BI344 - O Instalador

70 ENERGIA Eficiência energética: O pilar da competitividade industrial Numa conjuntura macroeconómica marcada pela elevada volatilidade dos mercados energéticos e pela urgência imperativa da descarbonização, a eficiência energética transcendeu o estatuto de mera 'boa prática' técnica. Atualmente, afirma-se como um pilar estratégico fundamental para a resiliência e competitividade do tecido empresarial. Daniel Tavares, do departamento de Engenharia da Energest Para a indústria portuguesa, onde a maioria dos processos dependem fortemente da energia térmica, a racionalização não significa produzir menos, mas sim produzir de forma mais inteligente. O objetivo é claro: extrair mais produto por cada unidade de energia consumida e mitigar perdas. A redução da pegada energética não é sinónimo de contração produtiva, mas sim de otimização de recursos e aumento de eficiência. A inovação tecnológica e a implementação de sistemas térmicos avançados permitem às empresas maximizar a energia útil disponível, reduzindo os seus custos operacionais. A modernização de caldeiras industriais e a utilização de sistemas de recuperação de calor de elevado rendimento comprovam ser possível obter ganhos energéticos significativos sem comprometer o output produtivo. Estes avanços, num enquadramento global, reduzem emissões, aumentam a fiabilidade operacional e reforçam a competitividade. Neste domínio, Portugal detém capacidade técnica de topo. A transição energética não deve resumir-se à importação de tecnologia padronizada, a excelência passa pela customização e pela valorização do know-how nacional. A engenharia portuguesa tem competência para desenhar soluções complexas, adaptadas às especificidades de cada indústria. SOLUÇÕES DE ENGENHARIA PARA VALORIZAR A ENERGIA TÉRMICA Ao longo das últimas décadas, a Energest consolidou-se como parceira estratégica no aumento da eficiência energética industrial. Um exemplo de sucesso na indústria automóvel foi a implementação de um sistema de recuperação de calor em estufas de cataforese. Neste processo, os gases de exaustão são arrefecidos de 325 °C para 120 °C, permitindo o aquecimento de água até 92 °C a utilizar nas tinas, representando uma potência recuperada de 450 kW. Na indústria cerâmica, foi desenvolvida uma solução para o aproveitamento do calor residual dos fornos. Através de um circuito intermédio de água (aque-

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