De senso comum, mesmo para quem não está familiarizado as questões técnicas da segurança e ergonomia, diríamos que deve ser cómodo, na adaptação aos movimentos dos pés, eficaz (adequado aos riscos a proteger), prático para utilização prolongada, robusto para resistir às solicitações, eficaz na proteção e de fácil limpeza e conservação, isto para alem de obedecer a características e requisitos confiáveis
O calçado de segurança classifica-se em categoria I no caso de ser constituído por corte em pele e outros materiais, exceto borracha e poliuretano e na categoria II para o calçado em borracha, poliuretano ou PVC, através de processos de vulcanização ou moldagem por injeção.
No calçado com a classificação I, são quatro as subcategorias de proteção, e duas para a classificação II. Estas são ainda designadas pelas letras S (segurança), P (proteção) e O (ocupacional) consoante o nível conformidade.
Quanto aos níveis de proteção associados às categorias referidas, podem ser para a categoria - B, 1, 2, 3 I e para a classificação II - B, 4 e 5, a que associam as letras referidas.
Os códigos SRA, SRB ou SRC, identificam a resistência e ao escorregamento.
O calçado poderá considerar características de proteção adicionais de vários níveis de segurança, por letras ou conjunto de letras, consoante a proteção, a inscrever na etiqueta, cujos símbolos comuns são:
São três as principais normas que segundo os requisitos aplicáveis nos mostram qual o nível de segurança que o calçado pode proporcionar, o que constitui uma preciosa ajuda para quem necessita de os aprovisionar e distribuir ao utilizador:
A. A Norma EN ISO 20345:2022 - calçado de segurança com a inclusão da resistência ao deslizamento como requisito básico. (Identificação - S (SB, S1, S2, S3, S4, S5)
Requisitos Básicos (Categoria SB)
1. Biqueira de proteção: Resistência ao impacto de 200 Joules e compressão de 15 kN.
2. Resistência ao deslizamento: Agora é obrigatória (teste em cerâmica com sabão), sem marcação adicional.
3. Qualidade dos materiais: Requisitos de inocuidade, ergonomia e conforto.
O calçado certificado com estas especificações será para considerar de utilização obrigatória em contextos industriais e profissionais onde existam riscos importantes e severos de quedas de objetos, perfurações ou escorregamentos.
B. A Norma EN ISO 20346:2022 - calçado de proteção de uso profissional, com biqueira de segurança para risco moderado (proteção contra os choques de energia máxima equivalente a 100 Joules e contra um esmagamento de 10 kN.) - P (PB, P1, P2, P3, P4, P5)
Requisitos Básicos (PB)
1. Altura do calcanhar fechada (exceto sandálias);
2. Propriedades de resistência ao deslizamento;
3. Resistência à abrasão, permeabilidade ao vapor de água e rigidez dos materiais.
Menos exigente na especificação que a norma ISO 20345, o calçado de segurança segundo esta norma é usado em setores de atividade onde é necessária proteção básica dos dedos dos pés como logística, manutenção, indústria leve, serviços e armazéns, onde há risco de pequenos impactos e escorregões, mas não de objetos muito pesados caindo sobre os pés.
C. A Norma EN ISO 20347:2012 - calçado de trabalho para uso ocupacional, sem riscos de esmagamento ou impactos mecânicos severos nos pés – Identificação O (O1, O2, O3)
Requisitos Básicos (Categoria OB)
1. Sem biqueira de proteção: Sem resistência a impactos na ponta do pé;
2. Resistência ao deslizamento (antiderrapante): Cumprir um dos níveis (SRA – cerâmica com detergente, SRB - aço com glicerina ou SRC – combinação dos dois);
3. Inocuidade e durabilidade: Garantia de materiais adequados ao uso sem toxicidade;
4. Antiestático: Proteção contra descargas eletrostáticas, ideal para ambientes eletrónicos;
5. Impermeabilidade à penetração e absorção de Água: ambientes húmidos.
Este tipo de calçado é projetado para ambientes onde o conforto, a resistência ao deslizamento e a proteção contra riscos menores são essenciais, por exemplo restauração e hotelaria (cozinhas, restaurantes e hotéis, onde é necessário sola antiderrapante para pavimentos escorregadios e conforto prolongado), setor da saúde (hospitais, clínicas, laboratórios e farmácias, exigindo calçado higiénico, confortável e, muitas vezes, antiestático), ambientes de limpeza e manutenção, com presença de água, produtos de limpeza e necessidade de aderência, indústria ligeira e serviços, onde não há risco de queda de objetos pesados sobre os pés, mas carece de conforto é prioritário, áreas de logística e armazéns de baixo risco mecânico ou circulação pedonal e trabalhos no exterior que exigem proteção contra humidade, água e frio.
A combinação do calçado correto com o(s) ambiente(s) onde vai ser utilizado deve ser antecedida de um estudo do posto de trabalho, que atenta às evoluções tecnológicas, das propriedades dos materiais de fabrico, em função do uso exposição prevista (chuva, sol, pó e por efeito da transpiração), e desta forma a aferir os riscos a que o trabalhador está exposto, processo onde é essencial ter em conta o conhecimento e experiência deste.
