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Nexus água-energia: o impacto da escassez de água no setor energético

Vanessa Faia, Técnica Especialista na ADENE – Agência para a Energia02/06/2023
Não teremos independência energética se não cuidarmos deste recurso comum precioso que é a água. Só gerindo adequadamente a água vamos conseguir produzir eletricidade na quantidade e nos momentos em que precisamos, minimizando o efeito da variabilidade natural de outras fontes renováveis como o sol e o vento, e melhor adequando a oferta à procura de energia.
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Portugal quer ser neutro em carbono até 2050, mas está a avaliar a possibilidade de antecipar a meta para 2045. Para que tal seja possível, foi desenvolvido o Plano Nacional Energia e Clima 2030 (PNEC2030) no qual estão previstos diversos objetivos e metas para o horizonte 2030, que incluem a descarbonização da economia nacional, incluindo a descarbonização do sistema electroprodutor e a promoção da eletrificação em todos os setores da economia, o reforço na aposta nas energias renováveis e redução da dependência energética do país e a diversificação das fontes e origens de energia para garantir a segurança no abastecimento.
O PNEC 2030 está atualmente em processo de revisão, visando a sua adaptação às metas cada vez mais ambiciosas de descarbonização, cujo cumprimento requer uma aceleração do processo de transição energética e climática.
Também o Plano da Comissão Europeia RepowerEU, que visa tornar a Europa independente da energia fóssil russa, veio reforçar a necessidade da aposta nas energias renováveis, acelerando a transição energética. Este plano surge como a rápida resposta da União Europeia à crise energética em consequência da invasão da Ucrânia pela Rússia e visa garantir o aprovisionamento de energia em toda a Europa, tornando os países independentes da energia russa. Para tal, é crucial que toda a Europa trabalhe em conjunto para assegurar a segurança do aprovisionamento de gás, coordenando aquisições conjuntas de gás, diversificando os seus fornecedores e limitando a volatilidade dos preços, e para aumentar a produção de energia renovável na Europa.
Com a aposta na eletrificação, em particular no setor da mobilidade, prevê-se que o consumo de eletricidade venha a aumentar, o que reforça a importância da descarbonização do sistema electroprodutor. Para a descarbonização deste setor, é necessário reforçar a produção de eletricidade renovável que, em Portugal, provém principalmente de energia hídrica, seguindo-se a energia eólica.
A maior vulnerabilidade associada à produção de energia hidroelétrica tem sido a ocorrência de eventos climáticos extremos como secas, que levam à escassez de água e, consequentemente, à suspensão da produção de eletricidade nas barragens. Desde o início do século foram registadas secas meteorológicas severas nos períodos de 2004 a 2006, 2011 a 2012, 2015, 2017 a 2018, 2019 e 2022, tendo as de 2005 e 2017 sido as mais graves (IPMA), e o seu efeito foi visível na produção de energia hidroelétrica, em particular nos anos de 2005, 2012 e 2017 (Figura 1).
Em 2022 foi também visível o impacto da escassez de água na produção hidroelétrica, em particular no primeiro semestre do ano, com especial impacto nos meses de fevereiro e março que registaram uma redução da produção de energia hidroelétrica de 40% e 28%, respetivamente, face ao período homólogo de 2021. Esta redução levou à diminuição de produção de eletricidade com recurso a fontes renováveis de 59,5% em 2021 para 49,3% em 2022 e, consequentemente, ao aumento do consumo de energia não renovável, em particular de gás natural.
Figura 1 - Produção de energia hidroelétrica ao longo dos últimos 22 anos

Figura 1 - Produção de energia hidroelétrica ao longo dos últimos 22 anos.

Prevê-se que as situações de seca se venham a agravar e a tornar-se mais frequentes nos próximos anos devido às alterações climáticas e à crescente competitividade pela água. Esta situação dificulta a descarbonização e a garantia de segurança no abastecimento, no que à energia hídrica diz respeito. Para atingir as metas de descarbonização é, assim, essencial diversificar as fontes de energia de forma a não estar tão vulnerável a secas.
Importa deixar claro que não teremos independência energética se não cuidarmos deste recurso comum precioso que é a água. Só gerindo adequadamente a água vamos conseguir produzir eletricidade na quantidade e nos momentos em que precisamos, minimizando o efeito da variabilidade natural de outras fontes renováveis como o sol e o vento, e melhor adequando a oferta à procura de energia.
Se, para isso, a gestão da oferta de água é fundamental, não menos importante é a gestão da procura, pois ao reduzirmos o consumo de água estaremos também a reduzir a pressão sobre este recurso, garantindo a sua disponibilidade para todos os setores. Para garantir a disponibilidade de água para a produção de energia hidroelétrica é necessário apostar na eficiência hídrica, reduzindo assim desperdícios e aumentando a disponibilidade deste recurso.
Estando ciente das sinergias entre os recursos água e energia, a ADENE enquanto Agência Nacional para a Energia, tem vindo a trabalhar intensamente a área da eficiência hídrica e nexus água-energia, tendo reforçado o seu contributo nesta área com o AQUA+® (www.aquamais.pt). A Classificação da Eficiência Hídrica de Edifícios AQUA+ é uma metodologia nacional, única, que permite a avaliação, classificação e melhoria do desempenho dos edifícios no uso da água (e energia associada), orientando o setor da construção para escolhas e soluções mais eficientes.
Esta metodologia encontra-se disponível para edifícios residenciais e para hotéis e alojamentos locais, estando em estudo a sua adaptação a edifícios de comércio e serviços. Só no setor do turismo, o AQUA+® tem um potencial de poupança anual de 3,7 mil milhões de litros de água, considerando todo o universo de empreendimentos turísticos em Portugal. Isto é suficiente para suprir o consumo de água de Alenquer, cujas necessidades hídricas são suprimidas pela Barragem de Castelo de Bode, uma das barragens cuja produção de energia hidroelétrica foi suspensa em 2022. Ao promover a utilização da água na medida certa, o AQUA+ contribui para o aumento da disponibilidade hídrica para outros fins, incluindo a produção de energia e a agricultura.
O foco no nexus água-energia e a visão integrada destes recursos desempenha assim um papel importante na redução da vulnerabilidade do setor energético às alterações climáticas e efeitos da seca. Só com esta pespetiva integrada seremos capazes de cumprir com o objetivos de descarbonização, de diversificação e de segurança no abastecimento energético.

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