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Informação profissional do setor das instalações em Portugal

casA’s+ passivas

12/07/2023
Em Portugal, assim como noutros países na Europa, a importância e preocupação referente à eficiência energética nos edifícios tem crescido nos últimos anos. Nesse sentido têm sido implementadas diversas políticas e programas de incentivos com o objetivo de melhorar a eficiência energética das habitações portuguesas.
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Atualmente, grande parte do parque edificado nacional, em especial as habitações mais antigas, é constituído por casas que apresentam um baixo nível de eficiência energética. Caracterizam-se por um elevado consumo de energia para climatização, iluminação e uso de outros sistemas que, como resultado de um isolamento insuficiente ou inexistente e da utilização de janelas e portas ineficientes e mal vedadas, representa um custo significativo no orçamento familiar para manter o conforto na habitação.

Rita Sargento, Técnica Especialista da ADENE – Agência para a Energia

Rita Sargento, Técnica Especialista da ADENE – Agência para a Energia

Assim, e de forma a tentar inverter esta curva de ineficiência energética nas habitações, é cada vez mais premente uma consciencialização geral da importância dos elementos construtivos, dos componentes e dos próprios métodos de construção para a eficiência energética, melhorando a qualidade de vida dos ocupantes e reduzindo as emissões de gases com efeito estufa associadas ao uso dos edifícios.

A construção sustentável, através de uma visão inovadora, tem vindo a ganhar grande relevância no setor da construção, apresentando novos conceitos e abordagens arquitetónicas. Entre essas abordagens, destacam-se as “casas passivas”, uma mudança na forma como projetamos e construímos as nossas habitações, com o objetivo de reduzir o consumo de energia e minimizar o impacto ambiental da construção.

Em que consiste o conceito “casas passivas”?

As casas passivas são edifícios energeticamente eficientes projetados para reduzir significativamente o consumo de energia, proporcionando um ambiente interior confortável e saudável para os seus ocupantes. O conceito de “Passivhaus”, com origem na Alemanha, na década de 1990, rapidamente se espalhou por toda a Europa e pelo mundo. O termo “passiva” refere-se a casas que podem alcançar um nível de conforto térmico e de qualidade do ar interior excecionais sem a necessidade de utilização de sistemas energéticos convencionais (ativos, ie, consumidores de energia) para aquecimento ou arrefecimento. Com a aplicação deste conceito nos edifícios é possível quebrar o círculo vicioso de consumos energéticos para aumentar o conforto em casas ineficientes.

Este círculo vicioso traduz-se no acréscimo das necessidades de aquecimento e arrefecimento das habitações, que implica a utilização de equipamentos de climatização, aumentando o consumo de energia associado aos edifícios. Esse aumento de consumo obriga a uma maior produção de energia, que se não puder ser suprida por fontes renováveis, contribuirá para o crescimento de emissões de gases com efeito de estufa, o agravamento do aquecimento global e consequente subida das temperaturas médias da terra.

Com as contínuas variações de temperatura, e com o aumento dos picos mínimos e máximos de temperatura, as habitações que apresentem fracas características de eficiência energética, proporcionarão menos conforto com necessidades energéticas cada vez maiores, contribuindo para a perpetuação deste ciclo.

Uma das principais características das casas passivas é o elevado nível de eficiência energética. As casas são projetadas para minimizar as perdas, maximizar os ganhos de energia e aproveitar as condições climatéricas locais, reduzindo a necessidade de sistemas ativos e respetivos consumos de energia. Uma casa que reúna estas características apresenta uma boa qualidade do ar e elevados níveis de conforto para os seus habitantes, está em linha com o conceito de “casa passiva”.

Quais são os seus princípios?

De acordo com a Passivhaus1, o conceito baseia-se na correta conceção arquitetónica com a combinação de isolamento térmico de alta qualidade, eliminação de pontes térmicas, estanquidade ao ar, uso de janelas e portas altamente eficientes e controlo da ventilação. A conceção arquitetónica das casas desempenha um importante papel inicial na construção de uma habitação: desde a orientação da própria casa, com o objetivo de otimizar a utilização da luz solar, fornecendo um aquecimento passivo durante os meses de inverno e minimizando o aumento de temperatura interior no verão, à escolha mais acertada dos materiais utilizados na construção da habitação em termos de isolamento das fachadas e vãos envidraçados, minimizando as perdas térmicas e maximizando os ganhos quando estes são mais necessários.

