BI349 - O Instalador

MOBILIDADE ELÉTRICA | OPINIÃO 31 É curioso observar que, enquanto discutimos carregamentos de 300 kW, tempos de carregamento cada vez menores e corredores de carregamento ultrarrápido, continua a existir uma questão mais básica por resolver: onde carrega quem não tem garagem? A REALIDADE URBANA NEM SEMPRE ACOMPANHA A NARRATIVA Quando se fala em mobilidade elétrica, é fácil assumir que o carregamento acontece em casa e que a rede pública serve sobretudo para viagens ocasionais. Mas essa não é a realidade de todos os utilizadores. Em muitos centros urbanos, especialmente nas zonas mais antigas e densamente povoadas, não há alternativa ao estacionamento na via pública. Para estes utilizadores, a rede pública não é uma solução complementar. É a principal forma de carregamento disponível. Apesar disso, uma parte significativa da atenção mediática e dos investimentos continua focada no carregamento rápido e ultrarrápido [3][4]. Naturalmente, estes equipamentos são essenciais. Ninguém questiona a sua importância para viagens de longa distância ou para situações em que o tempo é um fator crítico. O problema surge quando a velocidade passa a ser vista como o principal indicador de evolução da infraestrutura. Porque nem todos os desafios da mobilidade elétrica se resolvem com mais potência. A maioria dos veículos passa muito mais tempo estacionada do que em circulação. E, para uma grande parte dos utilizadores urbanos, a necessidade não é carregar centenas de quilómetros em quinze minutos. É conseguir carregar perto de casa durante a noite. O CARREGAMENTO DE PROXIMIDADE CONTINUA A SER UMA PEÇA IMPORTANTE Existe, por vezes, a percepção de que o carregamento de menor potência representa uma solução menos avançada ou menos atrativa. Na prática, responde simplesmente a uma necessidade diferente. Quando um veículo permanece estacionado durante oito, dez ou doze horas, a prioridade deixa de ser a velocidade máxima de carregamento. Passa a ser a disponibilidade da infraestrutura e a conveniência da localização. Para muitos utilizadores, um carregador acessível, a poucos minutos de casa, poderá ter mais valor do que um carregador ultrarrápido localizado a vários quilómetros de distância. Existe, também, uma dimensão económica que merece atenção. Sempre que existe a possibilidade de carregar durante períodos noturnos, os utilizadores podem beneficiar de tarifas energéticas mais favoráveis e distribuir o consumo ao longo de várias horas. Do ponto de vista da rede elétrica, soluções distribuídas de carregamento de proximidade tendem igualmente a criar condições mais favoráveis para a gestão da carga e para a integração crescente de energias renováveis [5][6][7]. O objetivo não é substituir carregadores rápidos por carregadores lentos. A infraestrutura precisa dos dois. O desafio passa por encontrar um equilíbrio “Mais do que aumentar a potência disponível, importa garantir que a infraestrutura é acessível, fiável e adaptada aos diferentes contextos urbanos”

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