A Tektónica 2026 voltou a afirmar-se como ponto de encontro do setor da construção, reunindo empresas, profissionais e decisores num ambiente marcado pela inovação, pela atividade comercial e pela crescente ligação ao imobiliário, através da realização conjunta com o Salão Imobiliário de Portugal (SIL).
Ao longo de três dias, a Feira Internacional de Lisboa recebeu milhares de visitantes, num ritmo constante de contactos, reuniões e apresentações. Os corredores cheios e os espaços expositivos ativos refletiram um setor que continua a crescer e a adaptar-se a novas exigências.
A edição deste ano contou com cerca de 400 empresas e mais de 39 mil visitantes, números que traduzem um aumento significativo face à edição anterior. A presença de empresas de 15 países reforçou a dimensão internacional do evento, com destaque para o mercado espanhol.
Em paralelo, a realização conjunta com o SIL ampliou o alcance da feira, aproximando construção e imobiliário e reforçando o seu papel enquanto plataforma de negócio e networking.
Mais do que uma montra de produtos, a feira mostrou um setor em transformação. A eficiência energética, a eletrificação dos sistemas e a integração de soluções foram temas recorrentes nos vários espaços visitados.
As empresas apresentaram propostas cada vez mais completas, combinando climatização, ventilação, produção de energia e controlo inteligente. A lógica de sistema integrado ganha terreno, acompanhando as exigências das novas construções e a necessidade de maior desempenho energético.
A inovação esteve presente de forma transversal, não apenas nos equipamentos, mas também nos processos construtivos e nos materiais utilizados, refletindo uma evolução contínua do setor.
A Tektónica mantém uma característica que os participantes continuam a valorizar: o contacto direto. A possibilidade de ver equipamentos em funcionamento, discutir soluções técnicas e reforçar relações comerciais continua a ser um dos principais fatores de atração.
Como referiu José Paulo Pinto, gestor coordenador do evento, “os resultados desta edição confirmam uma trajetória sólida de crescimento”, consolidando a Tektónica como uma plataforma essencial para o desenvolvimento do setor.
Com nova edição já agendada para abril de 2027, a Tektónica mantém-se como um barómetro do setor, refletindo tendências, desafios e oportunidades num mercado em evolução contínua.
Prémio Tektónica Inovação 2026
A inovação voltou a estar em destaque com 63 candidaturas ao Prémio Tektónica Inovação.
Projetos distinguidos:
Menções honrosas:
A Midea, representada em Portugal pela SGT, destacou na Tektónica soluções integradas para o setor residencial, acompanhando a transição dos sistemas a gás para equipamentos elétricos.
Segundo Paulo Bessa, o mercado da habitação continua em forte crescimento, impulsionado pela procura e pelo aumento do investimento. “Hoje o mercado de habitação em Portugal está em grande expansão”, afirmou, sublinhando que esta dinâmica está a acelerar a adoção de novas soluções tecnológicas.
Entre as principais tendências, destaca-se a substituição de sistemas tradicionais por bombas de calor. “Há uma transição dos sistemas a gás para os sistemas elétricos”, referiu, apontando, no entanto, desafios associados à instalação destes equipamentos nos edifícios.
Neste contexto, a Midea apresentou o sistema Multi-split CirQHP, uma solução completa que disponibiliza aquecimento, arrefecimento, água quente sanitária e recuperação de calor. “É uma solução completamente diferente do que existe no mercado”, explicou, destacando uma das principais vantagens: “Se a pessoa usar o ar condicionado a fazer frio ou a fazer calor, vai ter água quente de forma gratuita.”
De acordo com o responsável, esta integração permite ganhos ao nível da eficiência e da instalação. “É como se fosse uma máquina interior de ar condicionado, fácil de montagem”, referiu, acrescentando que o sistema pode substituir outras soluções mais complexas, como instalações solares térmicas em edifícios.
A aceitação do mercado tem sido positiva, ainda que com necessidade de adaptação por parte dos profissionais. “O mercado não estava habituado a isto”, admitiu, explicando que a integração de sistemas tradicionalmente separados levanta novas abordagens ao nível do projeto e instalação.
No plano geral, Paulo Bessa considera que o setor atravessa um momento favorável. “O mercado continua a crescer”, afirmou. Ainda assim, identifica a falta de mão de obra como o principal constrangimento. “Todas as empresas precisam de pessoas para trabalhar”, sublinhou.
