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Não há tempo a perder, garantem os especialistas em clima

Emergência climática: “sofrimento sem precedentes”, alertam cientistas

O Instalador07/11/2019
A população vai enfrentar “um sofrimento sem precedentes devido à crise climática”, a não ser que existam grandes mudanças na sociedade global, de acordo com um “manifesto” subscrito por mais de 11 mil cientistas.
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“Os cientistas têm a obrigação moral de alertar a Humanidade sobre qualquer grande ameaça catastrófica. Com base nas informações que temos, declaramos de forma clara e inequívoca que o planeta Terra enfrenta uma emergência climática“, lê-se no artigo publicado na revista científica BioScience e apresentado como um “manifesto”.
“Para assegurar um futuro sustentável, temos de mudar a forma como vivemos. Isto implica grandes transformações na maneira como a nossa sociedade global funciona e interage com os ecossistemas naturais”.
Não há tempo a perder. “A crise climática chegou e está a acelerar-se mais rapidamente do que os cientistas estavam à espera. É um problema mais severo do que tinha sido antecipado, ameaçando ecossistemas naturais e o destino da Humanidade“.
Os cientistas analisaram informações recolhidas e publicadas durante mais de 40 anos sobre uso de energia, temperaturas na superfície da terra, crescimento populacional, extensão de culturas, desflorestação, perda de gelo polar, índices de fertilidade, emissões de dióxido de carbono e Produto Interno Bruto das nações.
Desde a primeira Conferência sobre Alterações Climáticas, realizada em Genebra, na Suíça, em 1979, os cientistas que participaram em assembleias semelhantes citaram a ameaça da mudança climática e alertaram Governos e empresas sobre a necessidade de tomar medidas para moderá-la.
O artigo inclui indicadores que os investigadores descrevem como “sinais vitais” relacionados com essa mudança e as áreas que requerem ação global imediata.
Alguns desses indicadores de atividade humana são positivos, como a crescente incorporação de fontes de energia renováveis, mas a maioria dos indicadores mostra uma imagem sombria, incluindo a crescente população de animais para consumo humano, perda de florestas e emissões de dióxido de carbono.
Os autores expressaram a sua esperança de que esses “sinais vitais” guiem Governos, setor privado e público no geral para “entenderem a magnitude da crise, monitorizarem os progressos alcançados e a reorganizarem as prioridades para mitigar as alterações climáticas”. Esses objetivos “exigirão grandes transformações na forma como a sociedade global funciona e a sua interação com os ecossistemas naturais”, acrescenta o artigo.
Os cientistas signatários enfatizaram seis objetivos: reforma do setor de energia, redução de poluentes de curto prazo, restauração de ecossistemas, otimização do sistema alimentar, estabelecimento de uma economia livre de dióxido de carbono e uma população humana estável.
Apesar da amplitude das suas preocupações e da magnitude dos esforços que reivindicam, os cientistas expressaram um certo otimismo ao mencionarem “um aumento recente na atenção para este problema”.
“Agências dos Governos fazem declarações de emergência climática, greves de crianças em idade escolar, os tribunais movem ações judiciais por danos ambientais, os movimentos de cidadãos exigem mudanças e muitos países, estados e províncias, cidades e empresas respondem”, concluem.
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