BI344 - O Instalador

Entre o mito e a realidade: porque as renováveis não são o inimigo do território Vivemos um paradoxo: embora a transição energética seja um imperativo nacional, europeu e mundial, no espaço público persistem mensagens simplistas e, por vezes, distorcidas, sobre o impacto das renováveis no território e na biodiversidade. No entanto, estima-se que, mesmo cumprindo as metas do Plano Nacional de Energia e Clima 2030 (PNEC 2030), estes projetos ocuparão menos de 0,5% do território, revelando um desfasamento entre a perceção pública e a realidade. Susana Serôdio, Responsável de Política Pública da APREN* Estas narrativas, amplificadas pelas redes sociais e pelos meios de comunicação, criam a perceção de um conflito permanente entre a energia e a natureza, entre o desenvolvimento e a conservação — mas também entre os promotores, as entidades públicas e as comunidades locais. Com o intuito de desconstruir estas narrativas, é necessário contar as histórias reais dos projetos num país com mais de 50 anos de história de geração de eletricidade renovável. É imperativo divulgar e partilhar como estes coexistem nos territórios onde se inserem, com soluções de integração, adaptação e mitigação, dando visibilidade ao seu potencial positivo, não apenas para a descarbonização, mas também para a valorização da biodiversidade, o desenvolvimento local e nacional, a competitividade e a segurança do abastecimento. Apesar do histórico positivo, dos avanços técnicos e regulatórios, as perceções negativas e a desinformação sobre o impacto das centrais renováveis no território crescem. Em muitos casos, a população não se sente parte do processo e é arrastada por esta dinâmica, ficando vulnerável ao ruído mediático, o que alimenta a perda de confiança, e aguça o medo da decisão por parte das entidades envolvidas nos processos. A transição limpa é um desígnio nacional e europeu motivado pelas alterações climáticas, cujas consequências reais se fazem sentir com severidade crescente: incêndios devastadores, que levam ciclicamente à perda de biodiversidade, muitas vezes não quantificada; alterações dos ciclos sazonais, que transformam a ecologia dos habitats; e eventos extremos como inundações e ondas de calor. 78 ASSOCIAÇÕES

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