A Carrier, a Geoterme e a Grundfos realizaram, no passado dia 26 de maio, uma sessão técnica dedicada à descarbonização e eficiência energética no setor da saúde, centrada no projeto de modernização do Instituto Português de Oncologia de Lisboa (IPO Lisboa). O encontro decorreu no Hotel SANA Malhoa, em Lisboa.
O evento teve como principal foco o projeto de descarbonização e renovação da central de frio e calor do IPO Lisboa — uma intervenção complexa que permitiu reduzir significativamente as emissões de CO2 do complexo hospitalar.
A apresentação técnica foi conduzida pelo engenheiro João Antero Cardoso, projetista e especialista em climatização, que começou por enquadrar a dimensão do desafio. O IPO Lisboa, explicou, é um complexo hospitalar com origem nos anos 20, composto por vários edifícios interligados e sustentado, durante décadas, por sistemas térmicos antigos baseados em vapor.
“Era uma infraestrutura muito envelhecida, com equipamentos dispersos, consumos elevados e perdas energéticas muito significativas”, referiu.
Antes da intervenção, o hospital contava com dezenas de chillers, sistemas split e equipamentos autónomos espalhados pelas instalações. As perdas energéticas rondavam os 30% a 40%, sobretudo devido ao estado das tubagens e à degradação dos equipamentos existentes.
Na altura, os consumos anuais ultrapassavam os 2,7 milhões de m3 de gás natural e mais de 8,7 milhões de kWh de eletricidade, traduzindo-se em cerca de 4.900 toneladas anuais de emissões de CO2.
A solução passou pela substituição integral do sistema térmico por uma nova central baseada em chillers bombas de calor multifuncionais, caldeiras de condensação e uma rede hidráulica enterrada e isolada.
Um dos aspetos mais relevantes do projeto foi a capacidade de produzir simultaneamente água quente e fria, recuperando energia entre diferentes necessidades térmicas do hospital. A instalação integra cinco chillers bombas de calor multifuncionais capazes de produzir água gelada a 5 °C e água quente até 65 °C, complementados por sistemas dry cooler instalados na cobertura.
As caldeiras de condensação ficaram reservadas para situações de maior exigência térmica e para garantir os processos de sanitização da água quente sanitária, particularmente importantes num ambiente hospitalar.
Ao longo da sessão foram também apresentados os bastidores técnicos da obra. Duarte Pinto, da Electrocabos, partilhou a experiência da empresa instaladora e os principais desafios enfrentados durante a execução da empreitada.
“Trabalhar num hospital em funcionamento permanente obriga a um planeamento muito rigoroso e a uma coordenação constante entre todas as equipas”, destacou.
A obra decorreu sem interromper a atividade hospitalar, o que exigiu uma elevada articulação entre projetistas, instaladores e equipas técnicas do IPO.
Além da complexidade técnica, o projeto enfrentou ainda os impactos da pandemia de Covid-19, desde a escassez de mão de obra às dificuldades no fornecimento de materiais como cobre, aço, componentes eletrónicos e isolamentos. Houve também atrasos logísticos e aumento dos custos operacionais associados à reorganização das equipas e às medidas sanitárias implementadas em obra.
Apesar disso, os resultados acabaram por superar as expectativas. Com a nova infraestrutura em funcionamento, o consumo de gás natural tornou-se praticamente residual. Embora o consumo elétrico tenha aumentado, devido à eletrificação do sistema através das bombas de calor, o balanço ambiental revelou-se claramente positivo.
As emissões anuais de CO2 desceram de cerca de 4.900 para aproximadamente 3.200 toneladas, representando uma redução de 34%. Posteriormente, o complexo passou ainda a integrar produção fotovoltaica, reforçando a aposta na sustentabilidade energética.
A sessão terminou com uma visita técnica à central de frio e calor do IPO Lisboa. Os participantes tiveram oportunidade de conhecer de perto os equipamentos instalados, as subestações e os sistemas dry cooler atualmente em operação contínua, responsáveis pela produção de água a 7 °C e 65 °C que alimenta todo o complexo hospitalar.
O projeto de modernização energética do IPO Lisboa decorreu entre 2016 e 2022 e envolveu uma profunda renovação da central de frio e calor do complexo hospitalar. Mais do que uma intervenção técnica, a iniciativa mostrou também a importância da colaboração entre diferentes especialistas do setor. A união entre Carrier, Geoterme e Grundfos, juntamente com projetistas, instaladores e equipas técnicas do hospital, permitiu concretizar uma obra de elevada complexidade sem comprometer o funcionamento da unidade hospitalar. Um exemplo de como a cooperação entre empresas e competências distintas pode acelerar soluções mais eficientes, sustentáveis e preparadas para os desafios energéticos do futuro.



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