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AVAC: o que esperar de 2024

Alexandra Costa09/02/2024

O papel do setor AVAC na descarbonização da economia, os desafios impostos pela regulação, com a diretiva F-gas e o imperativo de apostar na formação. Alguns dos temas abordados na conversa que O Instalador teve com Cláudia Casaca, presidente da EFRIARC.

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Como vê o mercado nacional de AVAC?

A indústria de AVAC&R está em constante desenvolvimento, mas as recentes decisões da UE quanto à descarbonização da economia vieram trazer um enorme impulso tecnológico e económico a este setor que nos vai obrigar a estar em permanente atualização, por forma a estarmos preparados para o que aí vem, que não vai ser pouco.

Por via do Objetivo 55, Portugal tem de atualizar as sua Metas, nomeadamente o Plano Nacional de Energia e Clima, havendo a necessidade de rever as metas a alcançar no que respeita às emissões de Gases com Efeito de Estufa (GEE) dos edifícios. Adicionalmente, o Roteiro para a Neutralidade Carbónica irá, com certeza, ser adaptado ao Objetivo 55.
Neste sentido a descarbonização da economia vai implicar a sua eletrificação, o que, na nossa indústria significa a substituição de caldeiras de água quente e vapor de água por bombas de calor de média, alta e muito alta temperatura, já com os fluidos frigorigéneos cumprindo com as metas da F-gas. Se esta substituição pode ser considerada como sendo algo facilitada para o mercado doméstico, nos mercados industrial, hoteleiro, da saúde, entre outros, a sua implementação vai exigir a elaboração de estudos do custo do ciclo de vida das instalações, que demonstrem aos donos de obra que o investimento será viável.
Aliado a isso também se tem a legislação F-gas que está cada vez mais limitativa na utilização de gases fluorados, com determinado Potencial de Aquecimento Global. O que a utilização dos fluidos sintéticos está a ser cada vez mais restritiva, e como solução tem surgido a utilização dos fluidos naturais, tais como o CO2, amoníaco e o propano. Com a transição para novos fluidos frigorigéneos, a indústria de AVAC irá sofrer várias alterações notáveis. Perante este cenário o nosso mercado nacional, como parte integrante do mercado Europeu, irá defrontar-se com novos desafios financeiros de modo a adaptar-se o mais rápido possível a esta mudança de paradigma que originará forçosamente a implementação de novos sistemas e/ou à atualização de sistemas existentes.
Cláudia Casaca, presidente da EFRIARC
Cláudia Casaca, presidente da EFRIARC

Quais os principais desafios do setor? E dos fabricantes? São os mesmos desafios sentidos pelos instaladores?

O grande desafio é aumentar a eficiência energética e simultaneamente descarbonizar, sendo o desafio encarado de forma díspar entre os vários intervenientes do setor. Ajustar os novos e exigentes desafios, através da concertação dos regulamentos nacionais baseados nas Normas Europeias, deverá garantir, até 2030 que todos os edifícios novos sejam considerados de emissões nulas e atingir todo um parque imobiliário com emissões zero até 2050.

Uma vez tomada a decisão de implementar projetos que proporcionem a descarbonização, vai ser necessário elaborar projetos de execução sustentados em soluções tecnológicas bem fundamentadas, atualizadas e viáveis, exigindo uma especial atenção por parte dos engenheiros que as irão desenvolver. O engenheiro projetista terá de se especializar mais, realizando cálculos cada vez mais pormenorizados, nomeadamente no sentido da eficiência energética e estudos de análise do ciclo de vida (Life-cycle analysis) para conseguir responder aos seus clientes relativamente à viabilidade dos seus projetos.
No caso das empresas de Instalação, terão de investir mais na formação específica dos seus colaboradores, nomeadamente em bombas de calor, pois são as que se perspetivam terem maior procura por parte do mercado. Esta formação deverá ser contínua de modo a acompanhar a transição dos fluidos frigorigéneos nos equipamentos que instalam e que contribuem negativamente para o efeito de estufa. Pelo seu lado os fabricantes deverão disponibilizar cada vez mais formação aos instaladores e apoio no pós-venda para que esta adaptação seja feita de forma célere e adequada à realidade.

O que podemos esperar para 2024?

O ano 2024 prevê-se ser um ano bastante exigente a nível regulamentar, o que irá impor um ritmo de resposta do mercado bastante rápido para que se comece a ir ao encontro das exigências de descarbonização e eficiência energética. Preveem-se grandes alterações legislativas no setor e teremos de estar preparados para conseguir dar resposta e contribuir para a melhoria de alguns aspetos do quadro legislativo, bem como contribuir para as metas nacionais no que se refere ao desempenho energético dos edifícios.

De modo a dar resposta a essas alterações a tecnologia de AVAC&R vai acelerar e exigirá aos técnicos do setor, mais concretamente aos engenheiros, uma adaptação e constante atualização com um ritmo ao qual não estamos acostumados. Adicionalmente, a falta de mão de obra, principalmente especializada, está a colocar em perigo a continuidade de muitas empresas, que não conseguem concretizar os projetos que têm em carteira por falta de equipas especializadas. Isso acontece em todos os níveis de atuação, desde a consultoria inicial até à gestão e manutenção pós-venda, sendo já um problema transversal a toda a economia europeia. Penso ser aqui que a EFRIARC pode ter um papel importante, proporcionando documentação tecnológica atualizada aos seus associados e ao setor em geral, organizando sessões tecnológicas de formação específica nos diversos campos em que esta atividade se baseia, disponibilizando consultoria quando tal seja necessário, bem como a formação dada no ensino superior deverá ter um papel preponderante para rejuvenescer o setor.

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