BI349 - O Instalador

8 Universidade de Coimbra coordena projeto europeu para acelerar a eliminação de gases fluorados poluentes A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) lidera um novo projeto europeu que pretende apoiar a eliminação progressiva dos gases fluorados, considerados entre os poluentes mais agressivos para o clima. Denominado "GWPathFinder", o projeto é coordenado por Luís Pedro Viegas, investigador do Centro de Química de Coimbra do Departamento de Química da FCTUC, e conta com um financiamento de 2,9 milhões de euros do programa europeu Horizon Europe. Os gases fluorados são amplamente utilizados em sistemas de refrigeração, ar condicionado e bombas de calor. Apesar da sua relevância para estes setores, apresentam um elevado potencial de aquecimento global, tornando-se um dos principais desafios ambientais associados à transição energética e à descarbonização. Para responder a este desafio, o consórcio internacional liderado pela FCTUC irá desenvolver uma plataforma digital inovadora, interativa e de acesso livre, destinada a apoiar decisores políticos, indústria e comunidade científica na avaliação e seleção de alternativas mais sustentáveis. A ferramenta funcionará como uma verdadeira “bússola” ecológica global, recorrendo a modelos científicos avançados para prever o impacto ambiental de novos gases fluorados e simular diferentes cenários de descarbonização em tempo real. O objetivo é disponibilizar informação robusta, comparável e baseada em evidência científica, permitindo acelerar a adoção de soluções de menor impacto climático. EDITORIAL Num setor onde a técnica se cruza cada vez mais com a responsabilidade ambiental, esta edição confirma uma realidade incontornável: o futuro da climatização e da eficiência energética constrói-se hoje através do conhecimento, da inovação, da qualificação dos profissionais e de uma visão estratégica de longo prazo. A entrevista a Bill McQuade, presidente da ASHRAE, assume particular relevância neste contexto. Mais do que uma conversa institucional, é uma reflexão sobre os desafios que marcam o presente e irão definir o futuro do setor AVAC-R. McQuade sublinha que a normalização técnica não constitui um entrave à inovação, mas sim uma ferramenta indispensável para garantir edifícios mais eficientes, sustentáveis e preparados para responder às exigências climáticas e sociais das próximas décadas. As normas desenvolvidas pela ASHRAE continuam a ser uma referência internacional e influenciam diretamente a evolução dos mercados, incluindo o português. Como afirma o responsável da organização, “a qualidade do ar interior e a eficiência energética não são objetivos concorrentes — são dois lados da mesma equação”. Esta ideia sintetiza um dos principais desafios do setor: criar ambientes mais saudáveis, confortáveis e resilientes, sem comprometer o desempenho energético dos edifícios. Outro dos temas abordados na entrevista é a importância da formação contínua. A transição energética não depende apenas de equipamentos mais eficientes ou de sistemas cada vez mais inteligentes. Exige profissionais qualificados, capazes de compreender os edifícios como sistemas integrados, interpretar dados, incorporar novas tecnologias e acompanhar um enquadramento regulamentar em permanente evolução. Esta edição abre igualmente espaço a outros temas que ajudam a compreender a transformação em curso: das bombas de calor à refrigeração, da qualidade do ar interior à digitalização dos edifícios, do contributo do solar térmico para a descarbonização dos consumos energéticos à expansão da mobilidade elétrica, cada vez mais ligada às infraestruturas, à eficiência energética e à forma como concebemos os espaços urbanos. São temas distintos, mas unidos por um denominador comum: a necessidade de mais conhecimento, maior integração e uma visão de futuro. No ano em que O Instalador celebra 30 anos, renovamos o compromisso de continuar a acompanhar esta evolução, promovendo a partilha de conhecimento, valorizando os profissionais e dando voz às entidades e especialistas. Porque é através do conhecimento que se concretiza a transição energética. O conhecimento como motor da transição

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