Os portugueses estão a procurar mais soluções de energia solar, mas a principal mudança está na forma como querem utilizar a energia que produzem. A Bling Energy, empresa portuguesa especializada em sistemas solares, comparou os seus dados entre os verões de 2025 e 2026 e identificou uma mudança clara: as baterias estão a ganhar um peso muito maior nos sistemas contratados.
Considerando o período entre 21 de junho a 21 de setembro em ambos os anos, o número de sistemas solares contratados através da Bling cresceu 36%. O crescimento é, no entanto, muito mais expressivo quando se olha para o armazenamento: em 2025, menos de metade dos sistemas contratados incluía uma bateria; este ano, essa proporção subiu para três em cada quatro. Em números absolutos, os contratos com bateria triplicaram.
A mudança não está apenas no número de clientes que escolhem armazenar a energia produzida. As baterias contratadas são também, em média, maiores: a sua capacidade média aumentou 48% de um verão para o outro. A conjugação destas duas tendências - mais sistemas com bateria e maior capacidade por sistema - fez com que a capacidade total de armazenamento contratada aumentasse 296%, praticamente quadruplicando num ano.
Na prática, as baterias permitem guardar parte da eletricidade produzida pelos painéis solares que não é consumida de imediato, para ser utilizada mais tarde. É precisamente por isso que a evolução do armazenamento se torna relevante para perceber a mudança nas escolhas dos clientes: produzir a própria energia continua a ser o ponto de partida, mas a possibilidade de decidir quando utilizá-la está a ganhar cada vez mais espaço na configuração dos sistemas contratados.
“Há um ano, as baterias estavam presentes em menos de metade dos sistemas que contratávamos durante o verão. Hoje, estão em três em cada quatro. Os dados mostram que o armazenamento está a ganhar um papel cada vez mais relevante nas escolhas das famílias, que procuram não só produzir a sua própria energia, mas também ter maior flexibilidade para decidir quando a utilizam”, explica Francisco Sousa Machado, CRO da Bling Energy.
Mas as baterias não são a única diferença entre os dois períodos. Os próprios sistemas solares contratados são, em média, maiores. A potência média por sistema aumentou 28%, enquanto a potência contratada cresceu 64%. Ou seja, o crescimento registado pela Bling resulta não apenas de um maior número de contratos, mas também da escolha de sistemas de maior dimensão.
É quando se cruzam estas diferentes evoluções que surge a principal leitura dos dados. O armazenamento está a crescer muito mais rapidamente do que a própria potência solar. Os clientes não estão apenas a contratar mais sistemas solares: estão a escolher sistemas maiores e, sobretudo, soluções com uma capacidade de armazenamento significativamente superior.
“De um verão para o outro, não mudou apenas o número de sistemas contratados, mas também aquilo que os clientes procuram quando decidem avançar com solar. O crescimento das baterias e da sua capacidade mostra-nos que o armazenamento está a assumir um papel cada vez mais central na solução escolhida”, conclui Francisco Sousa Machado.
*Os dados dizem respeito a contratos assinados pela Bling Energy entre 21 de junho e 21 de setembro de 2025 e o mesmo período de 2026.





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