A Be Air marcou presença na Tektónica com a apresentação da sua marca própria de ar condicionado, reforçando a estratégia de posicionamento no setor da climatização.
Em declarações durante o evento, Sílvia Nogueira destacou a novidade levada à feira: “Este ano trouxemos a nossa marca própria de ar condicionado. Estamos a expor.” A receção do mercado tem sido positiva, ainda que recente. “Colocámos há pouco tempo no mercado, mas já está a ter bastante adesão”, afirmou.
O início de 2026 foi marcado por alguma instabilidade, associada às condições climatéricas e ao contexto internacional. “Começou um pouco mais devagar, sentimos isso com as intempéries, mas atualmente o negócio já retomou a normalidade”, explicou.
A responsável admite que o cenário geopolítico tem impacto direto na atividade, sobretudo ao nível dos custos. “Sentimos, claro. Tudo encareceu, os transportes sobretudo”, referiu, acrescentando que a dependência de fornecimentos externos agrava a situação. “Estamos inevitavelmente a comprar mais caro devido aos custos de transporte, o que depois se traduz no preço ao cliente.”
Apesar disso, a empresa tem procurado conter os impactos no mercado. “Ainda não implementámos grandes mudanças a nível de preço, mas é um desafio”, sublinhou.
Relativamente à participação na feira, as expectativas mantêm-se positivas. “Esperamos que isso reflita, a curto ou longo prazo, em mais negócio”, afirmou, destacando também a importância do contacto direto com clientes. “É uma oportunidade de rever clientes e também de angariar novos.”
A France Air apresentou uma estratégia centrada no alargamento do portefólio, com novas soluções para os segmentos industrial e residencial.
De acordo com Vítor Gomes, diretor de compras & marketing da France Air, a principal novidade passa pelo reposicionamento da oferta da empresa. “A grande novidade foi o posicionamento ao nível das marcas”, afirmou, explicando que a empresa tem vindo a reforçar a presença em diferentes áreas de negócio. Após edições anteriores mais focadas no residencial, a France Air trouxe este ano também soluções industriais. “É a primeira vez que estamos a trazer estas áreas para a Tektónica, para mostrar aos clientes”, referiu.
Entre os destaques está um equipamento de última geração, baseado numa solução de bomba de calor a quatro tubos com fluido frigorigéneo R290. “Permite fazer temperaturas de água bastante elevadas, até aos 73 graus Celsius”, explicou, sublinhando o potencial da tecnologia para aplicações em hotéis e hospitais. “Permite, por exemplo, termos AQS de forma muito eficiente em edifícios com grandes necessidades de arrefecimento.”
Na área hospitalar, a empresa apresentou também atualizações nas unidades de tratamento de ar para ambientes higiénicos. “Trouxemos uma unidade que cumpre a norma obrigatória para blocos operatórios em Portugal”, destacou.
No segmento residencial, a France Air evidenciou soluções de bombas de calor, incluindo uma unidade com tecnologia R290 que dispensa unidade exterior. “É uma solução com aplicação totalmente interior”, referiu. A empresa apresentou ainda sistemas VRF, uma área de negócio que está agora a introduzir.
Relativamente ao desempenho do mercado, Vítor Gomes sublinha a continuidade da dinâmica positiva dos últimos anos. “O mercado vai com bastante inércia, muito animado”, afirmou, acrescentando que, apesar da pressão sobre os preços, “não sentimos nenhuma disrupção”. A empresa mantém, por isso, uma perspetiva otimista: “Estamos confiantes que vai ser um bom ano.”
Ricardo Martins, regional head of business para a Península Ibérica da Samsung Climate Solutions.
A Samsung apresentou uma proposta centrada na integração tecnológica e na gestão eficiente dos consumos domésticos, com foco no conceito de casa inteligente.
No espaço da marca, Ricardo Martins, regional head of business para a Península Ibérica, explicou que a participação deste ano reforça uma abordagem integrada ao setor dos edifícios. “Reforçámos aqui a nossa presença na feira com o conceito de solução global para edifícios e casas, numa perspetiva de casas inteligentes”, afirmou. A solução reúne diferentes áreas tecnológicas, desde climatização a eletrodomésticos e equipamentos de mobilidade.
