António Batalha, gestor da equipa Energia na Direção de Sustentabilidade e Mobilidade da ADENE
13/04/2026Abril de 2026 marca um novo ciclo de evolução do CLASSE+, enquanto sistema de etiquetagem energética de produtos da envolvente dos edifícios desenvolvido pela ADENE – Agência para a Energia. Num contexto estratégico, regulatório e de mercado, pautado por uma exigência crescente em matéria de descarbonização do edificado, o CLASSE+ afirma-se como instrumento estruturante para projetistas, instaladores, fabricantes e decisores públicos.
O novo ciclo do CLASSE+ em 2026 afirma-se também como um rótulo de sustentabilidade credível e transparente, gerido pela ADENE, para combater o ecobranqueamento e capacitar os consumidores com informação fiável sobre o desempenho e impacto ambiental dos elementos construtivos. O CLASSE+ reforça o alinhamento do país e do setor da construção com as exigências da Diretiva 2024/825, referente à capacitação dos consumidores para a transição ecológica através de uma melhor proteção contra práticas desleais e através de melhor informação.
Os dados oficiais do Sistema de Certificação Energética de Edifícios (SCE) demonstram a dimensão do desafio. Até abril de 2026 foram emitidos cerca de 2,35 milhões de certificados energéticos. A análise da distribuição por classes energéticas revela que:
Estes números confirmam que a maioria do parque certificado permanece distante dos níveis de excelência energética exigidos pelos objetivos de neutralidade carbónica para 2050.
Paralelamente, os Censos 2021 do Instituto Nacional de Estatística indicam que Portugal possui cerca de 3,6 milhões de edifícios, sendo que uma parte muito significativa foi construída antes de 1990, isto é, antes da entrada em vigor de requisitos térmicos exigentes. Este envelhecimento estrutural traduz-se em envolventes com fraco isolamento térmico, janelas com desempenho limitado e elevada vulnerabilidade ao sobreaquecimento.
Neste enquadramento, a melhoria da envolvente — janelas, sistemas de isolamento e soluções de controlo solar — é determinante para alterar estruturalmente estes indicadores. A experiência do SCE demonstra que intervenções na envolvente têm impacto direto na melhoria da classe energética e na redução das necessidades nominais de aquecimento e arrefecimento.
O alargamento do CLASSE+ constitui uma materialização direta da medida de ação 2.2.3 do Plano Nacional Energia e Clima 2021-2030 (PNEC 2030), que preconiza a afirmação e expansão da etiqueta energética como um instrumento simples e eficaz de comunicação entre o mercado e os consumidores relativamente à eficiência de elementos construtivos.
O SCE tem vindo a evidenciar um número crescente de edifícios penalizados pelo sobreaquecimento, sobretudo em centros urbanos e frações com elevada exposição solar. A adaptação às alterações climáticas exige soluções que reduzam ganhos solares excessivos sem comprometer a iluminação natural. As PCS assumem aqui um papel relevante, permitindo melhorar o conforto térmico e reduzir necessidades de arrefecimento, particularmente em edifícios existentes onde a substituição integral da janela não é viável.
No caso dos sistemas ETICS, a etiquetagem incide sobre o desempenho do sistema como um todo, valorizando a compatibilidade entre componentes e a correta aplicação em obra. Num país onde as classes C, D e E continuam a ser predominantes, o reforço do isolamento exterior constitui uma das medidas com maior potencial de melhoria da classe energética, redução de perdas térmicas e mitigação de patologias associadas a pontes térmicas.
A etiquetagem destes produtos permite quantificar e comunicar de forma objetiva o contributo técnico de cada solução para a melhoria do desempenho global do edifício, reforçando a transparência e a confiança no mercado.
Ao alargar o seu âmbito a novos produtos da envolvente, como as películas de controlo solar e os sistemas ETICS, o CLASSE+ alinha-se rigorosamente com o objetivo estratégico de dar prioridade à eficiência energética e de privilegiar a reabilitação térmica do edificado nacional.
Importa, contudo, sublinhar que a melhoria do desempenho declarado só se traduz em melhoria real com qualificação adequada dos intervenientes: um bom produto só o será verdadeiramente se for bem prescrito e bem instalado/aplicado. O CLASSE+ formou já cerca de 400 prescritores de janelas e mais de 700 instaladores de janelas, promovendo boas práticas de especificação, dimensionamento e instalação. Este modelo será agora replicado para PCS e sistemas de isolamento, garantindo coerência entre projeto, produto e execução.
