluções híbridas de AVAC e produção de AQS, com a integração de tecnologias de produção de energia (fotovoltaico e/ou solar térmico) nas soluções do mercado para conforto térmico e produção de AQS, assim como, na utilização de solução de armazenamento térmico, de forma a diferir picos de carga/consumo com a disponibilidade real do recurso renovável. A escassez de mão de obra qualificada permanece como risco global, elevando a importância de formação e certificação. A colaboração entre instituições e empresas para programas de formação contínua é essencial. Assim, o ano de 2026 será um ano dinâmico, com oportunidades significativas, sendo necessário estreitar a colaboração entre os profissionais do setor, empresas e associações representativas, de forma a se trabalhar em conjunto por um parque edificado mais sustentável e de qualidade.” ONÉSIMO SILVA, PRESIDENTE DA EFRIARC - ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DOS ENGENHEIROS DE FRIO INDUSTRIAL E AR CONDICIONADO C M Y CM MY CY CMY K
RkJQdWJsaXNoZXIy Njg1MjYx