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É preciso olhar para a floresta

Carmen Lima*17/10/2023
A floresta é muito mais do que um aglomerado de árvores de diversas espécies. A floresta é uma “prestadora de serviços” à Humanidade!
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A floresta é um habitat carregado de vida, de recursos naturais, de mecanismos de absorção e limpeza do ar que respiramos, de sistemas que permitem a fixação da população em áreas mais remotas, de renovação dos ciclos biológicos, de carregamento dos lençóis freáticos, de controlo climático.
A floresta é o ponto de conversão ecológico e um dos pilares do equilíbrio terrestre. É fundamental que se olhe para a mesma e que se consiga observar a riqueza e as suas potencialidades numa análise transversal e sustentável.

Portugal possui uma vasta área arbórea, com características únicas, que nos permite retirar das mesmos benefícios ambientais, económicos e de desenvolvimento social. A floresta portuguesa possui qualidades que se ajustam às características climáticas, geológicas e ambientais.

A sua proteção é necessária, não é nenhuma novidade, por vezes esta frase é repetida tantas vezes que parece quase um “cliché”, porque ninguém se atreve a dizer que não protege a floresta, que não planta uma árvore, que não disfruta das suas qualidades.

A maioria dos efeitos provocados na floresta não são intencionais, como é o caso dos incêndios florestais. Segundo o Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), em 2022, registaram-se 9.701 ocorrências desta natureza, que resultou em mais de 106.639 hectares de área ardida.

Analisando estes números de acordo com os registos do ICNF e da sua investigação permite-nos verificar que a maioria destas ocorrências surgiram de forma não intencional e sem qualquer intenção criminal. Isto não significa que não existam atos de incendiarismo, muitos dos quais provocados por pessoas imputáveis. Na prática muitas das ocorrências são originadas por situações nas quais é perdido o controlo. Algumas destas situações resultam de queimadas de sobrantes agrícolas ou provenientes de limpezas de matos, queima ilegal de resíduos, mau uso de maquinarias e equipamentos elétricos, acidentes com transportes, queda de raios ou mesmo uma simples fogueira. Há uma errada sensação de que é possível controlar o fogo. Há uma falsa noção do risco do seu uso e das consequências quando se perde o controlo do mesmo, que podem ser catastróficos ou até mortais.
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Nos meses de junho, julho e agosto o risco de incêndio aumenta substancialmente. As amplitudes térmicas ao longo do dia podem ser grandes o que pode provocar o tal sentimento de “controlo”. Assim, quando se inicia qualquer uma das ações anteriormente descritas, num período de temperaturas reduzidas, poder do controlo perde-se ao longo da atividade.Este descontrolo, aliado ao natural aumento da temperatura diária, conduz a que estas situações simples possam atingir uma magnitude calamitosa.

A gestão florestal e a educação para o correto uso da floresta são fundamentais. Existem já várias campanhas de sensibilização que são veiculadas pelos meios de comunicação social e pelas redes sociais, mas um reforço da vigilância florestal é de extrema importância. Os vigilantes da floresta sempre foram, e deveriam voltar a ser, agentes de proteção deste património natural de extrema importância.

A descrição dos serviços que a floresta nos fornece, enquanto seres humanos que habitam este habitat global, deveriam ser comunicados, para que se compreendesse a sua importância, assim como a responsabilidade em gerir estes recursos com a atenção que estes requerem.

Se conseguíssemos mensurar estes serviços, quantificar e descrever do ponto de vista financeiro o que recebemos da floresta e o impacto financeiro que provocamos à floresta com estes atos, talvez a nossa responsabilidade e cuidado aumentasse.
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Por vezes olhamos para a natureza com algum romantismo, o que não está verdadeiramente errado. É capaz de não existir neste planeta nada mais bonito que os habitats diversos que a natureza nos oferece, os momentos, os cheiros, os reflexos, mas também os serviços que recebemos para viver e sobreviver com qualidade ambiental e proteção da nossa saúde. Mas devemos olhar para a natureza também com responsabilidade e respeito.

Vivemos num único habitat, todos os seres vivos, em equilíbrio de ciclos e sistemas, dando e recebendo de uma forma natural, beneficiando e retribuindo o bem que a natureza nos proporciona, a riqueza (em todas as dimensões) que a floresta nos fornece, que tenhamos a capacidade de a respeitar.
Um gesto inofensivo pode ser uma arma mortal, quando não o fazemos com a devida responsabilidade.
* Especialista Sénior em Sustentabilidade (Gestão de Resíduos e Ambiente)

Doutoranda em Engenharia do Ambiente no IST (investigadora na área do amianto)

Fundadora e Presidente da SOS AMIANTO - Associação Portuguesa de Proteção Contra o Amianto

Autora do livro “Não Há Planeta B: Dicas e Truques para um Ambiente Sustentável”

Conselheira do CES - Conselho Económico e Social, pela CPADA, em representação das Associações Nacionais de Defesa do Ambiente

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