ENTREVISTA 37 Após os encontros realizados com representantes da indústria, engenheiros, instaladores e autoridades públicas em Portugal, qual é a sua avaliação do setor AVAC&R português e quais considera serem os seus principais desafios e oportunidades? A situação em Portugal reflete, em grande medida, aquilo que tenho observado em vários países europeus: os elementos fundamentais já estão presentes, mas persistem algumas barreiras ao desenvolvimento do mercado. Do ponto de vista da engenharia, existe um elevado nível de competência técnica. Portugal dispõe de engenheiros altamente qualificados, familiarizados com as melhores práticas da ASHRAE e plenamente capazes de desenvolver projetos novos ou reabilitar edifícios existentes de acordo com exigentes metas de neutralidade carbónica. Da mesma forma, fabricantes e instaladores disponibilizam uma oferta sólida e abrangente de soluções de elevada eficiência energética. Os principais obstáculos são de natureza regulatória e financeira. O Governo encontra-se atualmente a gerir a complexa adaptação do enquadramento legislativo nacional às exigências da revisão de 2024 da Diretiva Europeia sobre o Desempenho Energético dos Edifícios (EPBD). Este processo é perfeitamente normal, dada a complexidade dos compromissos necessários para transformar estas exigências em legislação. Contudo, as verdadeiras barreiras continuam a ser a sensibilização do público e os custos iniciais de investimento, desafios que a regulamentação, por si só, não consegue resolver.
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