*SUSANA SERÔDIO (Diretora Responsável de Política Pública da APREN) É engenheira ambiental com mestrado em gestão de engenharia e tecnologia. A sua atividade profissional sempre esteve ligada à área da energia e do ambiente, tendo começado como investigadora nas áreas da inovação, tecnologia e políticas. Depois de trabalhar também na área das alterações climáticas e eficiência energética como consultora em 2015, assumiu o cargo de analista de políticas energéticas no Departamento Técnico da APREN. Atualmente, é Diretora de Políticas - nesta função, abrange o aconselhamento aos membros e partes interessadas no setor das energias renováveis, a investigação e o desenvolvimento de estudos para promover e apoiar a tomada de decisões políticas, a representação e a defesa da visão estratégica da APREN junto das entidades oficiais, associações nacionais e internacionais e partes interessadas. e implementar medidas de compensação. É legítimo que assim seja, uma vez que os projetos permanecerão nos territórios durante 30 ou 40 anos, podendo vir a ser reestruturados com menor impacto, acompanhando a evolução tecnológica. No entanto, onde está o envolvimento da tutela e das entidades públicas numa estratégia que é nacional e crucial para o ambiente, a segurança e a economia? Sabemos também que, mesmo ocupando grandes áreas, muitos projetos são desenvolvidos com objetivos de gestão e regeneração do território, sobretudo em zonas despovoadas, vulneráveis a incêndios ou sem planeamento ativo, através de planos de gestão ambiental que promovem a regeneração e a conservação. Relativamente às centrais existentes, muitas contam já com vários anos de monitorização sistemática de indicadores ambientais, permitindo avaliar a sua integração no território, a evolução dos impactos e a adaptação das espécies. Esta informação constitui uma base essencial para decisões de reconfiguração, otimização e mitigação. Assim, este tema não pode ser tratado como um conflito entre populações e poder económico como se tornou atualmente na linguagem comum, porque não o é! É muito mais complexo, crítico e imperativo para os desafios do futuro. A partilha de benefícios deve ser explícita e tangível, pois o risco de perder atual janela temporal, significa catapultar o país para uma realidade económica e ambiental com importância estratégica ou continuarmos a ser um país periférico na esfera europeia. Não se trata de escolher entre renováveis e território — mas de fazer bem feito, com responsabilidade, participação e visão de longo prazo, por parte da tutela na sua comunicação e envolvimento com os diferentes atores, bem como das entidades públicas e empresas. n 80 ASSOCIAÇÕES
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