É precisamente esta reflexão que a APIRAC pretende promover com a conferência internacional 'World Ventilation Day and the effective integration between Indoor Air Quality and Energy Efficiency in Buildings', um evento a ter lugar em Lisboa, em parceria com a Comissão de Especialização de Climatização e Refrigeração da Ordem dos Engenheiros e o Capítulo Português da ASHRAE.
O momento não poderia ser mais oportuno: a legislação europeia e nacional está a colocar uma pressão crescente sobre o desempenho dos edifícios, mas a transposição dos requisitos não pode resumir-se ao cumprimento formal de obrigações. Temos de ser capazes de transformar a regulamentação em melhores edifícios, melhores instalações e, sobretudo, melhores condições para quem os utiliza.
A pandemia tornou a QAI mais visível para a sociedade. Hoje, porém, já não podemos justificar a atenção à QAI apenas com a necessidade de reduzir o risco de transmissão de agentes infecciosos. Uma boa qualidade do ar tem implicações na saúde, no conforto, na produtividade e no absentismo. E isso significa que a ventilação deve ser encarada como um investimento e não como um custo de exploração.
A conferência parte justamente desta visão integrada - discutir a relação entre QAI e eficiência energética, a importância da medição contínua da qualidade do ar, o papel da ventilação natural e mecânica e a necessidade de qualificação e certificação dos profissionais que intervêm neste domínio.
Existe, neste âmbito, um desafio técnico particularmente relevante. Durante demasiado tempo, pareceu existir uma oposição entre ventilar e poupar energia, mas essa dicotomia é hoje tecnicamente ultrapassável. A questão não é escolher entre ar saudável e eficiência energética; é conceber, instalar, operar e manter sistemas capazes de garantir ambos os objetivos.
É, aliás, neste equilíbrio que o setor AVAC&R pode afirmar uma das suas maiores responsabilidades. Não basta instalar equipamentos eficientes; é necessário garantir que os sistemas funcionam adequadamente ao longo do seu ciclo de vida, que os caudais de ar são os adequados, que a filtragem e a manutenção são asseguradas e que existem mecanismos de monitorização capazes de detetar desvios.
A medição contínua da QAI será uma das matérias em discussão na conferência e representa, a meu ver, uma mudança importante de paradigma. Não podemos continuar a avaliar a qualidade do ar apenas através de fotografia pontual quando os edifícios são sistemas dinâmicos, sujeitos a variações de ocupação, utilização, temperatura, humidade e condições exteriores.
A monitorização permite conhecer o comportamento real dos espaços e dos sistemas, identificar problemas, corrigir desempenhos e tomar decisões baseadas em dados. Mas também exige competência técnica para interpretar a informação e transformá-la em ação.
É aqui que a certificação dos técnicos ganha especial importância. Se queremos elevar os padrões de QAI em Portugal, temos de assegurar que quem projeta, instala, verifica, mantém e avalia sistemas de ventilação possui as competências necessárias. A qualidade do resultado final depende, em grande medida, da qualidade da intervenção técnica.
O Dia Mundial da Ventilação deve, por isso, ser mais do que uma celebração promovida pelo setor. Deve constituir uma oportunidade para colocar a QAI no centro da discussão sobre o futuro dos edifícios.
A conferência reunirá diferentes perspetivas - engenharia, saúde, fiscalização, ambiente e setor empresarial - precisamente porque a QAI não é um desafio exclusivamente técnico. É uma questão de saúde pública, de eficiência económica e de sustentabilidade. A participação prevista de entidades como o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, a ASAE, a ZERO, a ABRAVA, a ASHRAE e a REHVA traduz essa necessidade de diálogo alargado.
Enquanto setor AVAC&R, temos uma oportunidade - e uma responsabilidade - de deixar de reagir às exigências regulamentares e passar a antecipá-las. A ventilação não deve continuar a ser o elemento esquecido quando falamos de desempenho dos edifícios. E a conferência do próximo dia 12 de novembro irá contribuir para isso mesmo.
Inscrições em: https://apirac.pt






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