Para uma escolha adequada, devem ser combinados os seguintes fatores:
Os calçados de proteção contra impactos, são projetados para absorver e minimizar os impactos nos pés, evitando lesões causadas por quedas de objetos pesados ou colisões em ambientes de trabalho, criando desta forma um sistema de defesa em várias camadas.
As classes mais comuns de acordo com a norma, são:
Particularmente no calçado de segurança resistente a impactos e compressão baseia-se num sistema de gestão e dissipação de energia.
A biqueira de proteção não “resiste” apenas ao impacto, mas absorve, redistribui e limita tensões, protegendo os dedos por controlo da deformação, mitigando o trauma mecânico direto de cima e de frente.
Na queda de um objeto sobre a biqueira a energia potencial daí resultante é:
E (energia potencial) = m (massa).g (gravidade).h(altura de queda)
O requisito clássico de resistência ao impacto de 200 J (massa com 20 kg de uma altura de cerca de 1m) para calçado de segurança (safety footwear).
No impacto, esta energia converte-se em:
A estrutura de geometria arqueada da biqueira atua como casca estrutural que armazena parte da energia, evitando concentrações de tensão.
Os materiais mais comuns para a biqueira são o aço, o alumínio, os compósitos não metálicos. Já os materiais para fabrico das restantes partes do calçado são o cabedal, o couro, o nobuck, a microfibra e as malhas técnicas, entre outros.
O requisito clássico é resistência a impacto de 200 J (massa com 20 kg de uma altura de cerca de 1m) para calçado de segurança (safety footwear).
A sola por sua vez garante a tração necessária para manter o equilíbrio corporal, abordando efetivamente os dois riscos industriais mais comuns, lesões por esmagamento e acidentes por escorregões e quedas.
Para determinar a resistência à compressão de materiais da sola utiliza-se o ensaio de compressão quase estático:
σ (Tensão de compressão) = F (força aplicada - N) /A (área da secção da amostra - mm2)
Para sola são materiais comuns a borracha nítrílica, o poliuretano termoplástico (TPU) ou simples, a espuma vinílica acetinada (EVA) associada à borracha.
Nesta a proteção a absorção ao impacto resulta da geometria da deformação controlada, da distribuição da carga, da absorção pela sola e da estrutura do calçado.
Uma sola antiderrapante cria atrito para caminhar com segurança em pisos lisos, polidos ou irregulares mantendo a tração na posição do pé no chão.
Para alcançar esse atrito, as solas frequentemente dependem do seu design específico, do material da sola e do tipo de piso.
A resistência ao atrito (ou resistência ao deslizamento) da sola em calçado de segurança não é calculada por uma única fórmula teórica simples, mas sim determinada através de ensaios laboratoriais normalizados (normas EN ISO 20345 e EN ISO 13287)
O parâmetro medido é o Coeficiente de Atrito(μ), que é a relação entre a força de atrito e a força vertical (peso) aplicada, que é dada pela fórmula:
μ (Coeficiente de atrito) = F (força de atrito) / N (força normal)
Os sulcos com padrões hexagonais ou circulares, são projetados para deslocar fluidos como água ou óleo, sendo que os sulcos profundos em borracha de alta qualidade permitem que o sapato adira efetivamente a superfícies oleosas ou molhadas, evitando a aquaplanagem.
A proteção contra perfurações, ou penetrações, visa garantir a segurança em ambientes industriais e de construção, prevenindo lesões por objetos pontiagudos como pregos, parafusos, pontas metálicas, limalhas e pedaços de vidro ou outros objetos pontiagudos.
Este calçado funciona por incorporação de uma placa protetora na entressola, ou seja, entre a sola e a palmilha de conforto, da bota ou sapato, formando um escudo físico, que obsta a que os objetos pontiagudos penetrem e causem ferimentos.
De acordo com a norma as classes mais comuns são:
Tem como principais características típicas:
Às quais se podem associar outras em função da classe:
O material tradicional e mais confiável para a palmilha resistente à perfuração é o aço inoxidável ou aço mola, o que lhe confere elevada resistência à perfuração, a durabilidade, ainda que possam ganhar rigidez, redução de flexibilidade, peso, ser condutoras de calor e frio, e sensibilidade a detetores metálicos, o que pode condicionar ou inviabilizar ao seu uso possa causar menor flexibilidade,
Em alternativa podem ser usados têxteis, como tecidos multicamada, compostos híbridos (aramida e fibras de vidro ou resinas), polietileno (alto peso molecular) de alta performance, mais leves, flexíveis, isolantes, confortáveis, porém mais dispendiosos.
A ergonomia no calçado de segurança combina proteção com conforto e utiliza estudos de biomecânica para reduzir a fadiga e lesões.
São desenvolvidos com materiais e tecnologias para o seu uso durante as longas jornadas de trabalho, reduzindo a fadiga e o desconforto e foca-se em amortecimento, leveza, suporte de arco, flexibilidade e ventilação.
Principais elementos de ergonomia e conforto que são considerados:
Estes fatores são essenciais e estão disponíveis nas diversas linhas profissionais, com opções para diferentes áreas e intensidades de trabalho, até porque quando se trata de calçado de segurança um modelo padrão não serve para todos.
Legislação aplicável ao calçado de segurança em Portugal
Deixa-se aqui a legislação nacional em vigor sobre as disposições legais relativas ao calçado de segurança:




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