Segundo o responsável, o objetivo passa por facilitar “a transição de uma casa normal para uma casa conectada”, permitindo ao utilizador gerir de forma centralizada os equipamentos e os consumos energéticos. “Permite fazer a gestão não só dos eletrodomésticos, mas de todos os equipamentos que têm dentro de casa, nomeadamente os que consomem mais energia”, referiu.
A aposta na inteligência artificial é outro dos pilares desta estratégia. “Os nossos equipamentos têm inteligência artificial, vão aprendendo com a nossa forma de utilização”, explicou, destacando o impacto desta tecnologia na otimização de rotinas e na eficiência energética.
Num contexto marcado pela subida dos custos da energia, Ricardo Martins considera que estas soluções ganham relevância. “É também quando vemos mais oportunidades, nomeadamente para soluções que nos permitem controlar melhor os nossos custos”, sublinhou.
Entre as novidades apresentadas na feira, a Samsung evidenciou novos sistemas de climatização com bombas de calor, que conjugam aquecimento ambiente e águas quentes sanitárias na mesma unidade, com recuperação de calor. Na área doméstica, destacou ainda a tecnologia WindFree, que “permite manter a temperatura dos espaços sem correntes de ar frio sobre as pessoas”, recentemente distinguida como produto do ano.
A LG marcou presença com uma proposta centrada na integração de soluções para o ambiente doméstico, combinando climatização, eletrodomésticos e conectividade.
Em declarações durante o evento, Liliana Bárbara, project engineer | air solution da LG, explicou que o objetivo passa por “reforçar um bocadinho a possibilidade de termos a parte da climatização, a parte do built-in dos eletrodomésticos e também das bombas de calor”, destacando ainda “a própria conectividade que é possível na mesma casa com todos os produtos LG”.
A abordagem da marca assenta na criação de ecossistemas domésticos integrados, onde diferentes equipamentos comunicam entre si, contribuindo para maior eficiência e controlo no dia a dia.
No que diz respeito ao desempenho no mercado nacional, a responsável refere que, até ao momento, não se verificam sinais de abrandamento. “Ainda não sentimos retração nenhuma”, afirma, embora admita alguma cautela face ao contexto internacional. “Estamos um bocadinho na expectativa, de acordo com o que está a acontecer no mundo, com estas guerras todas.”
Apesar deste enquadramento, o início do ano tem sido positivo para a marca. “O início do ano foi fantástico, está a ser incrível, com grande crescimento”, sublinha, acrescentando que “a marca está muito forte no mercado e está com uma boa posição em termos de reconhecimento”.
A Daikin, em parceria com a ENAT, apresentou soluções que combinam design, eficiência e adaptação às novas exigências do mercado.
Um dos destaques foi a gama Stylish, agora com novos painéis decorativos, permitindo uma maior integração estética nos espaços interiores. “Temos várias cores, imitação de madeira, imitação de papel de parede, para ir mais de encontro com a decoração das casas”, explicou David Fernandes, sublinhando a importância crescente da componente visual nos equipamentos de climatização. A possibilidade de substituir apenas a carcaça exterior permite adaptar o equipamento ao ambiente, mantendo o desempenho técnico.
A eficiência e o conforto continuam a ser fatores centrais. “A máquina é muito eficiente, muito confortável”, referiu o responsável, num mercado cada vez mais orientado para soluções que conciliem desempenho e integração arquitetónica.
Apesar da elevada procura, o setor enfrenta constrangimentos estruturais. “Temos muito trabalho, muitos pedidos e muitas obras”, afirmou, apontando a escassez de mão de obra qualificada como a principal dificuldade. “A nossa maior luta é a mão de obra qualificada, que é cada vez mais difícil de arranjar.”
No segmento das energias renováveis, nomeadamente no fotovoltaico e armazenamento, a concorrência intensificou-se. “É um mercado bastante competitivo, com muitas marcas novas e preços muito competitivos”, indicou. Ainda assim, a empresa mantém a aposta em soluções com maior durabilidade e garantia, diferenciando-se pela qualidade.
O responsável alertou também para a necessidade de maior apoio à transição energética. “Era necessário mais incentivos e medidas claras”, defendeu, referindo que a ausência de apoios pode atrasar decisões de investimento por parte dos consumidores.
