Grupo Contimetra Sistimetra – Artigo traduzido e adaptado do 'White paper original BAS: Five global trends that will define your strategy', da Johnson Controls
15/06/2026O papel fundamental da inteligência artificial
Para além das tendências de machine learning e IoT observadas nos últimos anos, a verdadeira transformação ocorreu com a incorporação e democratização da inteligência artificial. Estes elementos permitem uma mudança estrutural entre um modelo de operação reativo e o evoluir para um paradigma de eficiência operacional e tomada de decisão consciente e informada, cada vez mais procurado pelas organizações.
Espera-se que os futuros SACE integrem analises avançadas e capacidades preditivas, capazes de antecipar comportamentos e aprender padrões de utilização, por exemplo, dos equipamentos, e ajustar automaticamente as condições operacionais. Este movimento é reforçado pela intenção clara de investimento em tecnologias de IA, embora ainda exista um desfasamento significativo entre ambição e maturidade de implementação.
Tendências do futuro hoje
Esta transição representa uma rutura clara com o modelo tradicional de automação. Historicamente, os SACE baseavam-se em lógicas de controlo simples, isto é, sequências do tipo if-then (se - então) que, apesar de eficazes em contextos simples, demonstram limitações perante a complexidade e exigência dos edifícios atuais.
Parte significativa das organizações continua sem uma integração global dos sistemas e, mais crítico ainda, sem capacidade de extrair informações e ilações relevantes dos dados disponíveis. Esta realidade pode traduzir-se num paradoxo: abundância de dados, mas escassez de decisão.
O novo paradigma tecnológico do SACE responde diretamente a este desafio. A evolução passa por sistemas que integram múltiplos subsistemas — frequentemente de diferentes gerações e/ou fabricantes — que utilizam dados em tempo real para construir uma visão holística do desempenho do edifício.
Centralização e cibersegurança
Outro eixo crítico desta transição é a migração para arquiteturas cloud-based. Ao contrário dos sistemas tradicionais, dependentes de atualizações locais e processos manuais, as novas plataformas de monitorização, como é o caso do OpenBlue, permitem atualizações automáticas e contínuas, garantindo maior eficiência operacional e resiliência
Esta evolução traz, contudo, novos desafios ao nível da cibersegurança. Torna-se fundamental implementar mecanismos avançados como autenticação centralizada, monitorização contínua e deteção de ameaças suportada por inteligência artificial.
Neste contexto, a segurança deixa de ser uma camada adicional e passa a constituir-se como requisito e elemento estrutural da arquitetura do sistema.
A Inevitabilidade do Retrofit
Se a inteligência Artificial define o futuro dos sistemas, é o Retrofit que define a sua relevância prática. O parque edificado global apresenta um elevado nível de envelhecimento com cerca de 35% dos edifícios na EU com mais de 50 anos(1), dos quais 75% é considerado Energeticamente Ineficiente pela Comissão Europeia, o que se traduz num impacto direto nos custos operacionais e na conformidade normativa e regulamentar. Este contexto torna o Retrofit inevitável.
Contudo, o conceito de Retrofit está também a evoluir. Da habitual prática de intervenção pontual e reativa, passa-se para uma abordagem integrada e orientada para o aumento do tempo de vida útil do edifício. Esta mudança implica uma visão e intervenção estratégica alargada, onde cada intervenção contribui para um sistema coerente e sustentável a longo prazo.
SACE como maestro da modernização dos edifícios
No contexto do novo conceito de Retrofit, o SACE é mais do que um sistema de controlo, eleva-se à condição de maestro na modernização dos edifícios, permitindo monitorizar, analisar e otimizar continuamente o seu desempenho.
Os SACE passam a fornecer avaliações globais dos edifícios, modelação digital (digital twins) e verificação de performance após cada intervenção. Esta capacidade transforma o Retrofit num processo orientado por dados e que poderá adaptar-se a normativas futuras.
Para além disso, a integração com tecnologias emergentes — como bombas de calor — reforça o papel do SACE como plataforma de gestão energética integrada.
Inteligência artificial e retorno cumulativo
A incorporação de inteligência artificial nos processos de Retrofit permitirá alcançar ganhos que não estão circunscritos apenas à eficiência energética. Soluções para o controlo avançado de AVAC, iluminação adaptativa ou gestão dinâmica de cargas permitem reduzir custos operacionais e adiar investimentos estruturais mais pesados.
Um pensamento mais estratégico aplicado na modernização dos edifícios gera retornos cumulativos ao longo do tempo, criando um efeito de alavancagem financeira que reforça a viabilidade dos projetos de modernização em diferentes fases.
Custo, complexidade e decisão
Apesar dos benefícios evidentes, o Retrofit continua a enfrentar barreiras relevantes, nomeadamente ao nível do investimento inicial, da complexidade técnica e da falta de dados para suportar decisões iniciais.
A resposta do mercado passa por soluções cada vez mais modulares e acessíveis, como é o da plataforma OpenBlue que permite uma primeira fase de conectividade a fornecedores de energia para medição de consumos. A introdução de plataformas plug-and-play, modelos de implementação simplificados (“zero engineering”) e soluções de financiamento inovadoras estão a reduzir significativamente estas barreiras.
Assim, o futuro dos edifícios não se constrói apenas com novas infraestruturas, mas também, com a implementação de Sistemas de Automação e Controlo de Edifícios que integrem Inteligência Artificial e que os tornem mais eficientes, sustentáveis e preparados para os desafios da descarbonização das próximas décadas.
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