'Construção Colaborativa para um Futuro Responsável' é o tema do ciclo de conferências reservado à apresentação de projetos de arquitetura que dão expressão à criatividade, à inovação e às tendências presentes no setor. As candidaturas terminam a 16 de julho.
As boas práticas de sustentabilidade têm este ano um lugar cativo no ciclo de conferências que a feira da EXPONOR dedicada à construção, arquitetura, design e engenharia dinamiza a pensar nos mais recentes projetos desenvolvidos por arquitetos, engenheiros e designers. Os quais têm, de 18 a 21 de novembro, um momento especialmente criado pela organização da Concreta, designado de 'Na Primeira Pessoa', para exporem os seus últimos trabalhos, em palestras de 20 minutos.
'Construção Colaborativa para um Futuro Responsável' é o tema e as candidaturas para preencher o espaço da iniciativa deste ano terminam a 16 de julho próximo. Data após a qual serão selecionadas as melhores propostas, as quais serão anunciadas em 30 de setembro.
O peso do processo colaborativo no desenvolvimento do projeto, o desempenho técnico integrado, a sustentabilidade e a responsabilidade, a inovação aplicada e a gestão colaborativa de recursos são os critérios que presidirão à análise e à consequente seleção das apresentações para os painéis disponíveis em 'Na Primeira Pessoa'.
O conceito de construção colaborativa começa a afirmar se em Portugal como uma resposta inovadora a desafios atuais como a crise habitacional, a mobilidade profissional, as falhas urbanísticas provenientes de decisões isoladas e reformulações posteriores com custos acrescidos. Mais difundido no norte da Europa, trata-se de um modelo que promove soluções de habitação e uso do espaço baseadas na cooperação entre empresas, entidades e cidadãos, num incentivo a convivência através da partilha intergeracional de espaços, equipamentos, recursos e tarefas, com impacto positivo na coesão social e na qualidade de vida.
Certame onde os negócios da fileira da construção - uma das mais importantes para a economia portuguesa – têm primazia, a Concreta é também palco das tendências, da inovação e da criatividade que perpassam pelo tecido empresarial.
E um dos pontos de mira do evento será a exposição coletiva de fotografia de arquitetura de quatro autores portugueses consagrados: Cláudio Parada Nunes, Eduardo Montenegro, Gonçalo Pacheco e Laura Deus. Nomes que darão na feira expressão às ideias que, além da estética visual, atravessam a arte de projetar e construir, através do seu podcast 'Grande Angular', um programa - desta vez ao vivo - muito apreciado e conhecido entre profissionais e entusiastas de fotografia e arquitetura em Portugal.
Para o arquiteto Diogo Aguiar, curador do certame organizado pela EXPONOR, a Concreta 2026 “parte de uma ideia muito clara: não haverá um futuro responsável para a construção sem uma forma mais colaborativa de pensar, decidir e produzir. A construção colaborativa é uma condição essencial para descarbonizar o ambiente construído. Arquitetura, engenharia, indústria, construção, promoção, investigação e entidades públicas não podem continuar a trabalhar como territórios excessivamente separados. Muitos dos problemas que encontramos em obra começam precisamente nessa fragmentação”.
Mas, descarbonizar exige também que se compreenda a verdadeira dimensão do problema. “Não se trata apenas de substituir um material por outro. É necessário considerar o impacto da construção ao longo de todo o seu ciclo de vida: desde a extração e transformação dos materiais até ao transporte, montagem, utilização, manutenção, adaptação, desmontagem e eventual reutilização. Implica, ainda, distinguir o carbono associado ao funcionamento dos edifícios daquele que está incorporado nos materiais e nos próprios processos construtivos”, complementa, revelando que, em novembro, na feira, estes temas terão expressão nas soluções apresentadas, mas também em percursos temáticos, casos de estudo, debates, demonstrações e encontros que aproximarão o projeto, a produção e a obra.
E como uma feira que discute desperdício e circularidade deve começar por questionar os seus próprios dispositivos expositivos, a Concreta surgirá despojada de alcatifa.
A opção, evita a instalação e o posterior descarte de mais de 10 mil metros quadrados de alcatifa num evento com apenas quatro dias de duração. “Não se trata apenas de um gesto simbólico. Trata-se de questionar convenções expositivas que foram sendo repetidas ao longo dos anos sem uma avaliação crítica dos seus impactos”, sublinha Diogo Aguiar, explicando que esse exercício “deverá, progressivamente, estender-se também às estruturas temporárias, aos revestimentos, à sinalética, à logística e à gestão dos resíduos produzidos durante a montagem e desmontagem da feira”.
Outro dos aspetos que traduzirá de forma particularmente clara o posicionamento da mostra dedicada à construção, arquitetura, design e engenharia é a criação de uma instalação conceptual dedicada à +Concreta - Tendências para Arquitetura e Interiores, o evento premium que a EXPONOR delineou para as empresas portuguesas com produtos de excelência para os profissionais da 5.ª arte e decorre nos anos ímpares.
“Esta instalação permitirá apresentar, dentro do universo mais amplo da Concreta 2026, um território de seleção mais curado e experimental, centrado em marcas, produtos, fabricantes e agentes portugueses cuja prática se distingue pela cultura material, pela inovação construtiva, pela circularidade e pela responsabilidade ambiental. A intenção é criar não apenas uma montra, mas um espaço capaz de estabelecer relações entre produto, processo, conhecimento e contexto produtivo”, remata o curador da exposição.
A Concreta 2026 decorre em simultâneo com a Eletrica, a feira onde os profissionais ligados ao setor elétrico, eletrónico, energético e de mobilidade encontram uma mostra altamente especializada de produtos, sistemas e tecnologias aplicadas à indústria, construção e mobilidade.




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