A ventilação surge igualmente como área em crescimento, acompanhando as exigências das novas construções. “As casas são cada vez mais bem isoladas e a ventilação é muito importante”, destacou, apontando soluções mais compactas como resposta a esta tendência.
Miguel Ferreira e Miguel Neves da SODECA Portugal.
A SODECA Portugal voltou a marcar presença na Tektónica, reforçando a aposta nas soluções de ventilação para o setor residencial, num contexto de elevada procura no mercado.
Segundo Miguel Ferreira, diretor operacional, o início de 2026 tem sido positivo. “Está a correr muito bem. Começámos muito bem o ano”, afirmou, destacando o dinamismo do setor apesar do enquadramento externo. “Há bastante trabalho, o setor continua a mexer bastante bem, apesar de tudo o que se passa no contexto externo.”
Ainda assim, a falta de mão de obra mantém-se como um dos principais constrangimentos. “Há um problema que afeta toda a gente, que é a falta de mão de obra”, referiu, apontando atrasos na execução de algumas obras devido a esta realidade.
Na feira, a empresa voltou a centrar a sua presença no segmento doméstico, com soluções de ventilação mecânica controlada. “Este ano voltamos a incidir sobre a parte doméstica, no que respeita à ventilação mecânica centralizada”, explicou, destacando a oferta de soluções completas para este tipo de sistemas.
Entre os equipamentos em exposição, a Sodeca apresentou também uma solução para desenfumagem que permite simultaneamente a ventilação dos espaços. “Tem uma comporta que reduz ao máximo as perdas térmicas”, referiu, salientando a vantagem de controlar a temperatura interior sem comprometer a eficiência energética.
Relativamente à participação na Tektónica, Miguel Ferreira sublinha a importância da presença institucional e do contacto com o mercado. “Faz sentido participar para marcar presença e mostrar que somos mais um player neste mercado”, afirmou, acrescentando que o evento permite também reforçar relações com clientes e parceiros.
No plano do mercado, a empresa identifica um maior dinamismo no segmento residencial e de serviços, em contraste com alguma desaceleração na indústria. “A parte residencial continua muito pujante”, referiu, associando este crescimento ao investimento, incluindo estrangeiro, no setor imobiliário.
Quanto ao fornecimento de equipamentos, o responsável indica não existirem constrangimentos relevantes. “Não temos tido nenhum problema dramático ao nível de componentes”, concluiu.
A participação da Solius na última edição da TEKTÓNICA superou as expectativas e marcou um momento decisivo para a afirmação da marca no mercado nacional.
O objetivo principal foi reforçar o posicionamento da Solius no setor AVAC, apresentar novas soluções e demonstrar a evolução alcançada nos últimos anos. Durante a feira lançámos oficialmente a nova gama de ar condicionado, bombas de calor AQS tipo split e bombas de calor monobloco de 40 kW. A adesão foi extremamente positiva, com elevado número de visitantes, contactos comerciais e reconhecimento da qualidade das soluções apresentadas. Destacámos propostas para os segmentos residencial unifamiliar, multifamiliar e terciário, com foco em aerotermia, VMC, ventiloconvectores, piso radiante e energia solar fotovoltaica.
A integração no MBT Climate reforçou a capacidade de desenvolvimento, expansão de gama e posicionamento estratégico da Solius, permitindo-nos encarar o futuro com ambição e consolidar o crescimento sustentado da marca. A proximidade ao instalador, o apoio técnico especializado e a relação qualidade/preço continuam a ser fatores centrais da nossa diferenciação no mercado.
A participação da Pretensa na feira ficou marcada pela apresentação de soluções nas áreas da proteção sísmica, energia móvel e economia circular, tendo a empresa sido distinguida com dois prémios de inovação no âmbito do evento.
Durante o certame, a empresa evidenciou uma estratégia centrada na aplicação prática de princípios de sustentabilidade no setor da construção, com enfoque na descarbonização e na eficiência das operações. O reconhecimento alcançado reforça o posicionamento da Pretensa no desenvolvimento de soluções técnicas alinhadas com as exigências atuais do mercado.
