Informação profissional do setor das instalações em Portugal
Artigo exclusivo para a revista O Instalador

O setor da Iluminação ao virar de 2022

Silva Macieira | Presidente da AIPI16/02/2022
A evolução do setor anda muito a par da evolução do setor da construção.
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Ora, ao contrário de 2009, em que ocorreu o rebentar da bolha de crédito imobiliário, nesta crise pandémica a construção em Portugal não foi afetada como então, o que foi uma boa notícia.

Por outro lado, o setor depende para além da construção residencial, também muito do turismo, nomeadamente da construção e/ou remodelação de hotéis, restaurantes, etc. Este setor foi o mais duramente afetado pela pandemia, o que impactou fortemente a diminuição de encomendas do setor da iluminação nesta vertente.

O setor português da iluminação exportou 94 milhões de euros em 2020, o que correspondeu a uma quebra de 14% face a 2019. Contudo, no 1º semestre de 2021, as exportações já subiam 28% face ao ano anterior pelo que esperamos que em 2021 aquelas tenham superado o valor atingido em 2019, ou seja, os impactos financeiros da crise pandémica no setor terão ficado contidos num único ano, 2020, o que terão sempre que ser boas notícias, tendo em conta o contexto muito difícil de constrangimentos à atividade económica que toda a indústria atravessa desde março de 2020. Isto claro, em média, porque temos alguns fabricantes de iluminação decorativa que, nos últimos dois anos, não têm tido capacidade de fazer face aos pedidos de encomendas, dada a sua excelência e know how reconhecidos internacionalmente.

Quanto às formas de promoção do setor no pós-pandemia, continuará a haver sempre uma franja de clientes que darão ênfase ao 'cara-a-cara como forma de reforçar a relação profissional. Uma parte dos clientes também continuará a preferir observar in loco os produtos antes da compra e, portanto, mesmo com todas as mudanças nestes aspetos introduzidos pela pandemia, não podemos nunca esquecer que continuarão a existir clientes que terão necessidade de contacto pessoal e de sentir ao vivo o produto. Assim, o retomar quer das tradicionais feiras setoriais, quer das visitas diretas de fornecedores a clientes e vice-versa, ficará dependente da evolução a curto e médio prazo da pandemia.

Depois, é claro, temos todas as mudanças que foram introduzidas pela pandemia, quer profissionais, quer sociais. Estas mudanças privilegiam o contacto à distância dos clientes com os vendedores e com os produtos através de videoconferências. A promoção em marketplaces e a aposta no marketing digital que já vinha assumindo um papel cada vez mais relevante e para algumas empresas já tinha ultrapassado as feiras como principal ferramenta de vendas, assume atualmente e, certamente nos próximos meses/anos, o principal aspeto no marketing das empresas.

Com a suspensão das feiras abriu-se um gap na promoção do produto e esse gap terá que ser preenchido pela aposta no digital, pelo menos até à normalização da vida social pós-pandemia.

Com a suspensão das feiras abriu-se um gap na promoção do produto e esse gap terá que ser preenchido pela aposta no digital, pelo menos até à normalização da vida social pós pandemia

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As apostas nos próximos tempos passarão pela integração das empresas em marketplaces digitais (MOM, Arquiproducts, BIM, Dialux, etc.), por campanhas de advertising digital (Google, redes sociais, etc.), pela aposta em catálogos digitais, pelo refresh periódico dos websites das empresas, por posts patrocinados nas redes sociais por influencers/prescritores, por equipar as equipas comerciais com marketeers que possam desenvolver em conjunto o trabalho de promoção e vendas e por visitas diretas dos fornecedores aos clientes: dependendo da evolução da pandemia e enquanto não há o regresso das feiras, existirá um conjunto de clientes que desejará este contacto pessoal.

Um aspeto muito negativo que está cada vez mais a afetar a normal atividade das empresas foi a disrupção das cadeias de distribuição que provocou um aumento exponencial no preço dos transportes internacionais bem como nos tempos de envio e receção de mercadorias. Apesar disso, este fator traz uma vantagem para a indústria europeia por incentivar a deslocalização de compras da Ásia para o nosso continente. Por outro lado, registam-se elevados aumentos de preços também nos custos energéticos e nas matérias primas o que está a colocar à prova a competitividade das empresas nos mercados globais.

A indústria da iluminação continua também, neste dealbar do novo ano, a ir ao encontro dos valores caraterísticos dos tempos atuais, nomeadamente a transição energética e a sustentabilidade dos processos de fabrico e dos materiais. O PRR (Plano de Recuperação e Resiliência) apresentado pelo Governo terá que ser utilizado para auxiliar as empresas nessa transição energética que nesta fase terá custos consideráveis.

Por outro lado, cada vez mais os processos de fabrico terão de estar inseridos na lógica da Economia Circular, para que o desperdício seja reduzido ao mínimo e seja maximizada a reutilização quer por motivos económicos de competitividade das empresas quer por motivos ambientais. Para além da necessária reorganização interna dos processos de fabrico que as empresas estão a implementar, refira-se que a indústria de iluminação já paga taxas sobre a sua produção para financiar em Portugal uma rede de recolha de equipamentos de iluminação em fim de vida útil para que possam ser devidamente reciclados e não abandonados simplesmente com o lixo comum.

O cliché de novo ano, novos desafios é cada vez mais verdadeiro nos tempos que correm pois a mudança não só se mantém uma constante na indústria, como se revela cada vez mais acelerada. São cada vez mais as variáveis que condicionam atualmente a atividade dos nossos empresários e por isso é a eles que deixo os meus votos de bom trabalho e de Bom Ano de 2022.

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