74 ENERGIAS RENOVÁVEIS | FORMAÇÃO Formar (para) a Transição Energética A transição energética não precisa apenas de mais tecnologia, projetos e regulamentação. Precisa de pessoas capazes de a compreender, executar e otimizar - e esse trabalho começa na formação. Sara Freitas, da Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN) METAS QUE NÃO SE INSTALAM SOZINHAS A transição energética é frequentemente apresentada através de metas, gigawatts, novas tecnologias, investimento e licenciamento. Contudo, entre uma decisão política e um sistema energético renovável em funcionamento existe toda uma cadeia de pessoas envolvidas, desde os que fabricam, os que projetam, quem licencia e quem instala, aos que programam, operam e mantêm, fiscalizam e, ainda, os que reparam, desmontam e encaminham os equipamentos no final do seu ciclo de vida. O setor energético precisa de pessoas, uma vez que painéis solares, aerogeradores, baterias, inversores, bombas de calor e redes inteligentes não se instalam nem se sustentam sozinhos. Mesmo num futuro em que a inteligência artificial apoie um projeto, a sua monitorização, o diagnóstico de avarias e a gestão das equipas, as infraestruturas continuarão a ser físicas e, assim, terá sempre de haver alguém a trabalhar no terreno, a compreender os sistemas e a assumir responsabilidade pela segurança e pela qualidade de um serviço que foi feito para pessoas. Por isso, as competências devem ser encaradas como peça indutora da transição energética, tão essencial como as redes, o investimento ou o enquadramento regulatório. E esta necessidade não se limita a engenheiros; inclui eletricistas, instaladores, técnicos de operação e manutenção, responsáveis de segurança, especialistas em digitalização e automação, técnicos de armazenamento, equipas de construção, logística, inspeção, reequipamento, recuperação de materiais e, também, profissionais capazes de integrar tecnologias que, até há poucos anos, eram tratadas separadamente. Deste modo, o desafio não é apenas encontrar mais pessoas: é preparar as pessoas com as competências necessárias para funções concretas, num setor em rápida transformação. DA ORIENTAÇÃO EUROPEIA À EXECUÇÃO NACIONAL A União Europeia já reconheceu que a falta de competências pode tornar- -se um obstáculo à concretização das metas energéticas e industriais. No âmbito do Pact for Skills, foi criada uma parceria europeia para as competências nas energias renováveis, envolvendo associações setoriais, representantes de instaladores, autoridades públicas e entidades de educação e formação, com o objetivo de promover a qualificação e requalificação, reforçar percursos profissionais e aproximar a formação das necessidades das várias cadeias de valor renováveis. A Comissão Europeia estimou que o cumprimento das metas do REPowerEU exigirá a criação de mais de 3,5 milhões de postos de trabalho nos vários setores das energias renová-
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