EDIFÍCIOS INTELIGENTES | OPINIÃO 62 É particularmente evidente a relevância da eficiência hídrica num contexto em que a água se afirma como um recurso cada vez mais estratégico. Em Portugal, o consumo médio de água ronda os 197 litros por habitante dia2, 37% acima da média europeia3, o que evidencia a importância da adoção de estratégias que promovam uma utilização mais eficiente deste recurso. Paralelamente, os sistemas de abastecimento continuam a enfrentar desafios associados às perdas de água, reforçando a necessidade de uma abordagem integrada à gestão dos edifícios. É neste contexto que se enquadra o AQUA+, sistema voluntário desenvolvido pela ADENE para avaliar, classificar e melhorar o desempenho hídrico dos edifícios. O AQUA+ contribui para aumentar a resiliência e a eficiência hídrica do parque edificado, avaliando o desempenho dos edifícios com base nas suas infraestruturas, nos dispositivos e equipamentos que utilizam água, nas fontes e redes de abastecimento, nos sistemas de produção e distribuição de água quente e nos usos exteriores. A avaliação pode ser realizada em edifícios nas diferentes fases do seu ciclo de vida, designadamente em projeto, construção, utilização ou reabilitação, por auditores formados e qualificados pela ADENE para o efeito. Os edifícios são classificados de F a A+, à semelhança da classificação energética dos edifícios. A avaliação identifica igualmente medidas de melhoria a implementar e, nos edifícios não residenciais, apoia a definição e a implementação de um plano de ação para a eficiência hídrica. A aplicação da metodologia AQUA+, ainda durante a fase de projeto, permite otimizar as soluções a adotar e reduzir a necessidade de intervenções futuras reduzindo custos de adaptação. Com o AQUA+ já foi identificado um potencial de poupança de água de 137 milhões de litros de água, o equivalente a, aproximadamente, 27 milhões de garrafões de água de 5 litros ou 55 piscinas olímpicas. Até setembro de 2026, o AQUA+ conta com mais de 4600 classificações emitidas, existindo no mercado 353 gestores AQUA+ e 125 auditores, que se encontram na listagem pública de técnicos AQUA+ e que estão aptos à realização de consultoria e auditorias de eficiência hídrica em edifícios. Num contexto de crescente pressão sobre os recursos naturais, os edifícios inteligentes serão aqueles que conseguem gerir de forma integrada energia, água, conforto e dados. A conjugação de tecnologias digitais, sistemas de monitorização e metodologias de avaliação como o AQUA+ permitirá criar edifícios mais eficientes, resilientes e preparados para responder aos desafios climáticos e às exigências futuras de sustentabilidade. Os edifícios do futuro serão aqueles que conseguem fazer mais com menos: menos energia, menos água e menos impacto ambiental, sem comprometer o conforto e a qualidade de vida dos seus utilizadores. A tecnologia é um facilitador, mas a verdadeira inteligência está nas escolhas que fazemos ao longo de todo o ciclo de vida do edifício. Ferramentas como o AQUA+ demonstram que a eficiência hídrica deve ocupar um lugar central nesta transformação. O desafio está lançado: projetar e construir hoje os edifícios resilientes, eficientes e sustentáveis de amanhã. n 1. https://www.dgeg.gov.pt/pt/areas-setoriais/energia/eficiencia-energetica/sistema-de-certificacao-energetica-dos-edificios/diretiva-do-desempenho-energetico-dos-edificios/ 2. https://www.ersar.pt/pt_setor_grandes-numeros 3. Household water use da European Environment Agency (EEA) (https://www.eea.europa.eu/en/analysis/maps-and- -charts/household-water-use)
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