ENTREVISTA 36 Em última análise, o Fórum Económico Mundial tem defendido que o ar interior deve receber a mesma prioridade legal e regulamentar que o ar exterior. Enquanto as agências ambientais regulam rigorosamente o smog e as emissões dos veículos, o ar que respiramos durante 90% das nossas vidas continua, em grande medida, sem monitorização obrigatória. As futuras normas deverão exigir avaliações periódicas da “saúde” dos edifícios, obrigar os proprietários a divulgar métricas de qualidade do ar aos ocupantes e associar incentivos fiscais empresariais a resultados comprovados em matéria de saúde ambiental interior. Enquanto estes critérios permanecerem apenas como orientações voluntárias, a infraestrutura dos edifícios continuará a ficar aquém das necessidades urgentes da saúde pública global. A descarbonização do setor dos edifícios é um dos grandes desafios da próxima década. Que papel desempenham os sistemas AVAC&R nesta transição e quais as tecnologias com maior potencial para reduzir as emissões de carbono associadas aos edifícios? Os sistemas AVAC&R desempenham um papel fundamental na descarbonização, uma vez que representam quase metade do consumo energético total de um edifício. Contudo, antes de modernizar qualquer equipamento, o primeiro passo deve ser sempre melhorar a envolvente do edifício, reforçando o isolamento térmico e eliminando infiltrações de ar. Depois de otimizada a envolvente, torna-se possível dimensionar corretamente os sistemas AVAC de acordo com as cargas reais de aquecimento e arrefecimento, evitando margens de segurança excessivas e desperdícios energéticos. A etapa seguinte consiste em garantir que estes sistemas mais eficientes sejam alimentados por fontes de eletricidade renovável. Com esta base estabelecida, a transição dependerá de algumas tecnologias-chave. Em regiões onde as temperaturas de inverno o permitam, as caldeiras a combustíveis fósseis devem ser substituídas por bombas de calor elétricas alimentadas por eletricidade limpa. Paralelamente, a indústria deve acelerar a adoção de refrigerantes naturais e de baixo potencial de aquecimento global (GWP), reduzindo o impacto das fugas de gases com efeito de estufa. Por fim, a utilização de recuperadores de energia e sistemas inteligentes de automação permitirá reaproveitar calor residual e operar os sistemas apenas quando os espaços estiverem efetivamente ocupados. “Os regulamentos e as práticas atuais são claramente insuficientes para proteger a saúde dos ocupantes, e os edifícios do futuro irão exigir normas obrigatórias muito mais exigentes”
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