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“A ERP Portugal, em 2021, conseguiu aumentar em cerca de 4% a recolha seletiva de REEE”

Entrevista com Rosa Monforte, Diretora Geral da ERP Portugal

Ana Clara06/12/2022

As metas de recolha ainda estão longe do desejável, mas a ERP Portugal garante que o País está a “fazer tudo o que está ao nosso alcance para aumentar os quantitativos de resíduos recolhidos na nossa rede seletiva e contribuir para que se aproxime cada vez mais do objetivo traçado”. Quem o diz é Rosa Monforte, Diretora Geral da ERP Portugal que, nesta entrevista à Revista O Instalador, faz o balanço do trabalho feito em Portugal em matéria de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrónicos (REEE). Fala ainda dos projetos da ERP e antecipa os desafios que nos esperam.

“Não basta haver regulamentação, é importante assegurar que esta se cumpre”, refere Rosa Monforte
“Não basta haver regulamentação, é importante assegurar que esta se cumpre”, refere Rosa Monforte.

Onde está Portugal no que respeita ao cumprimento das metas de recolha e tratamento de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrónicos em 2022?

As metas de recolha, tanto de resíduos de equipamentos elétricos e eletrónicos (REEE), como de pilhas e acumuladores (RPA), que são os fluxos específicos que gerimos, infelizmente, estão ainda longe das ambiciosas metas estipuladas pela Europa, contudo, estamos a fazer tudo o que está ao nosso alcance para aumentar os quantitativos de resíduos recolhidos na nossa rede seletiva e contribuir para que o País se aproxime cada vez mais do objetivo traçado, tendo consciência de que ainda há um longo caminho a trilhar, nomeadamente no que respeita à sensibilização e educação de cidadãos e empresas, que têm um papel fundamental neste processo.

A ERP Portugal, em 2021, conseguiu aumentar em cerca de 4% a recolha seletiva de REEE, fruto de um esforço de contratualização com novos pontos de recolha. O esforço foi compensado com um crescimento significativo na nossa rede, que contava no final de 2021 com mais 1 337 pontos do que no ano transato. No final de 2021, a ERP Portugal contava também com 668 aderentes, que transferiram a responsabilidade para a gestão de REEE, tendo este número aumentado em 8.26%, comparando com 2020.

Que constrangimentos ainda temos em matéria de recolha e sensibilização da população?

Para minimizar os eventuais constrangimentos neste processo, a nossa missão é reforçar de forma regular e sustentada as nossas mensagens relativamente à importância da reciclagem de REEE. Temos encetado diversas ações de sensibilização e parcerias com marcas bastante conhecidas do consumidor, de forma a alcançarmos cada vez mais públicos, confirmando a obrigação e responsabilidade de encaminhar este tipo de equipamentos para a reciclagem. São exemplo disso as ações que desenvolvemos com a ABAE no projeto ‘Eco-Escolas’, com diversas insígnias da Distribuição, como é o exemplo do ‘Worten Transforma’ ou ‘Reciclar também é ajudar’, o projeto de Investigação e Desenvolvimento ‘Reeecicla e Ganha’, bem como parcerias com insígnias como a Chicco, que apoiam o nosso compromisso e nos ajudam a fazer chegar esta mensagem mais longe e a um público mais abrangente. Mantendo o dinamismo e o papel ativo que procuramos ter nesta missão de literacia ambiental, desenvolvemos o programa ‘Junta na Freguesia’ que, beneficiando da geografia municipal do País, continente e ilhas, procura sensibilizar e esclarecer as populações das várias comunidades para o correto encaminhamento de equipamentos elétricos e eletrónicos, contribuindo de forma direta para o aumento de recolha e destes equipamentos.

Complementarmente, temos um website ‘eureciclo.pt’, para dar resposta à localização dos pontos de recolha da rede da ERP Portugal, bem como a possibilidade de empresas e entidades, solicitarem recolha de REEE e RPA, de forma rápida, fácil e gratuita.

Em termos de fiscalização, onde estamos e que entraves ainda existem?

A fiscalização é, de facto, um ponto fulcral, e há efetivamente muito a melhorar neste campo, para garantir que esta é eficaz e que há cumprimento das normas estabelecidas para o setor, combatendo o mercado paralelo. Não basta haver regulamentação, é importante assegurar que esta se cumpre. Sabemos que pelo valor dos materiais que contêm, estes resíduos são altamente apetecíveis, pelo que um controle apertado sobre todos os atores, é fundamental, para assegurar que estes têm um destino adequado de reciclagem. Nada disto é linear, mas procuramos, individualmente e, em conjunto, afinar e garantir as melhores soluções para o setor. Por outro lado, trabalhamos no sentido de fomentar a prevenção da produção destes resíduos, bem como a promoção da reutilização, reciclagem e outras formas de valorização, sendo também nosso objetivo contribuir para melhorar o desempenho ambiental de todos os intervenientes no ciclo de vida destes equipamentos.

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A inovação e a economia circular são duas prioridades colocadas há muito neste mercado. Como e em que se materializa este desafio no caso dos REEE?

A circularidade é também uma das nossas preocupações, sempre de mãos dadas com a necessidade de informar e de reforçar a importância das escolhas do consumidor, no que respeita ao eco design e à reciclagem deste tipo de equipamentos. Acreditamos que é, acima de tudo, nestes campos que a inovação pode ter também um papel fundamental. A participação, a compreensão e incentivo à criação de uma economia circular serão boa parte da solução na dinamização e crescimento da reciclagem de REEE. A nossa missão é capacitar a maioria, para nos ajudarem a fazê-lo com maior eficácia.

Fale-me do projeto ‘Junta na Freguesia’, lançado pela ERP Portugal e qual o objetivo junto das populações?