Entre os projetos distinguidos encontra-se o sistema de barreiras acústicas HATKO, produzido a partir de pneus em fim de vida recolhidos em Portugal. A solução responde simultaneamente à valorização de resíduos e à mitigação da poluição sonora, sendo aplicável em infraestruturas rodoviárias, ferroviárias e industriais, incluindo sistemas de aquecimento, ventilação e ar condicionado (AVAC).
Na área energética, o ecossistema de baterias Instagrid foi igualmente premiado, apresentando-se como alternativa aos geradores a combustão em contexto de obra. O sistema baseia-se em unidades portáteis, com possibilidade de operação contínua e suporte a equipamentos de diferentes exigências técnicas.
Segundo Paulo Pimenta, manager da Pretensa, a estratégia da empresa passa por integrar soluções que conciliem desempenho técnico e sustentabilidade, promovendo a aplicação prática de tecnologias com impacto direto no setor. O responsável sublinha a importância de acelerar a adoção de soluções energeticamente eficientes em contexto de obra e manutenção.
Entre as principais vantagens das soluções apresentadas destacam-se a redução de emissões, a diminuição do ruído e a melhoria das condições de segurança em obra, nomeadamente pela eliminação de combustíveis e pela simplificação logística.
A disponibilização das soluções em regime de renting surge como uma das vias para facilitar a sua adoção, permitindo às empresas reduzir custos operacionais e adaptar-se a um contexto de maior exigência energética.
A Beniteca participou pela primeira vez na Tektónica, com o objetivo de reforçar a sua presença no mercado e alargar a rede de contactos no setor das instalações técnicas.
Segundo Hugo Silva, diretor geral e cofundador da Beniteca, as expectativas para esta estreia são moderadas, mas com perspetivas positivas. “As expectativas são baixas, é o primeiro ano que cá estamos, no entanto estamos com a perceção de que vamos ter aqui muitos contactos”, afirmou, destacando a importância da feira para aumentar o portefólio de clientes e estabelecer novas parcerias.
Com cerca de um ano e meio de atividade, a empresa posiciona-se como resposta a uma necessidade crescente do mercado. “Conseguimos responder às necessidades do mercado devido à falta de mão de obra e de serviços técnicos”, explicou, sublinhando o papel da Beniteca no apoio a obras e infraestruturas técnicas.
A atividade da empresa centra-se na disponibilização de técnicos especializados, que podem ser subcontratados por outras empresas. “Já temos serviços especializados”, referiu, destacando a capacidade de resposta num contexto em que a escassez de profissionais é um dos principais desafios do setor.
A formação surge como um dos pilares diferenciadores da empresa. “Estamos muito na formação”, afirmou Hugo Silva, acrescentando que os técnicos são preparados com recurso a entidades externas certificadas, garantindo a qualificação necessária para responder às exigências do mercado.
A Aspilusa apresentou na Tektónica soluções centradas na ventilação e climatização, com destaque para os sistemas de ventilação mecânica controlada (VMC), num contexto em que estes equipamentos assumem crescente relevância nas novas construções.
Em declarações no evento, Carlos Meliço, da empresa, explicou que “o que trouxemos foi essencialmente agora a questão da ventilação do VMC”, sublinhando a aposta recente nesta área. A Aspilusa está a trabalhar com uma marca polaca, que representa “há mais ou menos dois anos”, destacando a qualidade dos equipamentos e a sua adequação às exigências atuais do mercado. “É um produto que é essencial para as novas construções”, afirmou.
Com 25 anos de atividade, assinalados em 2026, a empresa mantém como principal foco a aspiração central, área onde se posiciona como fabricante nacional. “Somos um fabricante português, a injeção, os moldes é tudo feito aqui na zona do norte do país”, referiu, acrescentando que a montagem dos equipamentos é realizada nas instalações da empresa, localizadas na margem sul, no Seixal.
Além da ventilação e da aspiração central, a Aspilusa aposta também noutras soluções, como o piso radiante elétrico, desenvolvido em parceria com uma marca finlandesa. “Trabalhamos há cerca de 15 anos com piso radiante elétrico, com um cabo com muita qualidade”, indicou.
Relativamente ao desempenho da empresa, Carlos Meliço destaca um ano positivo, impulsionado pela introdução das soluções de VMC. “Está a correr muito bem, principalmente agora com a introdução do VMC deu um salto”, concluiu.
Miguel Rios, da OpenPlus Energy Systems.