Mas podemos transformar as nossas casas em “casas passivas”?

A construção sustentável, mais concretamente a construção de “casas passivas”, desempenha um importante papel na redução da pegada ambiental, assim como na sua renovação. O conceito não está unicamente ligado às novas construções, sendo possível, através da implementação de intervenções e soluções adequadas, aproximar uma casa existente do conceito de “casa passiva”.

Neste âmbito, uma das áreas de maior importância é o isolamento térmico, pois este é fundamental para reduzir a transferência de calor entre o interior e o exterior da casa, garantindo uma temperatura confortável em todas as estações do ano e, desta forma, diminui a necessidade de consumo de energia para climatização.

Outra área muito importante é a estanquicidade das habitações. Através da selagem de todas as juntas, pontos fracos e conexões, será possível reduzir as infiltrações de ar não controladas e não desejadas, para evitar as perdas de calor e ajudar a manter uma temperatura interior confortável. Esta estanquicidade das casas tem de ser acompanhada pela aplicação de uma ventilação controlada e eficiente para manter a qualidade do ar interior nas casas passivas.

Um elemento-chave na renovação energética das habitações convencionais para as transformar em “casas passivas” é a instalação de portas e janelas eficientes. Estes elementos devem conferir o nível máximo possível de eficiência energética, de forma a minimizar a transferência de calor entre o interior e o exterior da casa. Essas janelas altamente eficientes não só melhoram o conforto térmico, mas também proporcionam uma abundância de luz natural, reduzindo a necessidade de iluminação artificial durante o dia.

Como ter ajuda no processo de transformação de uma casa convencional numa “casa passiva”?

Em Portugal, a implementação e desenvolvimento da norma Passivhaus têm sido impulsionadas pela Associação Passivhaus (www.passivhaus.pt). Esta associação tem trabalhado para promover a adoção desta norma no país, fornecendo formação, divulgação e apoio técnico. A norma Passivhaus2 estabelece requisitos rigorosos de eficiência energética e desempenho térmico, e a sua implementação tem ganho cada vez mais destaque no setor da construção em Portugal. No caso do setor das janelas, o CLASSE+, sistema para etiquetagem energética de produtos da ADENE - Agência para a Energia, integra já várias empresas que dão resposta aos requisitos impostos pela Passivhaus, distinguindo os seus produtos com a etiqueta CLASSE+ e com a certificação da Associação Passivhaus.

Paralelamente, o Estado Português tem desempenhado um papel importante no apoio à implementação de soluções passivas. Através de programas como o Programa de Apoio a Edifícios Mais Sustentáveis (PAEMS) e o Programa de Apoio a Condomínios Residenciais (PACR)3, que têm disponibilizado apoios financeiros para a melhoria do desempenho energético das habitações existentes. Esses apoios são essenciais para tornar as soluções passivas mais acessíveis e incentivar a transição para uma construção mais sustentável em Portugal.

O Portal casA+ (www.portalcasamais.pt) da ADENE, assume desta forma um importante papel no apoio e orientação dos proprietários na aplicação de medidas de melhoria ativas e passivas, incluindo no âmbito de apoios financeiros, e na identificação de empresas aptas à sua implementação.

Ao proporcionar uma seleção de empresas qualificadas e janelas eficientes, as iniciativas referidas contribuem para que os recursos financeiros sejam direcionados de forma eficaz e eficiente, garantindo a obtenção dos resultados desejados em termos de eficiência energética e sustentabilidade.

Concluindo as “casas passivas” caracterizam-se como uma solução sustentável e económica no futuro da construção e renovação energética, contribuindo para o equilíbrio entre a eficiência energética, o conforto e a sustentabilidade das habitações portuguesas.

1-Principios PASSIVE HOUSE; http://www.passivhaus.pt/sobre?m=2

2- Reivindicar a Norma Passivhaus; http://www.passivhaus.pt/download/20190726_Reivindicar_a_Norma_Passivhaus_v.pdf

3- 04/C13-i01 - Programa de Apoio a Condomínios Residenciais; https://www.fundoambiental.pt/apoios-prr/c13-eficiencia-energetica-em-edificios/04c13-i012023.aspx

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