O projeto, que teve início em setembro, e que tem a primeira fase a decorrer até ao final do ano, pretende incentivar as comunidades locais a entregar REEE e RPA nas respetivas juntas de freguesia, criando-se, assim, um movimento de sustentabilidade participada em prol de um bem comum. O ‘Junta na Freguesia’ é um projeto integrado na nossa missão de contribuir para o cumprimento de metas ambientais e reduzir a taxa de resíduos mal encaminhados, bem como sensibilizar e educar os cidadãos, funcionando como elemento facilitador para a entrega destes resíduos que muitas vezes acumulamos nas nossas casas. Este projeto está igualmente enquadrado nas políticas de incentivo à economia circular e uso eficiente de recursos. No final de cada fase do projeto, a ERP Portugal irá premiar a junta campeã de recolhas de REEE e RPA (em peso), de cada um dos municípios de Portugal. Nas freguesias eleitas será desenvolvido um projeto comunitário, no valor de 2.500 euros. Trata-se, deste modo, de um projeto de e para a comunidade.

É um projeto que abrange o País inteiro?

Sim. De facto, com este projeto, pretendemos abranger toda a população nacional, tanto em território continental como nas ilhas, dos mais novos aos mais velhos. A introdução desta iniciativa a nível local, através das juntas de freguesia, afigura-se essencial para facilitar a recolha dos REEE e reforçar o sentido de comunidade. Queremos juntar comunidades para viabilizar projetos de sustentabilidade local, juntar todo o País para o cumprimento das metas ambientais nacionais utilizando as Juntas de Freguesia como pontos de entrega destes resíduos, com destino à sua reciclagem e valorização.
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Como funciona?

Este projeto é verdadeiramente agregador do conceito e propósito ‘pense global, haja local’, bem como da verdadeira essência de ‘juntar’. Basta que os munícipes contactem ou se dirijam às suas juntas de freguesia e entreguem os seus equipamentos elétricos e eletrónicos em fim de vida. Estes equipamentos podem ser, a título de exemplo, televisores e monitores, equipamentos de grandes e pequenas dimensões, como, máquinas de lavar, frigoríficos, micro-ondas, varinhas mágicas, entre outros, equipamentos de IT, como telemóveis e computadores, não nos esquecendo das lâmpadas. Para além, claro, de todo o tipo de pilhas e baterias. Para além da contrapartida financeira atribuída por cada tonelada de resíduos recolhida, pelas juntas que participarem neste projeto, a ERP Portugal irá premiar a junta campeã de recolhas de REEE e RPA (em peso) de cada um dos municípios de Portugal. Nas freguesias eleitas será desenvolvido um projeto comunitário, no valor de 2.500 euros. Existem ainda prémios a nível nacional, onde a ERP premiará as juntas que recolherem maior quantidade de equipamentos, por categoria de equipamentos. Os vencedores desta primeira fase, serão anunciados até dia 31 março 2023. Trata-se, deste modo, de um projeto de e para a comunidade. Acreditamos que a capilaridade deste movimento venha a ser muito mais que a soma das suas partes pois, não só falamos de recolhas, mas também de uma oportunidade de formar e informar mais pessoas de como podemos reciclar os nossos REEE e RPA, guardados nas nossas casas e que são importantes fontes de matérias-primas para a produção de novos equipamentos.

O eureciclo.pt também acabou recentemente de ser renovado e abrange o ‘Junta na Freguesia’ mas vai mais longe na ambição, já que envolve outras instituições. Onde se pretende chegar?

A plataforma ‘EuReciclo.pt’ não só é um apelo a toda a sociedade civil para fazer parte de um movimento de reciclagem de REEE e RPA, como é também mais um passo da ERP Portugal no caminho da sensibilização e literacia ambiental, consciencializando múltiplos públicos, todos eles muito relevantes neste sistema rumo à reciclagem e valorização destes equipamentos, um gesto cada vez mais integrado nos hábitos dos portugueses. Também a proximidade foi muito trabalhada nesta plataforma, com o recurso a geo-localização para identificar os locais de entrega destes resíduos, eliminando barreiras no processo de encaminhamento, sua posterior reciclagem e valorização. Com o EuReciclo.pt chegamos assim a Escolas, Comércio, Empresas e Entidades, e ao consumidor final. Esta plataforma permite ainda, a empresas e entidades, a solicitação de recolhas de forma fácil e gratuita.

Que ambições e meta tem a ERP Portugal para 2023?

A ERP Portugal, no âmbito das licenças que nos foram atribuídas, tem sempre a ambição de contribuir de uma forma mais expressiva para o atingimento das metas nacionais, desenvolvendo a sua atividade com total empenho e transparência, contribuindo, naquilo que está ao seu alcance, para a melhoria continua do sistema, contando para tal com o apoio dos seus produtores aderentes, com os seus pontos de recolha, fornecedores, e claro, com o das autoridades que a tutelam. A promoção e ativação de ações e projetos que contribuam ativamente para estes objetivos é onde focamos os nossos esforços.

Como analisa a situação atual de Portugal em relação à UE no que respeita à reciclagem e recolha de EEE?

A esse respeito e tal como já referido, as metas são ambiciosas e infelizmente ainda estamos longe dos resultados desejados. Há naturalmente um compromisso por parte do setor, no sentido de ultrapassar as barreiras que nos impedem de avançar mais depressa, acima de tudo, com recurso a iniciativas que esclareçam e motivem a reciclagem deste tipo de equipamentos, que potenciem a circularidade neste segmento e combatam a literacia ambiental. Só fazendo este caminho, vamos conseguir encurtar as distâncias face às metas impostas a nível da UE.
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