86 ASSOCIAÇÕES E quando várias fontes dependem da mesma água? A seca no Danúbio está a mostrar como diferentes fontes de produção de eletricidade podem partilhar a mesma vulnerabilidade. Portugal está longe deste rio, mas não necessariamente dos riscos que ele está a revelar. Alekzandar Rodrigues Future Energy Leaders Portugal* Na Roménia, as autoridades decidiram libertar mais água de várias albufeiras para preservar as condições de arrefecimento de uma central nuclear que nem sequer está a produzir eletricidade. O paradoxo resume a crise no rio Danúbio: a central de Cernavoda, responsável habitualmente por cerca de um quinto da produção elétrica romena, continua com os dois reatores desligados - um desde julho, outro desde agosto. A 10 de outubro, o nível do rio estava apenas três centímetros acima do limiar operacional de captação de água. No total, são cerca de 1.400 MW de potência instalada com os quais a Roménia, por enquanto, não pode contar. Não estamos, porém, perante uma emergência nuclear. Os reatores foram desligados de forma controlada e, segundo a Nuclearelectrica - empresa de capitais maioritariamente públicos responsável pela exploração da central - os sistemas de segurança continuam operacionais. Mesmo parado, um reator continua a libertar calor residual que precisa de ser removido. É para preservar essas condições de arrefecimento que as autoridades estão a libertar mais água. Os três centímetros referem-se ao limiar de captação, não à proximidade de um acidente nuclear. Mas a importância do que se passa em Cernavoda vai muito além daquela central. O episódio ilustra uma vulnerabilidade mais ampla: diversificar
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