A OPENPLUS Energy Systems participou pela primeira vez na Tektónica, apresentando soluções na área dos sistemas térmicos e fotovoltaicos, com destaque para a integração entre tecnologias.
Em declarações no certame, Miguel Rios explicou que a presença da empresa surge com alguma expectativa, tratando-se da estreia em Lisboa. “Viemos assim um bocado a medo, porque realmente nunca cá tínhamos vindo”, afirmou, acrescentando que o balanço inicial é positivo: “Para o primeiro dia está a correr bem, alguns contactos interessantes, vê-se muita gente na feira, o que é sempre bom. Foi uma agradável surpresa.”
Fundada em 2008, a empresa atua sobretudo no desenvolvimento de soluções térmicas. “Somos fabricantes de painéis térmicos, sistemas térmicos, e temos também uma parte de fotovoltaico já há alguns anos”, referiu, destacando a comercialização de kits completos para aquecimento de água, combinando diferentes tecnologias.
Entre as soluções apresentadas, a principal aposta recai sobre as bombas de calor, integradas com sistemas solares. “A grande novidade é mais a bomba de calor, com incorporação com os painéis, tanto térmicos como fotovoltaicos”, explicou, salientando a importância da integração de sistemas como fator diferenciador.
Relativamente ao mercado, o responsável admite alguma irregularidade no início do ano, influenciada pelas condições climatéricas. “Nós vivemos do sol e os últimos meses foram estranhos, no mínimo”, afirmou, acrescentando que a atividade começa agora a estabilizar.
A empresa opera maioritariamente no segmento residencial, embora também desenvolva soluções para projetos de maior dimensão. “O térmico é mais residencial, o fotovoltaico já vai mais para obras maiores”, concluiu.
AIPOR | Custos crescentes e falta de mão de obra pressionam setor das instalações
Celeste Campinho, presidente da Direção da AIPOR - Associação dos Instaladores de Portugal, admite que o setor das instalações técnicas especiais está a atravessar um período exigente, marcado pelo impacto do contexto geopolítico, sobretudo ao nível dos custos e da disponibilidade de profissionais qualificados.
À margem da Tektónica, a responsável explica que "o ano está pautado exatamente por todas estas alterações geopolíticas", realidade que se tem traduzido num aumento significativo das despesas das empresas. Entre as principais preocupações está o peso dos transportes, tanto no envio de materiais como nas deslocações para obras em todo o país. "Temos um problema que todos os instaladores estão a sentir diariamente, e que passa pelo custo associado aos transportes", refere.
A subida dos combustíveis veio agravar ainda mais a situação. "Houve um acréscimo substancial de custo generalizado para a obra que não estava contemplado", sublinha. O problema torna-se mais complexo quando muitos dos contratos em vigor foram definidos há dois ou três anos, num contexto de custos bastante diferente. "Os preços, nomeadamente dos serviços de manutenção preventiva, estão contratados há dois ou três anos, e é muito difícil suportar estes custos que estão sempre a aumentar", acrescenta.
Para além disso, há outros encargos a pressionar as empresas, como os seguros. "Há um incremento enorme nos seguros, que não se tem falado", aponta, referindo que esta realidade tem vindo a dificultar a gestão do dia a dia, sobretudo nas empresas de menor dimensão que representam a maior parte do tecido empresarial português. "Nas empresas está a haver uma pressão enorme. É muito difícil gerir", afirma.
Apesar das dificuldades, a atividade no setor da construção mantém-se elevada. "O edificado e as obras estão a viver um boom como nunca", diz, ainda que admita preocupação com a evolução a curto prazo caso não surjam medidas de alívio.
Nesse sentido, defende uma intervenção ao nível fiscal, com especial enfoque na redução dos impostos sobre combustíveis e outros custos essenciais, como forma de dar algum fôlego às empresas e às famílias.
Já no que respeita à mão de obra, o cenário continua a ser desafiante. "A falta de mão de obra qualificada continua a ser um tema crítico", reconhece, sublinhando a importância de reforçar o ensino profissional. "É muito importante promover o ensino pela via profissional", afirma, destacando que se trata de uma área com forte componente tecnológica e boas oportunidades para os mais jovens: "É uma área muito tecnológica e com muita saída para os jovens".



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O Instalador - Informação profissional do setor das instalações em Portugal