A formação especializada contribui para reduzir erros de aplicação, assegurar desempenho efetivo e reforçar a qualidade global da atividade das empresas. Num setor onde a execução em obra é determinante, esta capacitação é um fator crítico de sucesso.
Importa igualmente referir que a classe A+ passa a refletir um nível de exigência superior, alinhado com a evolução das soluções construtivas e com as metas de descarbonização do edificado, sem prejuízo das soluções de bom desempenho que já hoje se classificam na classe A e que continuam a representar níveis elevados de eficiência energética no contexto do mercado nacional.
Passam a ser incluídos indicadores associados à sustentabilidade, nomeadamente informação relativa à energia incorporada e ao carbono incorporado nos materiais. Esta evolução está alinhada com a crescente relevância da avaliação do ciclo de vida dos produtos de construção, com os critérios ESG e com o enquadramento da taxonomia europeia para atividades sustentáveis.
Adicionalmente, são introduzidas classes de resistência ao vento e à intrusão, reforçando a dimensão da segurança e da durabilidade. Em zonas costeiras ou de maior exposição climática, esta informação é determinante para garantir robustez e desempenho ao longo do tempo. Para projetistas, significa maior rigor na especificação; para instaladores, traduz-se em melhor argumentação técnica e diferenciação no mercado.
A nova etiqueta não é apenas mais informativa; é mais completa, mais alinhada com as exigências atuais e preparada para responder à evolução do setor.
A nova interface permite uma navegação mais clara e processos mais ágeis, reduzindo o tempo administrativo associado à emissão das etiquetas e facilitando o acompanhamento do portefólio de produtos classificados por parte das empresas. Foram igualmente reforçados os mecanismos de validação e organização da informação técnica, contribuindo para maior rigor documental e para uma melhor consistência dos dados disponibilizados ao mercado.
Paralelamente, a digitalização da plataforma reforça a rastreabilidade das soluções etiquetadas e abre caminho a futuras integrações com ferramentas digitais do setor, nomeadamente modelos BIM e sistemas de gestão de informação do edifício, facilitando a utilização destes dados ao longo do ciclo de vida do projeto e da construção. Desta forma, a plataforma não só simplifica a operação para os utilizadores atuais, como prepara o sistema para responder às exigências crescentes de transparência, interoperabilidade e gestão digital da informação técnica no setor da construção.
A atualização do CLASSE+ em 2026 responde de forma sólida às exigências da Diretiva (UE) 2024/825, reforçando a proteção dos consumidores através de informação clara e fiável. O sistema renovado combate o ecobranqueamento, alarga o seu âmbito a novos sistemas como ETICS e películas de controlo solar, e integra indicadores de sustentabilidade como o carbono incorporado. Assim, garante um rótulo credível que evita alegações ambientais vagas e permite comparar, de forma objetiva, o contributo técnico de cada solução para a neutralidade carbónica do edificado e posiciona se como plataforma credível para reforçar a proteção do consumidor e o mercado dos produtos energéticos.
Os programas de financiamento público e privado orientados para a renovação energética de edifícios — incluindo avisos do PRR, do Banco Português do Fomento, bem como os do futuro Fundo Social para o Clima — exigem cada vez mais comprovação objetiva do desempenho das soluções instaladas.
A existência de uma etiqueta técnica normalizada facilita a:
Num contexto em que cerca de dois terços dos edifícios certificados continuam abaixo da classe B, a aceleração da melhoria do parque edificado depende de instrumentos que articulem mercado, associações setoriais, empresas e consumidor final. O CLASSE+ serve como plataforma de convergência dessa articulação.
Mais soluções, ao integrar novos produtos críticos da envolvente e capacitar o respetivo mercado.
Melhor informação, ao reforçar as dimensões da sustentabilidade e segurança nas etiquetas.
Perante um parque edificado envelhecido, a transformação estrutural exige instrumentos simples, transparentes e tecnicamente robustos. O CLASSE+ posiciona-se como um desses instrumentos, contribuindo para edifícios mais eficientes, mais resilientes, mais seguros e alinhados com os objetivos de neutralidade carbónica.



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