68 ENERGIA industriais em áreas estratégicas como combustíveis e moléculas renováveis, baterias, defesa, capacitação tecnológica e inteligência artificial, em linha com a estratégia europeia de competitividade. Como principais alavancas para alcançar esse objetivo, o relatório cita planos setoriais como o Plan Auto 2030 de Espanha e garantias públicas para assegurar a procura. 2. Regulamentação orientada para a competitividade O IETI reclama quadros regulatórios simplificados, estáveis e centrados em resultados, que eliminem barreiras ao investimento, incentivos focados e um ambiente baseado na neutralidade tecnológica para reduzir os custos contextuais. O chamado 28.º regime a nível da UE, licenciamento mais rápido, novos mecanismos de financiamento como contratos por diferença e 'one-stop-shops' para investidores são fatores decisivos. Josu Jon Imaz, diretor executivo da Repsol, assinalou que, embora algumas iniciativas recentes da UE vão na direção certa, "não é suficiente" e são necessárias medidas mais concretas, coerentes e escaláveis, evitando um desenvolvimento regulatório fragmentado e preservando a neutralidade tecnológica. 3. Acelerar infraestruturas críticas A terceira prioridade centra-se no reforço do investimento em redes elétricas, armazenamento, transporte e logística. O comunicado recorda que mais de 70 empresas industriais em Espanha alertaram para a situação crítica das redes de distribuição, onde atualmente a maioria dos pedidos de ligação é recusada. A revisão dos regimes de remuneração poderia acelerar a implantação. Agustín Delgado, diretor de Inovação e Sustentabilidade da Iberdrola, sublinhou que a eletrificação é imparável e que o forte crescimento da procura em climatização de edifícios, transportes, indústria e novas utilizações relacionadas com a digitalização exigirá mais redes, mais armazenamento e mais energias renováveis, proporcionando estabilidade de preços, competitividade e emprego local. 4. Redobrar a aposta na inovação A quarta linha de ação passa por aumentar o investimento em I&D, apoiando-se em incentivos fiscais, centros de excelência e mecanismos de cofinanciamento para tecnologias industriais e de descarbonização pioneiras. Francisco Reynés, presidente executivo da Naturgy, destacou a importância de fomentar a ambição, garantir um financiamento competitivo, oferecer incentivos fiscais e agilizar os procedimentos administrativos para que a inovação atue como motor do desenvolvimento futuro. 5. Desbloquear a produtividade do talento Por último, o IETI coloca o foco no capital humano, reclamando programas de requalificação em grande escala, ferramentas de produtividade baseadas em inteligência artificial, incentivos fiscais e vistos específicos para atrair e reter talento de topo. Juan Lladó, presidente executivo da Técnicas Reunidas, insistiu que desbloquear este potencial exigirá uma colaboração público-privada sem precedentes e uma execução mais ágil dos projetos, eliminando gargalos nas licenças, redes e financiamento de novas tecnologias de baixo carbono. UMA OPORTUNIDADE ESTRATÉGICA PARA A EUROPA Na perspetiva dos participantes, Portugal e Espanha estão em condições de se tornarem um pilar da segurança energética, da resiliência industrial e do crescimento sustentável europeu. Maria João Carioca e João Diogo Marques da Silva, co-CEOs da Galp, salientaram que, com quadros claros e previsíveis, a Península Ibérica pode desempenhar um papel decisivo no reforço da competitividade europeia. n
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