BI349 - O Instalador

MOBILIDADE ELÉTRICA | OPINIÃO 32 que responda às diferentes realidades de utilização. QUANTOS POSTOS EXISTEM? TALVEZ NÃO SEJA A PERGUNTA MAIS IMPORTANTE Outra reflexão que importa fazer prende-se com a forma como avaliamos o sucesso da infraestrutura de carregamento. Frequentemente, o debate centra-se no número de postos instalados ou na potência disponível. São indicadores relevantes e fáceis de comunicar. Mas talvez não sejam aqueles que mais interessam ao utilizador final. A pergunta que verdadeiramente importa é bastante mais simples: quando preciso de carregar, consigo fazê-lo? Qualquer utilizador frequente da rede pública já passou pela situação de chegar a um posto aparentemente disponível e descobrir que existe algum problema operacional que impede o carregamento. Pode ser uma falha de autenticação, um problema de comunicação, uma indisponibilidade temporária ou outra situação semelhante. Estas ocorrências fazem parte da operação de qualquer infraestrutura tecnológica. O que merece reflexão é a forma como continuam, muitas vezes, a depender do utilizador para serem identificadas. Em muitos casos, o operador apenas toma conhecimento do problema depois de alguém contactar uma linha de apoio ou abrir uma ocorrência. Num setor cada vez mais digitalizado, é legítimo questionar se não deveríamos ser capazes de detetar uma parte significativa destas situações de forma automática e mais proativa. À medida que a mobilidade elétrica cresce, será cada vez mais importante olhar para métricas de disponibilidade, fiabilidade e qualidade de serviço com REFERÊNCIAS [1] International Energy Agency (IEA). Global EV Outlook 2025. Paris: IEA. [2] Mobi.E. Estatísticas e indicadores da Rede de Mobilidade Elétrica em Portugal. Disponível em: www.mobie.pt [3] Eurelectric. Recharge EU: How Many Charge Points Will Europe Need in the 2020s? [4] European Commission. Sustainable and Smart Mobility Strategy – Putting European Transport on Track for the Future. [5] International Energy Agency (IEA). Grid Integration of Electric Vehicles and Smart Charging. [6] ERSE. Publicações e relatórios sobre mobilidade elétrica e integração no sistema elétrico nacional. [7] ADENE. Estudos e relatórios sobre eficiência energética e mobilidade sustentável em Portugal. LILIANA MATOS Gestora de Projeto na NTT Data. Anteriormente trabalhou como Gestor de Projetos e Analista de Energia e Negócios no Smart Energy Lab, e como Trader do Mercado de Energia na EDP. Experiência em mercados energéticos, gestão de projetos tecnológicos e desenvolvimento de negócios no setor energético. É licenciada em Engenharia Energética e Ambiental pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e mestre em Engenharia e Gestão Energética pelo Instituto Superior Técnico. a mesma atenção que dedicamos à potência instalada. Porque uma infraestrutura existe verdadeiramente apenas quando funciona. O PRÓXIMO DESAFIO DA MOBILIDADE ELÉTRICA A mobilidade elétrica já ultrapassou a fase em que precisava de provar o seu potencial tecnológico. O desafio atual é mais complexo: garantir que a infraestrutura responde às necessidades de utilização do mundo real. Isso implica continuar a investir em carregamento rápido onde ele faz sentido. Mas implica, também, reconhecer que uma parte significativa dos utilizadores procura algo diferente: um local próximo de casa onde possa deixar o carro carregar durante a noite. Municípios, operadores e restantes entidades do setor terão um papel importante na construção deste equilíbrio [4][7][8]. Mais do que aumentar a potência disponível, importa garantir que a infraestrutura é acessível, fiável e adaptada aos diferentes contextos urbanos. Caso contrário, corremos o risco de criar uma realidade paradoxal: uma mobilidade elétrica tecnologicamente avançada, mas significativamente mais simples para quem tem garagem do que para quem vive a cidade. E essa é uma discussão que vale a pena começar a ter. n

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